Vamos retomar águas mais tranqüilas, vamos?

Vamos retomar águas mais tranqüilas, vamos?

Agora, que já mergulhei no poço de bosta que é a Polititica Nacional Brasileira, vamos voltar para algo mais interessante, menos perigoso e mais útil para meus leitores. Nós tínhamos parado na aula número 5, quando eu os convidei a dar uma “voltinha” pela Teoria da Psicologia Individual, de autoria de Alfred Adler. Como profissional nesta Ciência, fico admirado de que aquele cientista tenha sido tão pouco estudado e valorizado entre nós. Nada encontro nas livrarias que seja um trabalho de vulto com base nesta teoria que, ao contrário do que se pode pensar, está mais atualizada que outras e cabe como uma luva na situação sócio-psicológica que os PETRALHAS (e seus antecessores) nos criaram. E, de Adler, não encontro nenhuma de suas obras traduzidas para nosso idioma, o que não acontece com os autores em Psicanálise, cujas obras enchem prateleiras inteiras, ainda que saibamos, Psicólogos, Psiquiatras e Psicanalistas, que a Psicanálise está voando demais em nuvens que fogem ao aqui-e-agora da vida atual, que requer objetividade e assertividade.

Eis Alfred Adler, um gênio da Pesquisa Psicológica.

Eis Alfred Adler, um gênio da Pesquisa Psicológica.

Não discorrerei sobre a vida do autor. Não é um trabalho escolástico, universitário. Serei mais objetivo. A Teoria da Psicologia Individual de Adler tem uma assertiva que é luminosa. Nela é dito que “a autoconfiança de uma criança, sua coragem Pessoal, é seu maior dom.” Segundo esta premissa, afirma Adler que “crianças corajosas, mais tarde na vida, não esperarão que seus destinos sejam regulados por eventos exteriores, mas sim optam por serem elas mesmas suas diretoras servindo-se de suas próprias forças”.

Vamos prestar atenção nestas palavras: regulados por eventos exterioresLogicamente ele se refere, aqui, ao deixar-se conduzir pelo Social de modo pacífico, sem emprego da Vontade da Pessoa. Ser apenas um objeto consumista, por exemplo. Já, aqui, Adler chama subjetivamente a atenção dos Pais para a tremenda responsabilidade que lhes cabe na EDUCAÇÃO de seus filhos. É como se ele estivesse prevendo a desgraceira que poderia recair em países como o nosso Brasil, onde os polititicas se arrogam o direito de legislar para dentro dos nossos lares, tolhendo-nos da liberdade de sermos pais total, ampla e livremente. Eu, particularmente, sou veementemente (desculpem-me o eco) contra políticos me dizerem como eu devo ou não, educar meus filhos. Eu os gerei e tenho responsabilidade sobre eles, perante Deus, perante minha Consciência e, em última instância, perante a Nação a que pertenço. Educação é um bem inalienável da Família e não pode ser tomada por qualquer grupo político, ainda quando na mais alta côrte legislativa, como fizeram os “nossos” Polititicas que estão danados inventando leis as mais absurdas para tolher os pais e tomarem a si, os incompetentes em seus lares – pelos maus exemplos que dão de sobejo e conhecidos por toda a Nação – este Direito e Dever da Família brasileira.

A fase mais crucial da educação de uma criança é aquela que vai da infância à meninice. Neste período a imagem idealizada do pai se internaliza juntamente com a imagem do Pai Social e do Pai Indivíduo, por imitação e modelagem.

Com certeza esta mãe pensa que "é uma gracinha" o que está fazendo...

“Mãe, eu não quero ser como você. Não me condiciona assim, por favor!”

O homem-pai, assim como a mulher-mãe, tem que agir de conformidade com o que diz a seus filhos. Se lhes diz que não devem fumar ou tomar drogas, mas ele mesmo faz isto diante das crianças, suas palavras são desautorizadas e as crianças perdem o modelo que deviam ter para, por ele, se guiarem no futuro. Se diz aos filhos que mentir é feio e censurável, mas ele mesmo mente diante das crianças, seu modelo é conflituoso e a Identidade da criança se enfraquece porque não tem um figura digna em que se mirar para se moldar. Em vez de tomar a si o encargo da EDUCAÇÃO, que não pertence à ESCOLA, mas à família, os Polititicas deviam era reestruturar tanto o Sistema Instrucional Nacional, como e principalmente os prédios das escolas. Estes, em qualquer parte (com raríssimas exceções) andam caindo aos pedaços, enquanto os Polititicas se empenham gulosamente em aumentar seus próprios proventos e, não satisfeitos, meter a mão nas verbas destinadas à “Instrução” (como eu já disse, Educação é função exclusiva da Família, não do Estado). Eles cometem um crime inominável contra a liberdade do indivíduo e, pior, da família. Por extensão, atingem em cheio a formação de base da Identidade Individual e da Pessoa Social que está-se formando nas crianças dos lares brasileiros.

Creio mesmo que a intromissão do Estado na intimidade da Família tem como efeito um mau relaxamento dos pais para com o dever e a obrigação de Educar suas proles. Daí que relaxam com ser exemplos coerentes para os rebentos e se comportam de modo livre, irresponsável, sem se vigiarem por amor aos filhos. Família é uma carga pesada para os jovens que à estruturação de uma se atiram sem que tenham sido adredemente preparados para tanto. Levam consigo somente os exemplos que tiveram e introjetaram de seus pais, de seu lar. Exemplos que, atualmente, estão sem firmeza nem um Norte por onde se orientarem com segurança.

Aqui está exemplo de "crianças" que foram "corajosas" em suas educações. São,agora, mal-educados perigosos e inúteis para a Sociedade.

Aqui está exemplo de “crianças” que foram “corajosas” em suas educações. São,agora, jovens mal-educados, perigosos e inúteis para a Sociedade.

Crianças corajosas é um conceito que não deve ser compreendido como crianças “valentes”, capazes de descer a porrada em seus desafetos, como fazem os ‘mocinhos’ falsos heróis de filmes alienantes. Criança corajosa é aquela que introjeta um modelo parental sério, firme, coerente, destemido diante dos Dilemas da Vida, que ensina aos filhos como pensar com clareza e como decidir com firmeza; são crianças cujos  pais dão constantemente, hora a hora, no viver em família, exemplo de coerência e firmeza de atitude, mesmo diante de situações delicadas. 

Um pai corajoso não é que bate em seu oponente. Não exemplifica pela violência.

Um pai corajoso não é o que bate em seu oponente. Ele não exemplifica pela violência.

Um pai corajoso não é um pai brigão. Um pai corajoso é aquele que busca, sempre, agir de modo pacífico e harmonioso, que se recusa à violência e ao mau exemplo em situações de conflitos naturais no viver em sociedade. É a pessoa ponderada, que age apenas depois de pesar muito bem sua decisão e, sempre que necessário, explica-a com clareza aos filhos, para que seu comportamento sirva de âncora firme onde eles ancorarem o navio de suas vidinhas. Um pai corajoso sempre fala carinhosamente e sempre explica as situações conflituosas com palavras de razão, muito mais que com palavras destrutivas e que traduzem um desejo de violência. Este exemplo de ponderatividade e bom-senso, sim, torna uma criança em criança corajosa. Sua auto-estima é forte, é firme. Ela desenvolve um Caráter pacífico, mas determinado e firme e isto é crucial para o futuro adulto que vai viver em um mundo cruel, cheio de mentiras, de falsidades, de corrupção de valores, desde os mais mínimos, até os maiores e mais importantes para o País.

Toda noite havia roda de capoeira na fazenda Gameleira, o que irritava os demais fazendeiros que a proibiam terminantemente.

A Arte da Capoeira, se o Mestre não for uma pessoa equilibrada, pode formar verdadeiros assassinos.

Eu fui um pai que viveu muito a Arte Marcial. Assim, quando tive filhos, não hesitei em os levar para os dojôs. Mas antes, eu mesmo me matriculava na academia e participava das aulas como simples iniciante. Não informava que eu já possuía profundo treino em artes marciais. Isto tinha um objetivo: avaliar o instrutor, pois há muitos que não ensinam a verdadeira Arte de Competição (não Arte Marcial, pois esta é de guerra e, como tal, é para matar), mas sim a Arte da Violência. Estes, são maus indivíduos e devem ser evitados por todo aquele que deseja ser um bom pai e quer que seus filhos estejam preparados não apenas psicologicamente, mas também fisicamente para se defender em situações de grande perigo. Afinal, não será pela vida toda que nossos filhos nos terão ao lado deles para os defender. E eu pude comprovar em mim mesmo que, para os pais, os filhos são sempre crianças…

Crianças assim, tiveram ou têm modelos parentais errados em seus lares.

Crianças assim, tiveram ou têm modelos parentais errados em seus lares.

Crianças mal-educadas terminam sendo adultos que se deixam ser guiados e condicionados pelo Mercado e isto é péssimo para suas vidas. Tornam-se desorientadas, desorganizadas, desperdiçadoras e terminam mergulhadas em vidrinhos de remédios para acalmar um corpo emocional em constante desestruturação.

Vocês, pais ou filhos, têm muito em que pensar a partir do que foi dito acima. Mas vamos adiante.

Na Psicologia Individual de Adler, a organização da Pessoa inteira influencia todas as suas funções parciais. O autor defende a tese de que inconsciente e consciente não estão separados entre si, de modo tão radical como é compreendido na Psicanálise. Embora Adler não falasse da Estrutura da Individualidade, ele bem que diz coisas que se voltam para tal. Sim, consciente e “inconsciente” estão em íntima interação e se complementam ou se antagonizam, dependendo tão-só do Ambiente Dilemático que a Pessoa vivencie. Só que, para a Psicologia da Antropiatria Sincrônica Ressonante, o “inconsciente” consubstancia-se na Individualidade do indivíduo e esta Individualidade não é “inconsciente totalmente”, mas possui gradações de inconsciência em função do amadurecimento, da aprendizagem, da modelagem, do condicionamento social e das vivências do Indivíduo. Em outras palavras, a Mente ou o Psiquismo Individual vai armazenando em um arquivo cada vez mais profundo, as experiências passadas que, agora, já não mais têm tanta importância para orientar as tomadas de decisão nos dilemas que a Pessoa deve enfrentar, mercê mesmo das mudanças sociais em seus campos religioso, político, mercadológico, legal, conceitualístico etc… No entanto, ele pode recorrer àquelas experiências aprendidas e armazenadas, quando encontrar alguma semelhança entre os estímulos que estão na Situação Dilemática Social e as respostas condicionadas e armazenadas. E geralmente acontece que aquelas memórias emocionalmente energizadas, podem não ser adequadas à situação atual. Aí, a pessoa mete os pés pelas mãos, embora tivesse “a melhor das intenções”.  Quando você, leitor, está em um dilema, não é somente sua Pessoalidade que está enfrentando o dilema, mas também entra em ação sua Individualidade que escolhe, no arquivo psíquico, o que de melhor se case com os desejos e as emoções da sua Pessoalidade. O diabo é que nem uma nem outra está totalmente inserida na sinergia dilemática social-emocional. Por isto é que as tomadas de decisão são tão imponderadas e delicadas.

"Cara, esse negócio complicado aí... Sou eu mesmo?"

“Cara, esse negócio complicado aí… Sou eu mesmo?”

Prosseguindo em nosso “passeio” pela Teoria da Psicologia Individual de Alfred Adler, nela encontramos outra idéia sua de grande importância para nossa atualidade. Ele discorda de Freud, que via o homem como determinado organicamente. Adler compreende o ser humano como um ser ativo e originador de ações, emissor de comportamentos volitivos, experimentais, singulares e não automáticos e sempre dirigidos por impulsos inconscientes. Defende a tese de que os objetivos desejados como metas a serem alcançadas pela Pessoa são buscados e incentivados pelo material contido no estímulo que se lhe apresenta na forma de um Dilema. Assim, em um Dilema de vida, são as estruturas dilemáticas que compõem este desafio que incentivam a Pessoa a emitir comportamentos experimentais ou dirigidos volitivamente para o objetivo específico daquele dilema. Não há, aí, o inconsciente dominando tudo. Ele entra como uma biblioteca de consulta, mas a Vontade da Pessoa atua de modo a usar os dados daquela biblioteca modificando-os para os adequar ao aqui e agora, segundo os desejos mais fortemente dominantes naquela situação. Adler também vê o ser humano como aquele que não é determinado inteiramente nem pela hereditariedade nem pelo meio. A partir do momento em que passa a existir, o ser humano desenvolve processos organizados psiquicamente para alcançar seus objetivos de vida e, diz a Psicologia Sincrônica Ressonante, este fenômeno psíquico é intenso e instável, pois varia constantemente na medida em que o Dilema também se desdobra. Neste sentido, concordamos em sua afirmação de que toda pessoa é criativa. E se assim não fosse, não teria condições de viver em um mundo social altamente mutável, que requer adaptações cada vez mais rapidamente. Concordamos em que toda pessoa define um plano de vida com o qual tenta encontrar as saídas para seus dilemas de vida. Só que a tendência entrópica não acontece apenas nos corpos inanimados, mas também no ser humano. Assim, a tendência à acomodação ao Plano de Vida é natural em todos nós e isto pode-se tornar, e quase sempre se torna, em um Dilema de grandes proporções para os indivíduos rígidos ou medrosos. Estes, geralmente se desequilibram e perdem o Norte de suas vidas.

É muito valiosa a tese defendida por Adler de que a hereditariedade e o meio não determinam inteiramente o ser humano. Não se pode reduzir a entidade humana à fórmula comportamental S-O-R, ou seja: estímulo-organismo-resposta. Há, mediando todo este sistema, uma coisa extremamente importante para todos nós: A COGNIÇÃO. Mas a este tema retorno posteriormente. Por enquanto, vamos continuar – no nosso próximo encontro – nosso passeio pela Teoria da Psicologia Individual de Adler que, pensou eu, deve ter despertado sua  atenção e seu interesse.

Até lá, então.