E vamos aprender mais. Isto é, os que se interessam em Conhecer.

E vamos aprender mais. Isto é, os que se interessam em Conhecer.

Estamos “passeando” pela Psicologia Individual Orientada para o Objetivo, criada por Alfred Adler. Aprendemos alguma coisa sobre a difícil arte de Educar e também aprendemos que Educar é função exclusiva da Família e, não, do Estado. Este, regula o comportamento sócio-político do cidadão e lhe provê os meios de se Instruir, mas quem Educa e Forma a Pessoa no ser humano em crescimento é sua Família. Isto não está na Teoria de Adler, mas consta do pensar da P.A.S.R.

O que mais se destaca na Teoria da Psicologia Individual é que ela enfoca o desempenho humano como sempre orientado para alcançar objetivos. No processo terapêutico de Adler, o terapeuta não pergunta “como esta Pessoa chegou a essa opção?” mas sim “O que esta Pessoa tenta alcançar? O que busca como seu objetivo?”. Ou seja: Adler não se volta para o passado, mas sim para o futuro, ainda que tome o histórico dilemático passado da Pessoa como base para encontrar as fundamentações que expliquem a necessidade daquele(s) objetivo(s). Portanto, não é o que a pessoa viveu nem como viveu que é enfatizado por ele e, sim, o que a pessoa visa alcançar.

Nós somos jogadores na vida. Estamos sempre tentando alcançar nossos "goals" e para isto temos de safar-nos dos Dilemas.

Nós somos jogadores na vida. Estamos sempre tentando alcançar nossos “goals” e para isto temos de safar-nos dos Dilemas.

O passado, em Adler como na P.A.S.R., não determina inexoravelmente o presente de uma Pessoa. O viver social é dinâmico, é mutável e é evolutivo. Ninguém pode ter uma existência psicológica fixada em fatos ou traumas pregressos. Estes, são somente tropeços e, como tal, a Pessoa luta para se reequilibrar e seguir em frente, em busca da consecução de seus objetivos; em busca de seus “goals”, caso contrário aliena-se do viver socializado. Tudo é função do sistema de Aprendizagem desenvolvido pela Pessoa. Se ela aprende a ser derrotista, medrosa, incompetente consigo mesma e dependente de terceiros, de suas opiniões e de seus conceitos sobre ela, desenvolve o mau hábito de viver pela imagem que terceiros criam a seu respeito. E se tornando medrosa, como todo animal, tende a buscar refúgio em sua família (independente de que esta seja concreta, objetiva, pois todos nós levamos conosco a imagem idealizada de nosso meio familiar, onde, bem ou mal, tínhamos segurança). A Pessoa busca refúgio e proteção psicológica em seu grupo de origem até porque este comportamento é filogenético em todo animal. Daí que a P.A.S.R. diz que tais Pessoas vivem andando de costas, olhando para trás, abdicando de seu direito de buscar libertar-se do Medo de Viver.

Em seu livro “Ciência do Viver”, Adler diz que “em uma ciência diretamente relacionada com a vida, a teoria e a prática tornam-se quase inseparáveis. A ciência da vida se torna a ciência do Viver”.

O Mercado nos robotiza, mas não chega a tanto.

O Mercado nos robotiza, mas não chega a tanto.

Concordo com ele. Na Ciência do Viver as teorias mecanicistas, que explicam o Ser Humano como algo automático, mecânico, passível de ser “desmontado” peça a peça, não tem cabimento senão de modo muito relativo, muito “estreito”, muito limitado. As crenças fantasiosas; as expectativas irreais; os medos infundados, estes sim, podem ser “desmontados” no sentido de desmitificados. Para a P.A.S.R. ninguém é. Todo mundo em determinado momento de sua vida está. A vida é dinâmica, evolutiva e progressiva e uma Pessoa não pode estancar no meio do caminho, a não ser que morra. E não pode porque, como bem o diz Adler, todos nos colocamos objetivos para alcançar. É uma tendência inata no Ser Humano – evoluir, buscar objetivos cada vez melhores, mais prazerosos, mais sexuais.

Muitos dilemas podem parecer Ronda Housey, mas quando enfrentados não passam de fantasmas.

Muitos dilemas podem parecer Ronda Housey, mas quando enfrentados não passam de fantasmas.

A “fixação” num determinado acontecimento na vida de alguém, não impede este alguém de continuar vivendo. Mesmo que sua psique permaneça buscando encontrar uma saída harmoniosa e satisfatória para o Dilema que lhe causou o bloqueio num dado momento por lhe parecer uma demolidora Ronda Housey, o não encontrar a saída procurada não é impedimento para que a Pessoa siga vivendo sua existência. Só que, não tendo ainda encontrado uma saída lógica e satisfatória para o Dilema em que se viu aprisionada, a psique segue buscando safar-se da situação e, com isto, a mantém constantemente sob seu foco de atenção, procurando insistentemente, em componentes dilemáticos posteriores e atuais, um modo de se safar daquela “prisão” pretérita. Para que você entenda o que se quer dizer, é como quando você, que é aficcionado de palavras cruzadas, está às voltas com uma proposição para a qual não encontrou o termo adequado. Você entra na condução pensando naquele problema. Você entra no banco pensando naquele problema. Durante o dia, sempre que há um relaxamento nas exigências dilemáticas daquele dia, sua psique se volta para o problema proposto pelo jogo das palavras cruzadas, renitentemente buscando fechar a gestalt aberta por ele. Você passa o dia entrando e saindo de ambientes diferentes, onde sempre encontra Dilemas com estruturas  ou componentes diferentes, mas seu psiquismo, sempre que surge uma mínima possibilidade, mantém o pensamento e o raciocínio presos àquele problema. Um problema que, para quem não se interessa por palavras cruzadas, não tem qualquer importância. E chamo a esta situação de jogo de problema porque é uma proposição que tem solução definitiva. Encontrada a palavra buscada, pronto, cessa a tensão psicológica que ele criou na Pessoa.

"Será que...? Não, não pode ser... Ou será que pode?"

“Será que…? Não, não pode ser… Ou será que pode?”

É interessante notar que muitos psicoterapeutas se prendem a divagações “científicas”, quando encontra em um seu paciente situação semelhante ao do exemplo dado acima. A Pessoa está com sua psique fixada em determinada situação incidental de sua vida e, por isto, atrapalha-se toda e comete erros até perigosos no comportamento manifesto. Tensiona-se em função daquela fixação momentânea e entra em descompensação comportamental e emocional devido ao excesso de emoção que investe no Dilema Situacional para o qual ainda não encontrou uma saída adequada. Seus “erros” tomam proporções angustiantes em função da retroalimentação emocional em que mergulha. E eis que o psicoterapeuta vai de lança em riste à cata da “figura parental traumática internalizada” sobre a qual, adredemente, joga a responsabilidade pelo descontrole psicoemocional de seu (ou de sua) cliente. Ele age de conformidade com a pergunta: “Como meu cliente chegou a esta situação?” No entanto, seria mais assertivo se partisse da pergunta: “O que meu cliente quer alcançar com estes esforços baldos?” 

Um dos conceitos mais populares do pensar de Adler é o de Complexo de Inferioridade. Todo mundo fala disto como se fosse algo concreto, objetivo, que realmente assenhoreia-se do psiquismo de alguém “e o esculhamba todo”. No entanto, Adler disse: “O complexo de inferioridade jamais esteve no consciente ou no inconsciente de alguém, mas somente em minha própria consciência, e eu me servi desta idéia como fonte de iluminação para que o paciente pudesse ver sua atitude sob um enfoque coerente (…). O complexo de inferioridade é somente uma idéia dada por mim ao meu paciente. Ele se comporta ‘como se’ tivesse realmente um ‘complexo de inferioridade’. Após lhe dizer isto, meu paciente passa a ter um novo conceito com que trabalhar”.

"Bah, meu! E eu pensava que realmente não tinha esse negócio!"

“Bah, meu! E eu pensava que realmente não tinha esse negócio!”

Adler certamente nunca imaginou que sua idéia “luminosa” fosse se tornar algo “concreto” no ajuizar posterior das pessoas. É que, posteriormente, percebeu-se que, diante de certas Situações Dilemáticas, determinadas Pessoas “se encolhem”, se retraem, tomam-se de medo ou, pior, se inferiorizam porque se acreditam incapazes de enfrentar a situação, ou porque a situação contém elementos referentes a comportamentos seus em outras Situações Dilemáticas que, agora, se confessos, pode-lhe acarretar censuras ou punições que lhe parecem insuportáveis. Daí que aquilo que Adler criou como apenas um instrumento oferecido ao cliente como um conceito para se trabalhar, substantivou-se e se objetivou no comportamento psicoemocional e manifesto de determinadas Pessoas.

Adler diz que a Pessoa não pode ser encarada apenas como um sistema funcional, mas sim como um sistema que é parte de outros sistemas mais amplos, mais abrangentes. Isto salta aos olhos de qualquer leigo, não é? Somos um sistema orgânico, somos um sistema psicológico e somos um sistema emocional. Mas este conjunto funcional de sistemas que somos integra-se a outros sistemas mais amplos, como o Sistema Empresarial onde se trabalha; o Sistema de Transporte por onde nos movimentamos; o Sistema Instrucional, onde aprendemos os fundamentos do saber, da cidadania e da civilidade; Sistema de Saúde Pública etc… Então, somos um Sistema Humano que está inserido em uma cadeia de Sistemas Externos, onde o primeiro não tem como escapar aos Dilemas que estes outros lhe colocam.

Ele anseia por sair por aí, Colt 45 em punho, mandando bala em quem estiver por perto e não se vestir de vermelho.

Ele anseia por sair por aí, Colt 45 em punho, mandando bala em quem estiver por perto e não se vestir de vermelho (CUT=Conjunto Unilateral de Tresloucados).

A P.A.S.R. afirma que o Sistema Pessoa é singular, único. Já os sistemas Sociais são plurais, múltiplos. Esta condição inalienável de tais classes de sistemas, o Pessoal e os Sociais, fatalmente se conflitam na interação Pessoa-Ambiente. E isto porque a Pessoa não tem condições de se adequar a todas as características específicas dos Sistemas Sociais. Por exemplo: uma Pessoa avessa às armas e à violência não pode integrar-se a alguma das nossas Forças Armadas. A filosofia de conduta destes Sistemas Militares são voltadas para e centradas em matar. Pensa-se sempre nisto e se é treinado para isto.  Do mesmo modo, esta pessoa, se é brasileira e vive no nosso agitado e propositadamente confuso ambiente político, de modo algum se adaptaria ao pensamento do Presidente da CUT que, num arroubo assassino íntimo, deixou escapar que anseia por pegar em armas e sair matando por aí. É o pensamento do Proletariado das décadas de mil novecentos e carne de porco, cuja filosofia é acarinhada ao peito pelos Petistas camponeses e operários de Norte a Sul do nosso país. Mas vai ser difícil levar nossa gente a sair feito fanáticos do I.R. matando irmãos apenas porque divergem em pensamentos políticos. Até porque todos nós já vimos que os pesadelos dos Comunistas do passado não servem para uma Nação que tem de tudo, até deles, entre nós.  

Adler inseriu em sua Teoria a idéia de que as pessoas batalham por um Objetivo de Superação. A luta por este objetivo, diz ele, pode ser encontrada em todos as metas de vida de alguém. Agora, leitor, eu o convido a parar um pouco e pensar na situação em que todos vivemos. Quem não está buscando superar uma determinada condição social? Com maior ou menor intensidade, todos buscamos conseguir superar uma condição com a qual não nos adaptamos ou que nos está tornando a vida desconfortável. Então, Adler não disse nenhuma futilidade. Sua definição da orientação da vida de todas as Pessoas vige até hoje e vigerá por muitos e muitos anos. Mas o que todo Indivíduo busca é alcançar a Perfeição. E a Individualidade de uma Pessoa é que a impulsiona para procurar este Objetivo de Superação Total como uma força absoluta em sua vida. Esta é a compreensão da P.A.S.R.

E vamos ficar por aqui, neste nosso encontro. Até o próximo.