"Letrados brasileiros... PUTZ!"

“Letrados brasileiros… PUTZ!”

Estou diante da TVzona e minha atenção está dividida entre a repetição incansável dos atentados na França, que a GLOBO NEWS manda pro ar desde “trasantonte“, e a última VEJA que folheio buscando alguma coisa que me interesse. A revista está mais recheada de folhas gastas com propaganda e velhotas inconformadas com a decrepitude de sua outrora decantada beleza, como Maitê Proença que promete aparecer despida se o Botafogo vencer, que do que com notícia nova. O Petrolão já cansou.  A novidade seria denunciar os GRANDES PARTIDOS POLÍTICOS; denunciar as Leis criminosas que permitem que eles abocanhem nosso ERÁRIO PÚBLICO (porém não tão público assim), mas isto é assunto tabu para qualquer revista ou jornal no Brasil. Eu ainda não descobri a razão, mas já que fui arrastado para dentro do poço de lama, então, vou fundo e termino, um dia, descobrindo a razão. Como se dizia no meu tempo: “Dou um boi para não entrar na briga, mas dou a boiada toda para não sair dela”. Pois bem, eu estava ouvindo sem ouvir uma entrevista com um sujeitinho emproado que deitava “sabedoria de última hora” com explicações mirabolantes sobre as razões dos atentados ao povo francês (aliás, as Mídias brasileiras são craques em descobrir “sumidades” para deitar falação inútil nos ouvidos da gente, quando o assunto já não tem mais o que trazer de novidade). No meio do blá-blá-blá, eis que o sujeitinho emproado lasca esses dois vocábulos que me doeram nas “oiças”: “…europêias e arredôres…”. Aí, parei. ODEIO VISCERALMENTE aqueles que escangalham o bom português. E o cabra da peste tinha acabado de lançar ao ar duas pronúncias energúmenas, deformadas, que certamente vão ser aceitas pelos iletrados brasileiros, mercê da ação criminosa dos POLITITICAS que nos desgovernam, principalmente no assunto INSTRUÇÃO ESCOLAR. O peste fazia jus a um enema de pimenta que rompesse o músculo anular e contrátil que se situa no final de seu reto. 

"Enema são os cacetes e os bordões que nossas mulheres usam para arrebentar pesquisas indesejáveis e não aprovadas pelo nosso Partido"

“Enema são os cacetes e os bordões que nossas mulheres usam para arrebentar pesquisas indesejáveis e não aprovadas pelo nosso Partido”

Não sabe o que é um enema? Vá ao dicionário, ô xente! Não se conforme em ser um anuro em sua língua pátria. O quêêê!!! Também não sabe o que diabo é anuro? Fugiu da sala de aula, é? Sofria de anusite, naquela época? Só assim se pode perdoar o desconhecimento de sua língua pátria, meu chapa. Mas vamos retornar ao sujeitinho ignorante. Ah, sim. IGNORANTE, aqui, é empregado na acepção exata da palavra, ou seja: o que ignora; aquele que desconhece. Geralmente, o povão toma o termo “ignorante” como um insulto, mas ele não é isto. 

"Que qui é isso, cumpãeiro!"

“Que qui é isso, cumpãeiro! Não sabe o que quer dizer esfingética? É a cumpãeira de São Fudêncio! Fácil, não?”

Para mim, é esfingética a origem do paulistanês. Mas posso ser perdoado por isto, pois não sou um luminar da história da criação e evolução de um idioma, nem mesmo do nosso, embora, no meu tempo, houvesse o estudo da Gramática Evolutiva da Língua Portuguesa, que nos dava amplo conhecimento não somente de como, a partir da degradação do Latim, nascera o Português, mas também a identificação das palavras importadas de outros idiomas e que foram assimiladas ao nosso. Não estudei segundo a prática da êxedra, até porque nem mesmo no meu tempo de bons estudos de nossa língua esta prática existia.

"IRRA! É isso mesmo, é?"

“IRRA! É isso mesmo, é?

Não aceitar a mutabilidade e aleijamento da língua portuguesa é coisa da decrepitude de todos os que são de meu século e, nele, da minha década e das duas décadas posteriores. O estudo do Latim foi extirpado do Primeiro Grau (antigo Ginasial). E, com  ele, lá se foram as regras que regiam nosso vernáculo. Começou a esculhambação com a eliminação dos sinais diacríticos (mais conhecidos, a partir da década de 60, como “acentuação gráfica”). Por exemplo: a palavra portuguesa tinha sinal diacrítico no “e” tônico. E isto porque havia o verbo “portuguesar” = “aportuguesar”. O substantivo feminino derivado deste verbo devia receber o sinal diacrítico para sua identificação. Dizia-se, corretamente: “Não portugueses (“é” com som aberto) este termo inglês sem o colocar entre aspas. Não é termo vernacular”. No entanto, se se queria fazer referência a vários indivíduos de nacionalidade portuguesa, devia dizer-se portuguêses. O vocábulo pronunciado com a vogal “e” com seu som natural, isto é, ABERTO, precisava tê-lo fechado através do sinal diacrítico.

"Meu paizão tinha razão. A Gramática que ele queria implantar no Brasil simplificaria tudo isto e tiraria de nosso pescoço os pés chulerentos dos portugueses."

“Meu paizão tinha razão. A Gramática que ele quiria implantar no Brasil simplificaria tudo isto e tiraria de nosso cangote os pés chulerentos dos português.”

A partir da decisão de eliminar os sinais diacríticos diferenciais gerou-se a esculhambação que nos trouxe a esta língua algaraviada. E entre os nacionais que mais se perderam na pronunciação correta dos sons de nossos vocábulos e entrou pela criação de algo esquisito, a que chamo de “paulistanês”, foram justamente os naturais do Estado de São Paulo. Eles já inventam coisas absurdas, como “Eu estava sento perto da porta de entrada do ônibus”. Sabe o que quer dizer “sento”? Não, não é o que você está pensando, mas o novo GERÚNDIO PAULISTANÊS DO VERBO SENTAR. Não se diz mais “sentado”. Diz-se “sento”. Dá pra entender uma coisa destas?

Por estas e outras é que a gente ouve cada disparate de pessoas supostamente “cultas” na TV e as lê em revistas que se julgam boas em português. Mas como minhas”oiças” foram treinadas para ouvir de modo diferente do que redundou nesta “evolução retrogradária” de meu idioma, sempre estranho e faço careta quando ouço coisas como as que aqui critico. Sei que sou um oitavão (= aquele que tem 1/8 de sangue negro) e, por isto mesmo, sou bom brasileiro. Até no idioma em que falo e escrevo. E não vou mudar. Já passei da idade disto.