Eu já gostei muito disto. Hoje, não tenho qualquer atração pelo que chamam de Arte Samurai ou Ninja.

Eu já gostei muito de Aikijujutsu. Hoje, não tenho qualquer atração pelo que chamam de Arte Samurai ou Ninja.

Fim do dia. Estou cansado, mas satisfeito. Passei a metade da tarde (não ela toda, visto que apesar das chuvas, os dias têm sido quentes a ponto de eu só conseguir dormir com o ar condicionado ligado, o que é uma droga, pois a CELG, no fim deste mês, vai levar todo o dinheiro que eu desejo economizar para comprar um presente para minha filha), como eu dizia, passei a metade da tarde cortando a grama nos 132 m² diante de minha casa. Minha pressão, que meço religiosamente três vezes ao dia para provar aos cirurgiões-dentistas que se recusam a me operar para o implante porque minha pressão varia muito, está, agora, 21:50h, medindo 154/79 (ou 15/8), com pulso de 69. Para mim, isto é normal, mas eles teimam que tenho de ter pressão de 12/8. Não dá. A coisa não funciona assim, comigo. Quando faço algum esforço forte, como foi o caso, a pressão sistólica aumenta, mas o cardio já me disse que isto é natural. Vá entender! Aboli carnes de todas as espécies. Adotei peixe dia sim, dois não. Muita fruta, muito macarrão com carne de soja em lugar de carne moída, e muito hortifrutigranjeiro. Tudo isto temperado religiosamente com três doses de 15 gotas de própolis com suco de limão todo dia; e mais: um copo de beterraba batida no liquidificador com banana, ou abacaxi ou mamão ou outra fruta qualquer, diariamente. Meu elemental físico está ótimo. Se eu ainda gostasse de lutar, voltaria para o tatami, aos treinos de aikijujutsu e de jujutsu. Mas esta febre já ficou para trás. No entanto, estou às turras com a barreira dos 12/8. Eu me recuso a tomar pressat diariamente, como querem os cirurgiões-dentistas, porque não tenho pressão alta. Às vezes ela surta, mas não é permanente. Não sei quando esta queda de braço vai terminar e quando vou ter meus dentes novos. 

Aikijujutsu. Quem nunca praticou não sabe o quanto isto dói...

Aikijujutsu. Quem nunca praticou não sabe o quanto isto dói…

São vinte horas. Estou assistindo um filme na TV (A Bela e a Fera). Não tenho muito interesse na história. Como disse acima, perdi o interesse por qualquer coisa que se volte para o mundo elemental humano ou para suas fantasias tolas. E tudo, absolutamente tudo o que vejo se volta totalmente para este mundo de pura ilusão. Não podia ser diferente, visto que nosso Espírito vive mergulhado num Elemental totalmente pertencente à Terra. A eles, ela fascina e domina. Compreendo agora o pedido de uma grande Mestra para que eu me mantivesse em silêncio até o final do mês de fevereiro de 2016. Talvez ela soubesse que eu faria uma grande descoberta. Uma descoberta que ela, Mestra, já o fizera. Nós, encarnados, vivemos sob o domínio total de nossos três elementais físicos mais importantes: o Físico-etérico; o Astral Inferior e o Mental Inferior.

Bem, embora a internet esteja regurgitando gente que sabe “pra burro” sobre estes assuntos ditos ocultos (não sei mais aonde, visto que livros e mais livros, poucos corretos e muitos jogando água fora da banheira, estão abarrotando as prateleiras de grandes livrarias e sebos por todo o país), esclareço que o Elemental Físico é o mais poderoso dos três, no entanto, é totalmente dependente dos outros dois. Na verdade, incipientíssimo, este Elemental serve tão-só para que nosso Espírito vivencie intensamente os fenômenos inerentes ao planeta Terra. Como, no entanto, ele é quem aparentemente possui os cinco sentidos com os quais nós sentimos e percebemos o mundo em que vivemos, nós temos a forte ilusão de que sua vida é verdadeiramente nossa vida; seus desejos são verdadeiramente nossos desejos; e seus pensamentos são verdadeiramente nossos pensamentos. Mas isto não é verdade. 

Não sei como falar sobre a Senda da Iluminação e compreendo a razão de os Mestres manterem o silêncio.

Não sei como falar sobre a Senda da Iluminação e compreendo a razão de os Mestres manterem o silêncio.

Quando a gente alcança um pouco de “iluminação” interior (não sei como dizer melhor, isto) imediatamente nos distanciamos do Mundo Mâyâvico do Elemental Físico. Tudo o que, antes, parecia ser de grande importância passamos a perceber diferente: sem qualquer importância. Necessário aos que ainda estão sob o domínio de seus Elementais Físicos, mas totalmente sem valor para os que alcançaram um degrau acima, na senda da Iluminação. Estou, julgo eu, neste degrau e não me importa de dizer isto, mesmo que vá mexer com o EGO de algum Elemental Físico que se julga o bam-bam-bam no assunto. Teorias, suposições, inferências, deduções, citações de terceiros etc… no terreno puramente intelectivo, por mais floreados e cheios de “sapientia” e de exemplos supostos, não acrescentam um til na Verdade a quem sofreu súbito “insight” íntimo e já olha o Mundo Mâyâvico de modo totalmente diferente. A gente se torna distante de tudo. A gente se pega subitamente calmo e a agitação política, que afeta diretamente nossa vida e a vida de nossos entes queridos, perde absurdamente qualquer importância. Tem-se a nítida consciência de que tudo isto não deixará traço sobre traço, daqui a alguns anos. Apenas alguma leve recordação na lembrança dos mais velhos. Recordação que os seguidores e perpetuadores dos males atuais se esforçarão para apagar, como os de hoje se esforçam para apagar da História os tensos anos 60/90 recém-findos. No íntimo, a gente está sereno. Compreendemos que de nada adianta fixar a História que todos fizemos juntos, pois ela mesma mudará drasticamente e de si restará tão-só memórias distorcidas escritas em livros que a maioria não vai ler. Assistimos os “dramas” dos Elementais Físicos sem qualquer emoção e com um distanciamento psicafetivo esquisito. Nós nos percebemos já não mais pertencendo àquilo.

As coisas que me cercam e das quais me sirvo, como este computador, quando quebram, não dou qualquer valor ao fato. Deixo de lado o objeto, dou de ombro para a “importância” dele nas tarefas que só através dele posso executar, e me entrego a outras atividades sem qualquer emocionalidade no íntimo. É um a serenidade a que não estávamos, os que vivenciam o que eu vivencio agora, acostumados e isto causa estranheza. Ao menos em mim, causou. Vemos aquilo como algo que passou e pronto. É estranho, eu sei, mas é assim. E não é por velhice, pois conheço muitos velhos que são apegados demais a coisas e bens passageiros. Eu mesmo, até à metade do ano passado, era relativamente  assim. Mas nestes últimos meses tudo mudou dentro de minha percepção interior. O mundo externo e até mesmo as pessoas perderam importância para mim. Seus títulos e seus “poderes” sociais não me dizem absolutamente nada (já não diziam, antes, mas agora estão abaixo do rés do chão). Vejam-se os gritantes exemplos da assim chamada “classe política brasileira.” Seus membros se enxovalham por NADA. Vão morrer e tudo, absolutamente tudo, até o mais mínimo fio de suas cuecas ficará lá no cemitério, apodrecendo na terra, que é o lugar ao qual todo o conjunto pertence — o cadáver do avaro desesperado e suas roupas, sapatos e sarcófago. E, pior, no silêncio tumular… 

E foi quando eu meditava nisto, olhando sem ver a telona de minha TVzona, que Vera adentrou minha sala de estar. Cumprimentou-nos e se sentou respeitosamente esperando que eu lhe desse atenção. Vi-a chegar. Vi-a sentar. Percebi que tinha intenção de conversar comigo, mas não movi um dedo, nem mesmo uma pestana, para facilitar as coisas. Continuei olhando sem ver, totalmente introspectivo, o noticiário funerário que escorria, podre, pela tela da TV. Na verdade, eu pensava em Yehoshua e seus fantásticos ensinamentos.

Decorridos uns trinta minutos, finalmente eu me forcei a retornar a esta realidade e me voltei para minha visitante.

— E então? O que veio fazer aqui?

— Continuar nossa conversa. Como eu disse, o senhor não se livrará de mim assim, tão facilmente.

Ela me lembrava alguém muito querido, que também não largava do osso quando metia na cabeça que o desejava para si.

— Eu li seus últimos artigos. Não os políticos pois, como já disse, eu os acho muito ácidos para meu gosto. O senhor não dá perdão aos que chama de criminosos de colarinho branco.

— Eu não os chamei assim. Alguém muito antes de mim o fez. Gostei do título e passei a usá-lo. Afinal, com exceção dos togados, todos usam o maldito colarinho branco.

— Em seus artigos o senhor não discorre sobre os vínculos de que me falou.

— Verdade. Não o faço. E daí?

— Bom, eu achei que eles deviam ser importantes para mim.

— Um pouco. O suficiente foi o que já lhe falei. Não continue buscando o caminho por este lado que ele não a levará a lugar nenhum. Afinal, você não é Psicóloga formada no tempo em que a Psicologia realmente ensinava alguma coisa.

— Bom… Bem, eu… me desculpe por dizer isto, mas não encontrei muita coisa em seus artigos que pudesse me ajudar. Meu problema é específico.

— Você não tem problema. Você tem dilemas, como todos nós, Elementais Físicos encarnados. 

Eu frisei o final da frase para lhe informar que ela devia ter dado mais atenção ao que falo sobre os Elementais Físicos que são nossos corpos e que pensamos que são nós mesmos.

— Pois é. Essa história aí e sua nova posição diante do Carma foi que me confundiram muito. O senhor, antes, defendia a Lei do Retorno e me convenceu que ela era certa. A mim e ao Felício. Agora, sem mais aquela, diz que não lhe dá mais crédito. Isto nos confundiu.

— Vocês, por acaso, têm parentesco com piolho?

— O que!? Piolho? Que piolho?

— Aquele aracnídeo que infesta algumas cabeças sujas por aí.

— É claro que não, ora essa! — Ela se abespinhou comigo. — Nós não andamos nem pensamos pelas cabeças dos outros, ora!

— Não quis ofender. Quis salientar que vocês precisam se esforçar para romper suas cascas por si mesmos. Ninguém vai quebrá-las para vocês. Em outras palavras: abram seus próprios caminhos de conformidade com seus questionamentos, suas necessidades íntimas e suas buscas. Não se deixem cercear por teorias e conceitos preconcebidos. Ou seja, falando diretamente: abandonem suas aprendizagens religiosas, você e Felício. Elas são antolhos de aço que espertalhões lhes colocaram para lhes dirigir as vidas.

— O senhor não crê no Cristo Jesus?

— No de vocês, religiosos que se dizem cristãos, não.

— E há diferença? Qual?

— Há. E muitas.

— Cite uma, por favor.

Fiquei pensando um tempo. Então, lembrei-me do que desejava, o que foi um verdadeiro prodígio, visto que sou avesso a ler a Bíblia cristã. Mas fui seminarista por alguns poucos anos e isto me fez ler o tal livro em cargas hercúleas.

— Muito bem, se não estou errado, em São Mateus, Capítulo V, versículos 21 e 22, está escrito que Yehoshua teria dito, em um de seus famosos discursos públicos: “Ouvistes que foi dito aos antigos: não matarás. E quem matar será réu no juízo. Pois eu vos digo que todo o que se ira contra seu irmão, será réu no juízo; e o que disser ao seu irmão “raca” (=imprestável) será réu no conselho; e o que disser ‘és um tolo’ será réu do fogo do inferno”.

Após a citação permaneci calado, apenas olhando para Vera. Ela esperou pacientemente que eu continuasse, mas diante de meu prolongado silêncio impacientou-se e tratou de falar.

— E daí? O que o senhor quis citando essa passagem bíblica?

— Não vê nisto uma tremenda contradição? Quem introduziu esta “coisa” no discurso de Yehoshua cometeu erro grosseiro. E qualquer um não antolhado pode vê-lo por si mesmo. Veja, o próprio Yehoshua se irava e invectivava duramente contra os fariseus corruptos do Templo. Gritava-lhes, irado: “Víboras! Sois como túmulo caiado. Branco por fora, mas cheio de podridão por dentro!”. Ora, Ele, em assim fazendo, colocava-se como réu diante do tal Juízo a que teria feito menção em seu discurso, segundo a interpretação que lhe deram, depois de Sua partida. Ele não era tão estúpido para dar a faca e o queijo nas mãos de seus perseguidores, Vera. Ele nunca disse aquilo. Se, dizendo “és um tolo”, uma pessoa se colocaria imediatamente como ré condenada ao fogo do inferno, o que dizer d’Ele mesmo, que não só se irava contra os fariseus corruptos como os insultava muito mais profundamente?

— E como o senhor interpreta esta passagem bíblica?

— Não vem ao caso, mas assim mesmo vou-lhe dizer. Primeiro: Yehoshua jamais fez qualquer menção a condenação espiritual para ninguém. Aliás, no versículo 20, anterior aos que citei, ele diz: “… porque eu vos digo que, se a vossa justiça não for maior e mais perfeita do que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos céus”. Está claro que Ele criticava a Justiça dos homens, sempre falha e sempre corrupta. Ele não se referia aos céus, no plural, note bem, segundo a compreensão do populacho, mas segundo seus próprios ensinamentos, destinados aos que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir”. Se você toma estas palavras do Grande Mestre e as junta a outros ensinamentos seus, encontrará a chave para a compreensão de Sua mensagem. Em outra ocasião Ele disse: Quando quiserdes orar, entrai em vosso quarto, fechai a vossa porta e orai em silêncio ao vosso Pai, que Ele vos dará conforme vosso merecimento”. Ele não disse “ao vosso pai que está no céu”. Isto, também, foi uma introdução indevida em sua mensagem límpida como água cristalina. Aquele que nos julga está em nós mesmos. E este juiz é nosso Espírito, visto que, conforme Ele também o disse: “sois deuses e, se tiverdes fé, podeis fazer o que faço e mais até”. Se deixamos de lado o Mundo Elemental e suas tolas ilusões e nos centramos em nosso interior, no nosso Deus Verdadeiro, nosso Espírito, então, sim, podemos fazer o que Ele fazia e muito mais, até.

Vera ficou pensativa, quando eu silenciei. Seu silêncio prolongou-se por muito tempo e seu olhar perdido no vácuo diante de si me dizia o quanto estava-se confrontando em suas crenças e seus juízos.

— O senhor diz que já deu seu primeiro passo na Senda da Iluminação. Pode fazer algum prodígio?

Notei certo sarcasmo em suas palavras e em seu semi-sorriso no rosto.

— Posso. Eu mesmo sou meu prodígio. E isto me basta. Por que me pergunta isso?

Ela ficou corada e abaixou os olhos, murmurando um tímido “desculpe-me”. Sorri e dei de ombros, para lhe dizer que não dava importância à sua provocação.

— Vera, quanto ao motivo que a trouxe de volta, a frieza de seu marido no leito, você, eu, nem ninguém poderá mudá-lo. É o seu Elemental, Vera, que deve ser educado por você mesma, a se conter. A se satisfazer com o que ele tem condições e, melhor que isto, deseja-lhe dar. Não exija absolutamente nada que o Elemental dele não esteja disposto a lhe dar, porque só irá fazer que ele lhe vire as costas. Vigie seu “mau gênio”, pois este é tão-só reflexo da impulsividade de seu Elemental Físico. Vigie suas crises de ciúmes, pois isto é típico do Elemental Físico de toda pessoa cujo Espírito Imortal não sabe dominar o animal que tem à sua disposição. Não permita que seu Elemental se meça pelas atitudes e posturas do Felício. Você não é o Sol dele e ele não tem porque só gravitar ao seu redor. Se, antes de decidirem se dar um ao outro, você sabia esperar que ele se dispusesse a lhe conceder alguma coisa de si, como atenção, um livro, um sorriso etc…, por que, depois que decidiram abrir suas intimidades um para o outro, você se julga com o direito de ser a dona dele? Não faz sentido. Do mesmo modo como não faz sentido ele desejar ser seu dono. Agindo assim, vocês se aprisionam um ao outro e isto terminará, como está terminando, pondo um fim à atração que ambos sentiam entre si. O primeiro sinal é a alteração no odor do corpo daquele que tenta dominar e se apossar do outro. Como você deve ter lido em algum de meus posts, nossos corpos emitem odores além daqueles conhecidos como ferormônios. Um odor que é muito sutil e só percebido pelo que está apaixonado pelo dono daquele corpo. A irritação do possessivo altera o odor corporal que, inicialmente, tinha atraído o Elemental Físico de seu desejo. Este odor sutil é que excita o Elemental Físico objeto de desejo da pessoa ciumenta. Inicialmente, este odor não está sofrendo nenhuma alteração, logo, o Elemental Físico do outro se entrega todo. Mas quando o ciúme e o controlismo começam a se fazer presente no relacionamento dos Elementais envolvidos numa relação, aí um corpo emite sinais repulsivos para o outro. E a déblâque” tem início. É sempre assim. Esta é a Lei do Karma… Entendeu?

Vera pensou durante um longo tempo, mirando a telona sem ver. Estava introspectiva. Então, levantou-se, deu-me uns tapinhas no ombro e falou:

— Preciso voltar a ler seus posts. Vou embora, agora, mas volto. Prometo.

É… Vai demorar…