Refletindo sobre a Política e a juventude dos panelaços, eu me pergunto: por que?

Refletindo sobre a Política e a juventude dos panelaços, eu me pergunto: por que?

Rapidinho. Assisto no Bom-Dia Brasil que os brasileiros estão cometendo crime ao esconder as placas de carros, caminhões e motos, ora simplesmente ocultando-as com sacolas plásticas, ora quebrando-as ou lhes alterando os números. Isto, segundo o comentarista Alexandre Garcia, a quem muito admiro e de quem sou fã, é crime de corrupção. Está certo. Concordo. Mas vamos um pouquinho mais além?

Por que temos esta “compulsão” a tentar fugir à punição servindo-nos de malfadados jeitinhos brasileiros para burlar a Lei?

Será que já nascemos mau caráter? Será que somos os únicos filhos do Criador que não prestam desde mesmo o nascimento?

Não, eu não creio nisto. Creio exatamente no contrário. O Mal não é nosso, mas daqueles que elegemos destrambelhadamente para nos representar. Vejam vocês: fui a uma reunião da Executiva de certo partido e fiquei como uma sombra, apenas ouvindo e olhando. E o que vi e ouvi me descoroçoou.

a) Os candidatos a pré-candidatos não sabem nem mesmo falar. A maioria não concluiu o primário (ou seja lá como se designe o início da aprendizagem escolar, atualmente). 

b) Um candidato, bem vestido, levou seu pastor para apresentá-lo ao grupo, porque ele mesmo não tinha capacidade de fazer isto por si.

c) Não havia mulheres se candidatando a cargo eletivo.

Os mal-formados de ontem, eleitos pelos mal-informados atuais. O erro vem de nossos antepassados.

Os mal-formados de ontem, eleitos pelos mal-informados atuais. O erro vem de nossos antepassados.

Sendo um partido de nome, considerado grande entre a ganga que sobeja entre nós, fiquei imaginando em como nosso povo está errado em relação à Política. Os bons abrem enorme espaço para que imbecilizados culturais e instrucionais, com vícios tradicionais machistas (um deles dizia que “muié não conta”) se aventure no exercício delicadíssimo de um instrumento de direcionamento e determinação de nossas vidas em sociedade. Por que os bons vão para as ruas gritar contra os ignorantes de ontem, que, mal-informados por espertos de ante-ontem, nos impõem uma desgraceira danada na atualidade, se eles mesmos dão as costas ao delicadíssimo exercício do Poder Corretamente empregado para o bem-estar de todos nós?

Eu quero que as coisas corram bem, que os outros ajam bem, mas não quero nem pensar em assumir o risco de me expor… É este o pensamento dos bons? Se é, que lástima!

Minha filha me fez uma observação que me pegou em cheio. Ela disse: “Pai, para tudo há Faculdade: Medicina, Odontologia, Engenharia, Psicologia etc… Mas não há nenhuma escola, desde mesmo o primeiro grau, que ensine o cidadão a ser político. Não é necessário que ele se candidate a qualquer cargo eletivo. Basta que seja bem informado sobre o que é Política e de como fazer para se seguir uma carreira política. Quem quer se arriscar nisto, tem de ir às apalpadelas, pois ninguém indica o caminho das pedras”. 

Sim, ela está certa. E fiquei pensando que a continuar como estamos, nunca haverá real interesse de se ensinar nas escolas públicas ou privadas o que é a Política, o que são e para que servem os Partidos Políticos e o “caminho das pedras” para alguém se fazer eleger político.

Pressionados pelo povo revoltado, Vereadores de Santo Antônio da Plantina reduzem os próprios salários.

Pressionados pelo povo revoltado, Vereadores de Santo Antônio da Plantina reduzem os próprios salários.

Vejo a todo momento denúncia de Vereadores e Prefeitos que prosseguem cometendo os erros mais mesquinhos, as traições mais execráveis aos eleitores, como se não temessem a tempestade que varre as grandes Casas Legislativas e que se chama Lava-a-Jato. É doença endêmica de determinada região? Não, pois os Prefeitos e Vereadores de cidadezinhas insignificantes tanto quanto Prefeitos e Vereadores de capitais de renome, se deixam corromper e corrompem a tudo e a todos que lhes caiam sob as garras. A meta é sempre o Lucro Criminoso. Ainda que tais”otoridades” venham de nobre estirpe no que tange à conta bancária, como os filhotes de fazendeiros, ainda assim eles não fogem à regra. São instruídos; alguns têm estudo em nível superior e muitos são Advogados. Mas são corrompidos e corruptores. Por que?

Sim, vamos às ruas gritar contra a corrupção que corrói nossas Instituições e nossas vidas. Mas isto por si só não resolve nada.

Sim, vamos às ruas gritar contra a corrupção que corrói nossas Instituições e nossas vidas. Mas isto por si só não resolve nada.

Ouço dizer que é porque “todo brasileiro é corrupto de nascença”, mas isto é bobagem. Haja vista a enorme massa popular com instrução mediana e superior, que ultimamente tem ido às ruas em todas as cidades do Brasil gritar contra a patifaria grossa que a Imprensa mostra escancaradamente (e nisto a Dilma tem minha admiração. Ela vem sendo malhada à exaustão, mas não silenciou nem fez qualquer movimento no sentido de calar a Imprensa Livre). Eu creio que o brasileiro está esgotado, cansado, exaurido de tantas Leis imorais, que a título de educar o cidadão em sua deseducação cívica, só encontra um meio para isto: assaltar seu bolso e tirar de suas famílias migalhas de bem-estar que podiam ser adquiridas com o dinheiro que as Leis lhes tomam sem dó nem piedade. 

Isto é porque somos corruptos de nascença, ou porque há uma raiva latente em todos nós contra a espoliação política que sofremos em nossos bolsos?

Isto é porque somos corruptos de nascença, ou porque há uma raiva latente em todos nós contra a espoliação política que sofremos em nossos bolsos?

Há a crença de que o brasileiro só obedece se lhe dói no bolso. Será verdade? Eu não creio nisto. Qualquer pessoa só aceita obedecer se e quando o exemplo vem de cima. É assim na família, logo, é assim na Pátria. E qual é o exemplo que os Políticos nos dão? Nem preciso citar, pois eles sobejam em qualquer banca de jornal, em qualquer noticiário televisivo ou auditivo. O que se tem de fazer é mudar drasticamente o status quo que vige vergonhosamente entre nós. Temos de mudar a nossa Constituição que dá direito de voto a analfabeto e lhes assegura até mesmo assumir cargos de suma responsabilidade, como o de Deputado Federal ou Senador, desde que saiba ao menos, assinar o nome, gaguejar uma leitura de duas linhas e garatujar algumas palavras (v.g. Tiririca, um palhaço porque não teve oportunidade de estudar).

Ele nasceu em berço de ouro; formou-se em Medicina; exerce sua profissão proficientemente e é BOM POLÍTICO.

Ele nasceu em berço de ouro; formou-se em Medicina; exerce sua profissão proficientemente e é BOM POLÍTICO.

Ora, todos dizemos, desde mesmo quando o Brasil foi descoberto, que “quem não lê, não ouve, não fala e não vê”. Então, por que a Constituição brasileira abre uma brecha enorme para que iletrados, cegos e surdos assumam o comando de nossos destinos? Claro que há, entre a plêiade de Deputados e Senadores, uma esmagadora maioria de pessoas que realmente têm o curso superior completo, com uma profissão digna, que a praticaram e ainda praticam com honra e conhecimento, como é o caso do Senador Ronaldo Caiado que é médico, exerce sua profissão com excelência e é bom político. Mas a existência de uma laranja podre dentro de um cesto envenena e estraga todo o lote, já diz com sabedoria o dito popular. E se há Caiados que dignificam o exercício da Política, há os imbecilizados que, em fazendo sucesso em profissão popular, dirigida à população iletrada tanto quanto ele, são gulosamente engolfados pelos Polititicas apenas porque “podem trazer votos” que vão ser utilizados para eleger os ladrões que desejam que sejam guindados a “Colarinhos Brancos”.

Esta metodologia sem-vergonha e sem caráter tem de ser combatida. Não com panelaços, que isto não fará efeito, mas com gente boa, jovens corajosos, com excelente instrução se candidatando aos cargos eletivos e retirando do páreo aqueles que não podem enxergar, psicológica e racionalmente, além de seus bolsos vazios e famintos.

Sei perfeitamente que minha audiência, para este post, será mínima, como sempre o é quando abordo este assunto “indigesto e desinteressante”. Geralmente cai para menos de cem visualizações no dia. Não importa. Ainda que fossem apenas dez, teria valido a pena, pois alguém, algures, parará para pensar no que digo e poderá, dentre eles, surgir algum que decida dar-me o braço e engrossar a falange dos que pensam acertadamente sobre como nos salvarmos desta desgraceira lamentável que vimos alimentando século após século, desde quando Pedro Álvares Cabral fez a asneira de “descobrir para a Europa” o que Deus vinha mantendo escondido da cobiça dos homens – o país das palmeiras, Pindorama.

Eu me arrependo amargamente de jamais ter aceitado enveredar pelo caminho espinhoso da Política. Quando jovem, concursado, trabalhei no Palácio das Laranjeiras, assessorando um grande político, Negrão de Lima, no Rio de Janeiro. Ele me admirava pela tenacidade no trabalho, pela honestidade e pelo destemor até suicida, pois tive a ousadia de desmascarar a roubalheira que muitos deputados estaduais levavam a efeito naquela casa. E fiz até que quatro deles, bufando mais que dragão furioso, devolvessem os móveis adquiridos em nome do Palácio e, em vez de serem entregues no endereço deste, fossem descaradamente entregues em seus luxuosos apartamentos ou, até mesmo, em suas casas de praia. Tocou barata voa quando eu espremi os ladrões e ameacei levar a Imprensa até suas casas para fotografar os móveis, cujas notas-ficais copiadas eu lhes teria entregue como prova da roubalheira. Os móveis foram devolvidos e eu, depois de ouvir uma grande peroração de Negrão de Lima sobre a necessidade de “ser discreto” com certos assuntos delicados, fui transferido para a Secretaria Sem Pasta, onde permaneci por dois anos. Durante este tempo, diversas vezes fui sondado pelo Governador sobre eu entrar na política. Ele me asseverava que podia fazer de mim um Deputado Estadual e me afirmava que me ensinaria a ser um bom Político. Mas eu estava por demais revoltado com tudo o que via e lhe respondi que se eu fosse eleito iria estragar sua imagem, pois mataria com prazer os ladrões que flanavam no Poder carioca.

Burrice. Falta de informação. Má educação familiar, pois meu pai era um revoltado político que só falava mal de políticos. Para ele, só Getúlio Vargas prestara. O resto, era apenas isto – resto. E aquele conceito errado vigeu em mim até há 14 anos atrás, quando me entusiasmei com a eleição de Lula em contraposição a dois patifaços (no meu conceito) – Fernando Collor de Melo e Fernando Henrique Cardoso (ambos me prejudicaram muito em meus direitos de cidadão e eu nunca os perdoei por isto). Mas não é com derramamento de sangue que consertamos a Política criminosa. É com ação legal; é enfrentando os bandidos através de movimentos ordenados do ponto de vista da Lei e da Justiça. É lhes tirando os meios de se assenhorearem de nossas vidas. Se bala solucionasse problema de qualquer natureza, não haveria senão metade da população mundial viva, atualmente. Violência só atrai violência e nada mais. O Cristo estava com toda a razão… Não fosse ele exatamente quem é: o Cristo.

Finalizando, pois já estou longo demais em um assunto que, atualmente, revira as tripas dos que se julgam “bons cidadãos”, gostaria de que este post fosse lido e comentado pelos poucos corajosos de o lerem até aqui.

Um abraço.