"Danou-se! Se mandam prender um colega no pleno direito de suas imunidades parlamentares... Quando vão-me mandar pro xilindró também?"

“Danou-se! Se mandam prender um colega no pleno direito de suas imunidades parlamentares… Quando vão-me mandar pro xilindró também?”

Senadores brasileiros andam trêmulos, pálidos, arredios. Se pudessem fugiriam ao contato com o povo. Este mesmo povo sobre o qual, até agora, deitavam arrogância e falação inútil de sobra, ecoando a estultície de outro arrogante, estúpido e insensato, um Deputado Federal que, ainda que impropriamente, não só conserva o título de Deputado como, também, se mantém no Poder da Câmara Legislativa à força, contra toda a VONTADE DO POVO. Seu nome? Ora, todos sabemos e colocá-lo aqui, de novo, é dar-lhe honra demais, coisa que não farei de modo algum.

Pela primeira na vez na REPÚBLICA Brasileira, um Senador vai para a cadeia com título e tudo. E em pleno gozo de seu mandato. Bem que alguns de seus pares tiveram a ousadia de discutir se “defendiam ou não, a Honra do Senado através do voto covarde, ou seja, do famigerado voto secreto” diante da intromissão do Poder Judiciário, que ousara mandar prender um Senador da República à revelia dos eternos vai-e-volta da maré de sem-vergonhice que eles exercem com mestria, antes de finalmente decidirem por unanimidade pela não cassação do bandido de colarinho branco.

"Tá difícil, mas vou lutar até o fim. E ele ainda não chegou..."

“Tá difícil, mas vou lutar até o fim. E ele ainda não chegou…”

Mas não deu. Pressionado pelo povão, agora com uma arma “miserável” em mãos — o watt’s up e o tal e-mail — os senhores emproados “donos do Poder”, olhavam a telinha brilhante de seus telefones faz-tudo e o painel da votação. Aprovar o tal “voto secreto” era insultar diretamente “seus” eleitores e isto eles não podiam fazer de modo algum. Ainda os têm sob cabresto curto. Mesmo que esperneando desnorteados, eles ainda estão sob o fascínio da doutrinação partidária e da Lei de Gerson. E certamente, crêem os Senadores com os Deputados a reboque,  ainda persistirão fiéis, mesmo com o Supremo aloprando daquele modo escandaloso. Onde está o princípio da República que prega a total independência entre os três Poderes? De modo algum o Judiciário poderia mandar prender um Senador em pleno gozo de seus direitos políticos.

Será? Vejamos o que diz a Lei.

"Ponham-se em seus lugares! Sou um Senador e Senador não planeja como um 'mafioso'. Senador planeja como Senador, ora essa!"

“Ponham-se em seus lugares! Sou um Senador e Senador não planeja como um ‘mafioso’. Senador planeja como Senador, ora essa!”

Quando um Senador comete um crime de caráter inafiançável, ele pode ser preso – é o que diz a Lei. Logo, os Ministros do Supremo, insultados em suas dignidades de magistrados pelo Senador Delcídio do Amaral, fizeram uso desta prerrogativa legal. Não há como contestá-los. Mesmo que Renanzinho tenha tentado, por todos os meios, levar a pendenga para o lado da “intromissão de um Poder nos assuntos internos de outro”. Não pegou. Os Zé Nings não deixaram. Dava muito bem para ver suas faces iluminadas pelas luzinhas das telinhas de seus aparelhos telefônicos faz-tudo. E aquelas faces estavam pálidas de medo e angústia. Como enganar o povão assim, no aqui-e-agora da inflamação da revolta justa? Uma revolta que era contra a Dilma e, agora, se voltava fruriosa contra cada um deles? E ainda por cima há o desgraçado do Fenando Collor, contra o qual eles, lamentavelmente, não tinham tomado nenhuma providência decente. Todos haviam silenciado sobre as patifarias do distinto salafrário, em solidariedade imoral e contra todo o país. Naquele momento de angústia, em que tinham de tomar decisão “mortal” contra um comparsa “digno” de toda a Proteção dos seus Pares, pois se um ator é retirado da cena da peça em plena representação todo o elenco se desequilibra, o que fazer? Eis a questão (ATENÇÃO: pronuncie-se kestão e não QÜEStão como andam enchendo suas bochechas gente que se acha importante).

 Política, gente, é um mal do qual não podemos livrar-nos. Eu aprendi que não devemos correr nem fugir de um inimigo mortal. O que se deve fazer é “lutar” com ele. Com toda a garra. Com toda a força. Com toda a esperteza. E contra a Má Política, luta-se estudando profundamente os seus meandros esconsos. E se ela é um dragão que ataca a todos nós, enquanto Nação, então, unamo-nos todos contra o bicho.

E tenho dito.