A Arqueologia desmitifica o Ramsés cinematográfico. O original era negro.

A Arqueologia desmitifica o Ramsés cinematográfico. O original era negro. Mas… E Moisés? Era branco?

Às vezes é nostálgico e triste ver mitos milenares serem postos por terra pela Ciência atual. Mas ao mesmo tempo, tira de sobre os ombros de milhões e milhões de cristãos não cegos pelo dogmatismo, o pesado fardo de um Medo desarrazoado a um Deus absolutamente antropomórfico. É o caso, atualmente, do intrigante mistério das dez pragas do Egito. A figura mística de Moisés, o misterioso homem de quem, até hoje, se questiona sua origem “racial”, uma parcela – os “crentes” – tendo-o como hebreu e outra – os céticos investigadores -, como filho legítimo de Ramsés II, desmorona parcialmente diante do ceticismo científico.

Quando criança ouvi pela primeira vez o mito das dez pragas enviadas por Deus sobre o Egito porque o teimoso Ramsés II de modo algum queria abrir mão de seus escravos hebreus. Desgraçadamente, para ele, este povo seria o povo escolhido do Deus hebreu e este ficou furioso com a suposta condição de humilhante e desalmada escravatura de sua gente. Ramsés era (e ainda é) descrito biblicamente como um tirano rancoroso e vingativo, que perdeu a guerra contra o Deus dos Exércitos hebreus.

Custei uma vida inteira para fazer as pazes com o catolicismo. Ainda continuo não católico, mas já não mais voto asco a esta religião.

Custei uma vida inteira para fazer as pazes com o catolicismo. Ainda continuo não católico, mas já não mais voto asco a esta religião.

Eu devia ter meus sete ou nove anos, não sei precisar bem a idade, pois até onde posso-me lembrar, desde bebê estive metido em igrejas católicas apostólicas romanas. Meus pais, com mais intensidade a minha mãe, eram fervorosos católicos e, logicamente, o primogênito deles tinha que seguir a mesma senda religiosa. Coitadinhos. Eu fui um rebelde de marca, para alegria de meu pai e tristeza de minha mãe.

Acontece que no meu tempo (lá pelas décadas de 40/50), no Nordeste, os padres adotavam a palmatória como um meio infalível de “converter” os meninos rebeldes (meninas não contavam. À luz do dia elas eram a porta do inferno. Mas à noite…). Bom, bastou a primeira dúzia de “bolos” de palmatória para eu votar um ódio visceral aos padres e, por extensão, àquela figura esquálida dependurada na cruz. Eu detestava visceralmente qualquer ritual da Igreja Católica Apostólica Romana. Mesmo assim, alguns mitos bíblicos, como Moisés, David e Sansão, me fascinavam. O diabo é que entre mim e eles havia aquele deusinho danado de antipático. Um deus para quem tudo o que eu fazia (e gostava de fazer) era pecado mortal. Desejar meninas? Pecado Mortal com a penitência de um rosário (três terços, para quem não sabe o que é isto) ajoelhado sob um sol causticante. Masturbação? Dois rosários ao meio-dia ajoelhado sobre caroços de milho e mais uma dúzia de “bolos” de palmatória. Um terror! Nem por isto eu desistia de nada daquilo. Sempre fui taradão por mulher. E quando provei o fruto proibida de minha prima, aí é que a o bicho ficou assanhado pra danar. Não teria palmatória no mundo nem rosário de qualquer parte que me fizesse desistir daquele fruto esconjurado pela Santa Madre Igreja.

As religiões e eu sempre estivemos em lados opostos, mas nunca me livrei delas totalmente.

As religiões e eu sempre estivemos em lados opostos, mas nunca me livrei delas totalmente.

O tempo passou e eu com ele, sempre aos tapas com Jesus Cristo. Quem tinha sido ele? Por que cargas d’água era tão adorado, se era feio como o diabo dependurado naquela cruz? Por que ele se dizia filho daquele deus fedorento, encrenqueiro, diabólico? Um deus que colocara entre as pernas das mulheres a coisa mais gostosa do mundo e danava com o homem que “comesse” aquilo. Não dava para entender. O que o tal deus fizera com o Egito, com meu querido Ramsés (eu sempre foi fissurado na História do Egito) era imperdoável e incompreensível para mim. Este negócio de ser o pai de todos nós, mas dar preferência descarada a um grupo de  gente sacana, elitista e racista como os hebreus não se coadunava com a Bondade, o Perdão, a Compreensão e, acima de tudo, a Caridade. Jeovah era um Deus vingativo e eu não aceitava tal coisa. Ele se equiparava ao Zeus dos Gregos. Então, por que mudar seu nome? Só porque os hebreus queriam um deus só deles?

Eu sempre repudiei esta imagem, desde minha mais tenra idade.

Eu sempre repudiei esta imagem, desde minha mais tenra idade. Não estava em mim adorar cadáver; venerar um derrotado. Meu Deus tinha de ser sempre bonito e vencedor. 

Sempre andei interessado em desvendar certas passagens bíblicas, mas infelizmente não me formei nem em Antropologia, nem em Arqueologia, nem em História e fugi às carreiras quando quiseram fazer de mim um padre. E como só falo o português, não tive condições de consultar as obras de pesquisadores muito sérios falantes daquele idioma. Aí veio a internet e a coisa mudou de rumo. E veio a informação de massa com a rapidez das microondas. E se traduziram milhões de livros científicos tanto para o português quanto para o espanhol e o francês, idiomas em que leio com razoável aproveitamento. E foi em 1992 que pela primeira vez encontrei referências a pesquisas científicas levadas a efeito para encontrar um explicação mais humana e menos espetaculares para as”pragas do Egito”. Agora, leio na ÉPOCA digital um artigo que vem reforçar a informação que eu já havia encontrado naquele ano. Pode até ser que se trate da replicação daquele artigo, não posso afirmar, pois já não mais me recordo dos nomes dos autores daquela pesquisa. O certo é que a Ciência já possui dados suficientes para defenestrar o deusinho dando de vingativo e injusto que no mito hebraico deu todo apoio aos hebreus e mandou os egípcios à m…

"É fixação. Só pode ser fixação. Esse sujeito não escreve nada sem meter o malho na gente, cara!"

“É fixação. Só pode ser fixação. Esse sujeito não escreve nada sem meter o malho na gente, cara!”

Vejam só que absurdo consta no mito bíblico. O Deus de Abraão e Jacó disse a Moisés: “”Tu falarás tudo que eu te mandar; e Arão, teu irmão, falará ao Faraó que deixe ir os filhos de Israel da sua terra. Eu, porém, endurecerei o coração do Faraó, e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas. O Faraó, portanto, não vos ouvirá.” Esta suposta fala de Deus está cheia de maldades e é impossível tomá-la ao pé da letra. Ele se mostra um sádico da pior espécie. E, pior, um ególatra de marca. Não é possível a ninguém acreditar em tal relato, mas há pessoas que ficam furiosas quando gente como eu critica esta passagem bíblica. O pobre Ramsés, forçado à teimosia pelo próprio deusinho hebraico sádico, não deu ouvidos às advertências de Arão e, então, o Egito se danou com as pragas “divinas”.  A primeira foi a transformação da água do rio Nilo em sangue, seguida por invasões de rãs, piolhos, moscas, morte do gado, chagas, chuva de pedras, nuvens de gafanhotos, trevas e morte dos primogênitos. Ao fim de tantas tragédias, Ramsés II, finalmente, concordou com a saída dos hebreus do Egito. Mas se arrependeu quando verificou que os espertos hebreus tinham roubado seus “senhores” egípcios em tudo o que tinham de jóias e ouro (aliás, é notório o apego dos judeus a tal metal). Então, danado da vida, Ramsés mandou atrelar sua biga, conclamou seu exército e foi atrás dos larápios de Jeovah. E este, mais uma vez, demonstrou sua predileção pelo povo mais trambiqueiro e politiqueiro do mundo: afogou os egípcios, inclusive Ramsés II, nas águas do Mar. Águas que ele, generosamente, tinha aberto para seus prediletos (até parece coisa de polititica nacional brasileiro).

Mas a Ciência está descobrindo as causas naturais que, espertamente, os escritores hebreus, imaginativos como eles só, transformaram em um mito fantástico para atemorizar não somente o seu próprio povo, mas todos aqueles que tenham o azar de se tornar cristão evangélico. Principalmente estes. Quem quiser conhecer a pesquisa visite o site:

http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/a-verdade-sobre-as-10-pragas-do-egito

E bom proveito.