Os cientistas das áreas humanas deviam se arriscar mais...

Os cientistas das áreas humanas deviam se arriscar mais...

Vim falando de assuntos tabus na Área Científica das Ciências Humanas, mas vou adentrar, nesta aula o terreno “seguro” da Ciência Pragmática. Nem que seja por um momento apenas, vou palmilhar a senda já trilhada por milhões de pés e que, por isto mesmo, é considerada segura. Eu, pessoalmente, não gosto de mesmices, mas em Ciência é necessário ou, então, é-se defenestrado pelos doutos que temem embarcar em uma aventura que lhes tire dos pés a segurança do “como disse fulano”, “como falou beltrano”, “como cita cicrano” etc… Até hoje ainda não vi nenhum artigo sobre uma teoria de brasileiros que não se fundamente neste caminho. Não há um Cientista que diga “segundo meu pensamento” ou “segundo minha teoria”. Todos aceitam o comportamento tácito de andar somente de conformidade com os passos já dados pelas pernas de outros. Eu não sou partidário deste modo de agir. Os outros abriram caminhos. Então, vamos escolher um deles e encompridá-lo mais, em vez de permanecer apenas alargando-o. Enfim…

Sem estresse. O assunto não é tão bicho papão como pode parecer.

Sem estresse. O assunto não é tão bicho papão como pode parecer.

Bom, vamos lá. Comecemos compreendendo como funcionamos no quesito psicológico. A Medicina se deleita em estudar o Soma (corpo). Nós, estudantes da Alma, nos deleitamos em tentar criar um sistema que não perca o pé no terreno “seguro” das teorias médicas, mas nos permita alçar pequenos vôos além dele. Por isto mesmo muitos se atêm à segurança do escarafunchamento do que comumente chamam de “Personalidade”. Eu, como já expliquei, não adoto este vocábulo porque ele não expressa nada. Prefiro falar de Identidade, pois esta é objetiva e se estrutura segundo uma herança avoenga (dos antepassados, dos avós), arquetípica (arkhé = além de; tipós = tipo, forma). A propósito, ontem, numa aula do Centro Ramatis, ouvi um médico e estudioso da Física Quântica dizer que “a matéria de que somos feitos, se todo o espaço que há em nós fosse retirado, se resumiria à ponta de um taco de bilhar”. Pois é. Somos esta insignificância de matéria e, no entanto, fazemos cada coisa de arrepiar os pelos da nuca do próprio Criador… O médico, no que diz respeito aos conceitos quânticos, disse exatamente o que eu digo aqui.

Cérebro, a usina de energias que desconhecemos totalmente.

Ele é importantíssimo, mas é somente parte de um todo maravilhoso.

Então, voltemos a nós enquanto entidade médica. Temos um encéfalo que abriga o Cérebro, este famoso e desconhecido computador quântico. Ele recebe todos os estímulos que o Soma sente através dos seus cinco sentidos e que lhe são encaminhados por redes neurais aferentes (= de entrada). Então, analisa-os e lhes dá uma resposta adequada de conformidade com o que já possui memorizado e guardado em seu “banco de memórias”, tudo isto pela rede neural eferente (= de saída). Simples assim.

Simples? Vai sonhando…

O primeiro sistema físico de que estou falando é denominado de sensação. Não vou entrar nas pesadas análises neurológicas do sistema neural especializado em captar e encaminhar sensações ao Computador Central, nosso Cérebro. Isto é coisa para a Ciência Médica. A Internet tem milhares de publicações falando a respeito disto e eu seria redundante. Então, vamos saltar estes prolegômenos e vamos para os finalmente. A sensação é a função psicológica mais “densa” em comparação com as demais. E é “mais densa” porque centra-se toda nos neurônios periféricos e nucleares, cerebrais. Mas a partir dela a coisa se complica, pois a segunda função que se lhe segue é chamada de “percepção”. E aqui a coisa se complica pra valer.

O que é perceber? Diz o dicionário que perceber é adquirir conhecimento através dos sentidos, do sensório. É abranger com a inteligência; é compreender; é entender. Será? 

"Putz! Que qui é isso???"

“Putz! Que qui é isso???”

Quando você olha para uma entidade vegetal diante de si e diz esta é uma árvore” você realmente está percebendo o que É aquele ser totalmente diferente de você? A resposta é NÃO. Você serviu-se de uma entidade totalmente abstrata, um nome, um substantivo, mas ele não lhe informa o que realmente É aquela entidade diante de si. E para complicar mais ainda as coisas, você pode PERCEBER uma sombra indefinida; um som pouco audível; um odor muito tênue; um toque muito leve em sua pele; um pensamento renitente que teima em lhe perturbar o curso dos pensamentos; uma forma imaginária… Você pode perceber uma gama fantástica de coisas, mesmo que a elas não possa nomear. E se você não pode nomear, como é o caso de perceber uma sombra indefinida, que surgiu rapidamente “no canto de seus olhos”, então, você não conhece, como afirma o dicionário. Perceber, então, é não somente sentir a presença de algo quer pelo tato, quer pela visão, quer pela audição, quer pelo odor, quer pelo paladar, quer pela imaginação. É tomar consciência de que existe algo ao seu redor, ou que lhe toca, ou que surge em sua mente, mesmo que muitos dos estímulos exógenos ou endógenos você não tenha como nomear. Complexo? Você ainda não viu nada! Vamos avançar para uma área mais complexa ainda, a área da Cognição. É aqui que a gente se enrola de verdade.

O que é Cognição? A palavra em si quer dizer “conhecimento”. Mas isto é somente uma definição termo-a-termo. Cognição, em Psicologia e Filosofia, vai muito além disto. Vai direto ao campo da “Ilusão”. Por que? Ora, porque nós não podemos realmente conhecer nada, absolutamente nada!

Você olha para um ser vegetal diante de seus olhos e diz: “Isto é uma árvore cajueiro”. Esta oração lhe satisfaz plenamente, pois foi isto que lhe ensinaram a respeito daquele ser vegetal. Mas o que é um caju? Uma fruta, você me responderá. Certo, concordo. Mas manga também é uma fruta, assim como abacate, ou laranja, ou limão. Então, ao apelar para outro vocábulo a fim de definir um primeiro, você apenas mergulha mais e mais em absolutamente nada. Compreendeu? Você está “trabalhando” no campo dos conceitos tacitamente aceitos e válidos somente para as Pessoas que falam seu idioma, pois se você disser a um alemão que viu uma laranja, ele o olhará com aquela expressão de interrogação. O vocábulo português laranja não tem qualquer significado em seu idioma. Para ele, o vocábulo que expressa um significado para aquela fruta é orange. 

"Meu Deus! E eu ando falando cobras e lagartos da Maggie..."

“Meu Deus! E eu ando falando cobras e lagartos da Maggie…”

O mundo dos conceitos lingüísticos é o maior e mais enganador terreno em que nos firmamos para Conhecer o mundo que nos rodeia. Chocado? Pois é… Agora, pense em como você anda em terreno totalmente fluídico, quando, cheio de “certezas”, afirma ou nega algo a respeito de alguém.

Nós falamos doutamente sobre as coisas, os fatos, os processos, os Dilemas, como se as significações que criamos em nosso idioma para representá-los fossem reais, verdadeiras, objetivas. Mas não são. O que realmente criamos foi uma barreira cognitiva entre nós e aquilo que queremos conhecer. E como desde muito cedo em nossas vidas nos apegamos a esta barreira cognitiva e por ela nos guiamos para pensar e criar formas-pensamento, os quais são sempre energizados por nossas emoções, passamos a vida vivendo para o exterior e pelo exterior, sem que realmente o tenhamos plenamente em sua realidade. Complexo? É mesmo.

"Jesus! Este cara vai-me deixar doido! Tá dando pingo em gota d'água!!"

Jesus! Este cara vai-me deixar doido! Tá dando pingo em gota d’água!!”

Ninguém, até hoje, bilhões de anos decorridos desde que aqui chegamos, conseguiu realmente atingir o “âmago significativo” de coisa nenhuma. Isto nos dá o que pensar, pois aqui estamos por milênios e, ainda assim, não penetramos na realidade mesma das coisas que nos cercam. Descobrimos que tudo é constituído de uma coisinha imponderável a que se denominou átomo químico. Depois, descobrimos que este átomo não tem uma realidade material verdadeira. Existe numa nuvem quântica que se materializa e toma a forma que consciente ou inconscientemente desejamos que tome, bastando para isto imaginarmos que assim é. Complexo? Você nem imagina o quanto!

Entretanto, para nos compreendermos dentro desta realidade estranha em que nascemos, vivemos e desencarnamos, temos de criar parâmetros para nos orientar na tentativa de saber quem somos. Então, façamos como os Cientista da Psicologia e tomemos a Cognição como algo mensurável e compreensível, que pode nos dar uma certeza relativa sobre as coisas e os processos que vivenciamos, sejam eles internos ou externos a nós. 

"Cê não quer que eu creia que penso sem controle, meu!"

“Cê não quer que eu creia que penso compulsoriamente, meu!”

A Cognição é, então, o processo psicológico que nos permite assimilar as coisas, os fatos, os entes vivos e os processos internos e externos a nós nomeando-os e os arquivando mnemonicamente (mnemonikós = memória). É, portanto, o processo psicológico fundamental para a criação da memória da entidade humana. Sem a Cognição desaparece a Memória; sem Memória nós nos tornamos um ser impulsivo, que se dirige no mundo pelo instinto e deixamos, então, de ser humano. A partir da Cognição veio-nos o impulso para descobrir e isto nos leva à necessidade de comunicar o que descobrimos. Esta imperiosa necessidade de comunicação nos impôs inventar a fala e com ela, a representação iconográfica escrita. Fácil? Nadica de nada. Difícil pacas.

Na verdade, somos seres que não conhecemos nada e vivemos numa realidade que não existe. Pode? Só Deus explica!

Você, agora, já compreende o que são a sensação, a percepção e a cognição. Passemos, agora, a algo mais complexo ainda, o pensamento.

Como Jesus falou com o Pai enquanto estava no escuro, sobre o topo de um morro que se acreditava assombrado pelo diabo? Ninguém sabe.

Yehoshua fazia este exercício constantemente. E ele disse: “podeis fazer o que faço e muito mais”.

Vamos a um pequeno exercício mental. Sente-se relaxadamente, feche seus olhos e procure ver, sem nomear, uma floresta, morros e altiplanos, um rio correndo por entre eles, pássaros voando e pássaros pousados, animais nas margens e dentro do rio, o balançar das copas sopradas pelo vento, praia de areia branca ou parda… Mas não apele para nomes que designe o que você vê apenas com os “olhos da Mente”. Procure somente ver mentalmente as coisas. Não é difícil esta imaginação. O único trabalho é uma pequena luta íntima contra um impulso para nomear as imaginações que volitivamente você cria em sua Mente. Neste momento você aproximou-se um pouco mais da realidade externa. Você foi capaz de ver sem apelar para nomes, ou seja, sem apelar para a ilusão cognitiva. Este exercício é uma forma de lhe dizer que você pode presenciar fatos e processos sociais sem necessariamente emitir juízo de valor sobre ele ou sobre quem estiver neles envolvidos. Apenas veja. Não julgue. Não avalie. A não ser que esteja também no processo, permaneça passivo e seja só um observador. Com toda a certeza você, agindo assim, deixará de se criar Dilemas que podem perfeitamente passar ao largo de sua existência.

Imaginar é diferente de pensar. Você pode imaginar sem nomear as imagens. Mas você não pensa sem substantivar seu pensamento. Muitas vezes ele se constitui de um diálogo longo de sua Mente inquieta com você mesmo. 

Um pensamento, qualquer que seja, fundamenta-se:

a) nas sensações – na medida em que ele acontece intra-mente e para que se faça compreensível e apreensível necessita de formas e estas são dadas à Mente pelo sistema sensório da pessoa;

b) nas percepções – na medida em que ele necessita de ter informações sensoriais formais a fim de criar as imagens mentais das coisas e objetos de que necessita para fluir coerentemente e compreensivelmente para quem pensa;

c) nas cognições – na medida em que ele necessita de hierarquizar e coordenar formalmente as entidades que constitui seu fluxo de pensamentos;

d) em dar significado à cadeia de formas que constituem seus pensamentos através dos significantes e significados de seu idioma.

Significante é a palavra quer ouvida, quer escrita. Por exemplo: VENTO. Este vocábulo é um significante expressado na forma escrita. Pode ser expressado na forma audível, sonora, mas isto não mudará sua condição de significante.

Geralmente, quando há dúvidas, as máscaras caem. A gente fica sem apoio mesmo daqueles em quem mais confiamos.

A Psicologia é uma dama que se esconde atrás de uma máscara. É difícil saber quem é ela.

Significado é o sentido que se atribui ao significante para que se torne apreensível, cognoscível, e com isto possa possibilitar a realização do pensamento.  Por exemplo: árvore — é um significante da língua portuguesa para representar aos que falam o português uma entidade do reino vegetal. Está na forma pictórica, isto é, desenhada, escrita. Se você sonorizar este significante, ele passará à forma sonora, audível. Em ambas as formas, pictórica ou sonora, o significante árvore é imediatamente associada à imagem que a pessoa tem na memória do que seja uma “árvore”. Esta associação significante-forma mnêmica é que nos dá a ilusão da certeza de que realmente conhecemos o objeto a que a designação significativa se refere. E este significante torna-se um significado quando a ele se atribui a função de designar mnêmica e representativamente uma entidade do mundo, seja este mundo interno ao indivíduo, seja externo a ele. Com isto, associa-se o significante a uma longa aprendizagem lingüística habitual, onde os sentidos unidos na sensação influem decisivamente. Complicado? Releia até compreender o que digo, pois se você realmente está interessado em aprender Psicologia não há outro caminho a trilhar. O óbvio não é simples e é justamente o óbvio o sujeito de pesquisa e estudo desta Ciência fascinante. 

Todas as funções psicológicas são importantes, mas destaca-se entre elas a Cognição, pois é centrado nesta função que nossos pensamentos são gerados. E uma vez gerado um pensamento, imediatamente ele estimula a produção dos hormônios da emoção, os já comentados neuropeptídeos. Então, eis uma regra que você deve decorar rapidinho: não há pensamento sem emoção.

"Cruz credo! Está explicado meus pensamentos com o... o... deixa pra lá!"

“Cruz credo! Está explicado meus pensamentos com o… o… deixa pra lá!”

Agora, atente bem para isto: um pensamento pode surgir durante pouco tempo em seu psiquismo e se “perder” entre um montão de outros. No entanto, se você tiver condições de analisar os que se seguem a qualquer um deles, verá que há sempre uma seqüência lógica, uma direção determinada para o fluxo gerado pelo pensamento aparentemente sem importância. E isto tanto para a frente quanto para trás no contínuo da seqüência gerada. Não há “pensamentos soltos” em nossa vida psíquica. De algum modo eles se entrecruzam, se enlaçam e se fazem continuação de uma seqüência que só é bem notada, ou seja, está claramente na consciência, se faz parte da busca de uma Tomada de Decisão para um Dilema do momento. Enrolou? Concordo, mas só um tiquinho assim. Vamos em frente.

As águas de um rio seguem a Lei do Menor Esforço.

As águas de um rio seguem a Lei do Menor Esforço.

Existe uma afirmativa científica à qual nosso psiquismo também obedece. É a que diz que tudo segue a Lei do Menor Esforço. Trazendo esta Lei para a realidade de nossas cognições, descobrimos que temos tendência a nos mantermos dentro de um limite de utilização de cognições que nos causam menos esforço psíquico para transformar em um pensamento inteligível. É esta Lei que explica nossos maus hábitos de pensar errado sistematicamente quanto a determinado tema ou determinada coisa ou pessoa. Nós somos seres entrópicos por natureza. Entropia, aqui, deve ser entendida como a tendência à quietude, à “morte”.

A Lei do Menor Esforço também nos explica a tendência a repetir “automaticamente” um determinado hábito ou um determinado juízo de valor a respeito de algo ou de alguém, sem que se busque analisar os fundamentos de tais juízos. Ora, não há juízo de valor sem o emprego de unidades cognitivas = (vocábulos = significantes+significados). É justamente a Lei do Menor Esforço que nos induz à formação de estereótipos negativos e provocativos, como os que integram os valores preconceituosos. E é ela que nos induz a criar sobre nós mesmos valores que nos provocam inquietude, insegurança, temor, raiva ou reação de agressividade destrutiva (nota: agregare, termo latino de onde deriva o correspondente português agregar, significa trazer para perto; juntar. O vocábulo agressividade, cuja raiz lingüística é a do vocábulo latino, devia significar a qualidade de juntar, de trazer para perto; de agregar. Mas observando os combatentes numa luta, naturalmente associou-se o puxar para perto de si, juntar, à idéia de violência. Daí que o termo agressividade passou a ser sinônimo de violência).

Sei, sei. Você há de estar pensando que este assunto é enrolado. E é mesmo. Mas quem disse que Psicologia é fácil? Eu estou fazendo um esforço para bem informar com um mínimo de complexidade. Vá lá, me ajude. Vamos em frente?

"Mama mia! Quer dizer que quando eu crescer vou pensar mais besteiras do que penso agora?"

“Mama mia! E eu ando cheia de pensamentos ruins sobre minha irmã! É por isto que ando insone! Cruzes!!!”

Um pensamento repetido muitas vezes se torna um hábito psíquico. Não esquecendo que todo pensamento traz consigo uma carga emocional forte o bastante para manter os átomos da nuvem quântica unidos em uma forma-pensamento-emoção. Esta forma-pensamento-emoção, quando reforçada sempre e sempre, adquire uma resistência ao desfazimento muito forte. Em dado momento, ela passa a ser um hábito bastante incômodo e dá razão aos que reclamam que freqüentemente se vêem às voltas com pensamentos teimosos, tenazes, que, mesmo sendo desagradáveis, a pessoa não consegue afastá-los de si.

Como o Psicólogo Clínico deve proceder para ajudar seu cliente a se safar da encrenca em que ele mesmo se meteu? Muita gente pensa que é preciso aprender a dominar a Mente e controlar os pensamentos. Ledo engano. Não é o pensamento que tem força. Todo pensamento tem direção e sentido, mas não tem força para se pôr em movimento naquela direção e naquele sentido. Sua força vem da Carga Emocional. Então, o que o Psicólogo Clínico deve fazer é ensinar seu cliente a reeducar sua reação emocional diante daquele pensamento incômodo. Por exemplo: um cliente reclama que anda com pensamentos negros sobre alguém. Não consegue se lembrar daquela pessoa sem que pensamentos maus surjam em sua mente. Reclama que isto é um tormento, pois, em determinadas situações, chega a inventar coisas sobre a pessoa e, por isto, sente-se mal consigo mesmo. Em vez de perder tempo buscando razões psíquicas em traumas profundos, já “esquecidos” porque “reprimidos para o inconsciente”, o que talvez não existam senão no condicionamento do Psicólogo para se voltar sempre para as teorias que estudou na Faculdade, ele deve ensinar seu cliente a serenar suas reações emocionais. Assim como, de modo subliminar, o cliente associou a imagem daquela pessoa a emoções disfóricas de antipatia, deve, agora, aprender a substituir tais emoções por outras, eufóricas. Assim, os pensamentos negativos não mais terão forças para surgir e “aporrinhar” o seu cliente. Skinner chamou a isto de “contra-condicionamento”. Tudo bem. Que seja. O apelido não importa. O que importa é o resultado. O cliente deve fazer uma relação de qualidades que percebe como más naquela pessoa. Então, relaxando seu corpo e de olhos fechados, deve pensar em qualidades opostas às primeiras e associá-las ao seu “desafeto”. Se a pessoa tiver um bom grau de auto-disciplina poderá realizar o contra-condicionamento sozinho. É uma questão de ter desenvolvido sua Vontade Força. Esta é a dificuldade: pôr em ação a Vontade Força. Geralmente as pessoas não a possuem, embora pensem que sim.

"Cara, quando eu crescer vou-te dar uma porrada!"

“Cara, quando eu crescer vou-te dar uma porrada!”

Se você me acompanha desde o primeiro artigo deve, agora, estar-se perguntando: “E as formas-pensamento-emoção que se prenderam ao meu psiquismo? O que fazer com elas, uma vez que não foram geradas por mim?” Ora, não há problema. Uma forma-pensamento-emoção não tem cognição suficiente para discernir que aquele a quem agora atormenta não é aquele que lhe deu vida. Empregando sua Vontade-Força para esvaziar aquela forma-pensamento-emoção de sua energia negativa e substituir esta por emoções positivas, eufóricas, você destrói aquela forma-pensamento-emoção simplesmente mudando sua carga emocional. Você ajuda a todos os outros a ter um “astral” mais limpo. Compreendeu?

Isto é Psicologia? Sim. E da melhor. Eu posso-lhe garantir isto, pois cliniquei por muitos anos agindo segundo minhas idéias aqui plasmadas. E nunca houve falha. Mesmo com clientes que eram fracos, resistentes ao treinamento, preguiçosos psicológicos (o que, diga-se de passagem, a maioria esmagadora dos clientes brasileiros o são de carteirinha).

Vamos continua em nossa próxima aula, pois há muito ainda que falar. Até lá.