Chupar dentadura é tique nervoso ou é porque ela está frouxa?

Chupar dentadura é tique nervoso ou é porque ela está frouxa?

Aprochega-se o tempo da Liberdade Democrática para os Zé Nings brasileiros. E eles, o que pensam a respeito? NADA! Brasileiro, Zé Ning,  não pensa senão na cesta básica de todo mês. O que fazem os polititicas não lhes interessa… NÃO? Uma ova, que não. Vejam vocês, Zé Nings desavisados: leio, na FOLHA DIGITAL de hoje, que em um acepipado jantar na residência de um festejador elitista do Governador de São Paulo, onde uma parcela IMPORTANTE DO PIB BRASILEIRO se reunia para a degustação dos acepipes, o Excelso Sr. Governador Paulista declarou, enfático, que dava apoio à pré-candidatura de outro elitista, o empresário  João Dória Júnior à Prefeitura de São Paulo.

Notaram? Não havia nenhum Zé Ning, nem mesmo com PHD em alguma ciência afim com a Administração Pública. EMPRESÁRIOS DECIDINDO OS DESTINOS DOS ZÉ NINGS PAULISTAS. Como se em sendo empresário e representar uma fatia do PIB fosse suficiente para justificar a eleição de um elitista para decidir sobre os destinos de milhões de pessoas, nem todas empregadas das elites industriais.

Político, médico ou latifundiário? Ao menos ele é reconhecido como excelente cirurgião.

Político, médico ou latifundiário? Ao menos ele é reconhecido como excelente cirurgião.

Vou desenhar: não se discutia a capacidade administrativa pública do pré-candidato, mas sua indicação para um posto de decisão que implica a vida de mais de quinze milhões de pessoas. O raciocínio era e é simples: se um empresário consegue levar sua empresa à condição de Grande, então, por uma conclusão generalista irresponsável, ele também pode levar a bom termo o Governo de um Município com a população gigantesca como São Paulo e com não menos gigantescos dilemas sociais que não param de crescer e desorgaziar a vida comunitária.

Dizia de boca cheia de salamaleques o Governador Paulistano: Ficarei muito feliz se esse for o tempo de João Dória trabalhar por São Paulo. Só um total microcéfalo acreditará que um empresário, que jamais se viu a braçadas com os tremendos conflitos sociais e organizacionais de uma megalópole como São Paulo, vai, em sendo industrial e estando permanentemente preocupado com sua mega-empresa, dar atenção em tempo integral aos dilemas que afligem os Zé Nings. Ele só terá mente para pensar no modo de aumentar os lucros de sua empresa. Ele precisa voltar-se totalmente para este objetivo: LUCRO. Como é que no Governo ele poderá LUCRAR, se isto é terminantemente proibido por Lei?

A resposta é clara, embora os salamaleques lingüísticos busquem ocultá-la: CORRUPÇÃO. Roubo do Erário Público Municipal. Só assim, um empresário no Governo de qualquer Município, ou Estado ou Nação poderá fazer lucrar sua empresa ou sua cadeia de empresas. Entendeu ou tá difícil?

Ora, a Lei dos Partidos (9096, de 1995) diz, em consonância com a Constituição e o Código Civil Brasileiro, que todo Partido Político é uma Pessoa Jurídica de Direito Privado. Em outras palavras, para não restar dúvidas: todo partido é uma EMPRESA. Ah, agora você começa a ter as orelhas esquentadas, não é? Para gerir uma empresa, é necessário que os gerentes sejam EMPRESÁRIOS.

Acontece, Zé Ning, que um Município não se contém dentro de nenhum partido político. Em um Município, assim como em um Estado ou na Nação como um todo, há um enxame de partidos com as mais diversas ideologias e um só objetivo: fazer o Caixa 2 do Partido e mantê-lo bem abastecido. E só um empresário sabe como manter o Caixa de sua Empresa sempre abastecido e dando lucro. Morou? AINDA NÃO????

Bom, mais uma tentativa.

"Cara, Você sabia que nós, ricos empresários, temos de trabalhar pelo povo? Que absurdo!"

“Cara, Você sabia que nós, ricos empresários, temos de trabalhar pelo povo? Que absurdo!”

Em qualquer Município brasileiro há um grande número de empresas. Desde as micros, como a barraquinha de um camelódromo, até uma grande indústria fabricante de geladeiras, por exemplo. Mas nem a barraquinha nem a grande indústria comporta em si toda a população do Município nem abarca todas as suas necessidades e seus anseios. Também assim é com qualquer partido político. O PMDB não tem uma ideologia que satisfaça a todos os moradores de São Paulo, por exemplo. Então, dentro desta população, há dezenas de outros partidos políticos, com ideologias e metas totalmente diversas das do PMDB, que possuem, em suas fileiras, fregueses fiéis, que vão procurar colaborar para que seu partido não seja engolido pelo grandão, mas por sua vez, também tenha algum meio de dar uma dentada no dinheiro público.

É a famosa concorrência democrática.

Pois bem, a Concorrência e a Competição são os dois pilares-mór das empresas em qualquer parte do mundo dito Democrático. Um Empresário no comando de um Município, tenderá a compreendê-lo como uma de suas empresas. Nela, trabalham várias pessoas hierarquicamente distribuídas, onde cada nível de hierarquia tem certo e bem definido grau de responsabilidade e, concomitantemente, um quantum melhor de remuneração.

As hierarquias empresariais se distribuem por suas Diretorias, suas Gerências, suas Superintendências, seus Departamentos, suas Divisões e suas Seções. Toda esta organização está subordinada à Presidência da empresa. Pois bem, este é o raciocínio que um empresário leva para dentro do Município. As Secretarias Municipais são as correspondentes das Superintendências. Cada Superintendência possui dois ou mais Departamentos. No caso, dois ou mais órgãos públicos subordinados às Secretarias municipais específicas – como  a Secretaria de Saúde, por exemplo – correspondem àqueles órgãos em uma empresa que são os Departamentos subordinados a uma Superintendência. Ficou claro?

Só que o empresário estende este raciocínio unipolar para todo o Município. Assim, se em um determinado órgão público há gerentes que não são da sua Empresa Partidária, ele o demite porque é um intruso. Não uma pessoa que pode realmente estar fazendo um excelente trabalho para a população, mas tão-só um intruso em “sua” empresa.

E aí se abre as portas do compadrio, compreende? Um empresário confia nos empregados que trabalham com carteira assinada em sua empresa e assumem as metas e os objetivos empresariais. O intruso não lhe parece ser alguém assim, logo, tem de ser substituído.

Os empresários tendem a passar para seus herdeiros as empresas que construiu com seu trabalho. Este modo de se comportar também é transposto para o exercício da Política, da má política. Por isto é que Alkimin se disse feliz se João Dória “herdar” o Governo de São Paulo.

E temos o costume feudal re-instalado entre nós. Compreendeu?

É por isto (e por muito mais, que não vou comentar aqui porque já estou muito cansado) que tenho dito e repetido que o que está errado no nosso país não é a POLÍTICA EM SI, mas o sistema político adotado por todos os que entram no exercício prático da Política. O SISTEMA TEM DE MUDAR. Você compreende a razão de eu viver afirmando isto?