"Descobri que não temo a morte e isto foi muito bom."

“Descobri que não temo a morte e isto foi muito bom.

Ontem, passei o dia todo com uma dor de cabeça chatíssima. Como não sou dado a dores de cabeça, passo anos inteiros sem saber que minha cabeça existe, se depender disto, então eu estava muito irritado. Pensei que era gripe e tomei Gripeol. Nada. Nenhum efeito. Bebi água com própolis (um santo remédio para surto viral) e nada. Tomei três sucos puros de limões e nada.

Chegou as 18:30 horas e tive de ir ao consultório da dentista onde ia fazer a primeira operação para o implante dentário. Ela tirou minha pressão e veio o susto: 19/16. Ambos, ela e eu, ficamos espantados.

Das 18:30 até às 20:30 ela veio medir de 15 em 15 minutos a pressão. Não desceu. Às 19:oo horas, pedi que meu genro viesse à minha casa apanhar a caixa de Pressat que me fôra receitado por um cardiologista  na metade do ano passado, quando tive um pico de pressão devido a raiva reprimida. Tenho temperamento explosivo e quando “engulo” algum desaforo meu organismo entra em parafuso. Por isto foi que sofri um AVC, nos idos de 80.

Tomei a primeira dose que, dizem, faz efeito logo nos primeiros 15 minutos. Mas não fez. A dentista, então, me disse que só faria a cirurgia do implante se eu fosse a um Cardiologista para exame rigoroso e obtivesse uma declaração dele de que eu estava apto para a cirurgia. Vim para casa frustrado até não poder mais.

Tomei outro comprimido e completei as 10 mg recomendadas para as 24 horas. À meia-noite e meia acordei suando em bica sob um ar refrigerado de 18º C. Medi a pressão: 19/16 de novo. Fiquei danado de raiva. Tremia todo, não controlada meus movimentos e não consegui ficar de pé. Minha companheira foi fazer chá de hotelã e de erva cidreira que dizem ser bom para baixar pressão. Nada. Fulo dentro da roupa, me deitei e pedi que ela fizesse a mesma coisa.

— Você não quer ir para o hospital? — Ela me perguntou. Respondi que não. Estava próximo o raiar do dia e eu tinha sono. E suando mesmo, dormi. A única coisa que incomodava era a persistente dor de cabeça. Pela manhã fiquei satisfeito com minha descoberta: eu não temo a morte. Se e quando ela chegar, chegou. Não sou eu quem morre, mas meu corpo. E, agora, isto não é “gossip”, conversa fiada, conversa jogada fora. É uma experiência direta.

Quando eu partir desta para melhor, quero ter longas conversas com meu irmão Yehoshua.

Quando eu partir desta para melhor, quero ter longas conversas com meu irmão Yehoshua.

Meu cunhado está aqui, pela terceira vez, para ir fazer operação espírita no Bezerra de Menezes. Já foi curado de males graves, mas agora quer se livrar do ronco e da bronquite crônica. A estrada para lá (48 km de ida e outros tanto de volta) é complicada. Primeiro, tem-se de ir pela BR-153, que se iguala em movimento à Av. Brasil, no Rio. Depois, entra-se no Anel Viário, cujas voltas terminam por levar o novato a correr o perigo de se perder e adentrar lugares tão perigosos quando as favelas do rio. Ali, só marginais se arriscam, à noite. Até a polícia evita ir lá.

Minha parceira está super-acostumada a ter motorista – eu. Por isto, ainda que tendo ido ao centro espírita mais de 30 vezes, não decorou o caminho. Então, lá fomos nós. No momento mais engarrafado, onde caminhões de dupla carroceria se enfileiram um atrás do outro e sobra apenas uma pista para n automóveis desesperados por causa do horário, a pressão subiu de novo. Suadeira. Câimbra sublingüal, sinal certo de pré-infarto. Pedi o Anlodipino e tomei a primeira dose. 10 minutos depois a dor no tronco da língua diminuiu. Melhor. E lá fomos nós.

Já estacionado sob uma árvore enquanto meu cunhado era atendido com a população de um bairro inteiro (o Bezerra de Menezes chega a fazer 300 operações por meio/dia de trabalho), tirei a pressão e ela tinha voltado a subir – 18/14. Tomei a segunda dose do remédio. Mas foi então que notei algo que já vem-me incomodando desde segunda-feira, após ter comido uma feijoada muito gorda: tudo em minha boca amarga, até a água.

Fui a uma farmácia e comprei sílibom, extrato sedo de Silubum marianum, que dizem ser o melhor remédio da atualidade para doenças do fígado. Tomei um comprimido ali. Meia-hora depois, bebi um copo d’água amargo como o diabo.

A dor de cabeça sempre presente.

Em casa, tomei o segundo comprimido, mas o amargor não se foi. É um porre. Agora, não sei se vou ao cárdio, se vou ao endócrino ou se consulto os dois.

Não fosse a persistente dor de cabeça tudo estava bem… Bom, vamos ver como será a noite de hoje.