Eu e meus pais, em Campo Maior, Piauí. éramos felizes e não sabíamos...

Eu e meus pais, em Campo Maior, Piauí. éramos felizes e não sabíamos…

Nasci em 1940 e desde quando comecei a me entender como gente, ouvi meu pai envolvido com política. Não entendia nada das discussões em que ele entrava, muitas até excessivamente acaloradas, vejo agora, com a visão da recordação. Algumas vezes ele e seus opositores quase se pegam a socos e pernadas – meu pai era exímio capoeirista. Getulista fanático, seu Areoval não admitia defesa contrária ao seu credo político. Lembro-me muito bem que, contava eu cinco anos, ele me levou aos ombros para ouvir Getúlio Vargas em um comício que o baixinho fez em Teresina. Meu pai viajara de Campo Maior para a capital, naqueles idos uma viagem de meio-dia só de ida e comendo poeira à vontade, pois a estrada era de piçarra, apenas para participar do comício. Não havia ônibus e a viagem era feita em paus-de-arara. Claro está que não me lembro de nenhuma palavra do que Getúlio f  lou. Meus olhinhos de criança estavam esbugalhados diante de tanta gente – todos homens – enchendo a imensa praça onde o coreto tinha sido armado. Getúlio, para mim, era uma estatueta vestida de terno branco, pequenina, que se movia e agitava os braços trovejando palavas que eu não entendia. Mas eu me recordo de que meu coração vinha à goela ao imaginar aquele grupo de homens ululantes, como se fossem um só animal emocional, a cada pausa estudada que o baixinho fazia em sua peroração, estourando em fúria. Onde nos escondermos? Como nos salvar?

Nesta casa simples, branca, eu vivi meus mais terríveis anos de adolescente, em Teresina. Dizem que ela ainda pertence à nossa família.

Nesta casa simples, branca, eu vivi meus mais terríveis anos de adolescente, em Teresina. Dizem que ela ainda pertence à nossa família.

O tempo passou. Meu pai se separou de minha mãe, eu contava 13 anos, e sumiu do Piauí. Tive uma infância terrível, dura, desesperante e cheia de humilhações. Graças a Deus não havia drogas nem quadrilhas organizadas, caso contrário eu também provavelmente já estaria do outro lado, em uma das “casas do Pai” nada agradáveis. Ainda assim, cheguei a ser uma grande dor de cabeça para a polícia de Teresina. E tinha apenas 15 anos…

Mesmo tendo sido matriculado no pior ambiente estudantil da época, o Liceu Piauiense (eu tive de deixar o Colégio Diocesano, o fino da bossa” — gíria dos anos 60 — no quesito escola de primeiro e segundo graus porque minha mãe não mais podia pagar as mensalidades). Mal comparando, o Liceu Piauiense era como uma sucursal do Mal na Terra. O antigo SAM do Rio de Janeiro. Ali não havia crianças, mas aprendizes de violência. Nunca apanhei tanto na vida e nunca deixei de me lembrar de que entre as crianças a maldade, quando liberada sem freios, sem a mão firme dos pais educadores, é inacreditavelmente pior do que aquela que os adultos podem cometer. Não somos gente, quando crianças. Somos animais humanos que necessitam de mão firme e orientação constante para ascender da condição de animais para a condição de humanidade. E isto está sendo vista, dolorosamente, na atualidade, quando crianças de 10 anos atiram nas pessoas rindo, sem qualquer remorso. Animais matam sem remorso.

Meu filho, de quem me orgulho muito, e minha netinha, que, infelizmente, não posso abraçar porque estamos separados por mais de dois mil quilômetros.

Meu filho, de quem me orgulho muito, e minha netinha, que, infelizmente, não posso abraçar porque estamos separados por mais de dois mil quilômetros.

O tempo escorreu por entre meus dedos e, sem poder contê-lo, tornei-me adulto. E o peso da vida adulta me caiu como chumbo nos ombros. E tudo o que eu tinha aprendido como valores morais e éticos, com meu saudoso pai e meus professores padres, foi jogado na latrina. O descontrole da política nacional brasileira destrambelhou a vida dos brasileiros. O Rio de Janeiro, a mais bela cidade do mundo; a mais jovial; a mais pacífica (a gente ia trabalhar e deixava as portas das nossas casas abertas. Qualquer vizinho podia entrar, tomar um copo de leite, fazer café ou mesmo um bife, se estivesse faminto. Depois, deixava um bilhete dizendo quem era e o que tinha feito e oferecendo sua casa para nós dela também nos servirmos). Era uma irmandade absolutamente estonteante. Eu vivi isto no Rio Maravilhoso, que, hoje, jaz morto e sepultado pela violência acobertada pelos patifes de colarinho branco.

E veio a Lava-a-Jato. E, mesmo já tendo assistido a outras peças de terror político, todos nos boquiabrimos diante da imensidão da podridão que se escondeu por anos e anos a fio dentro dos Palácios de nossos Desgovernos. tal como os demais brasileiros, também eu me desnorteei. E acho que mais até, visto que, no Quartel, aprendi com muita força o Amor à Pátria (“ou ficar a Pátria livre/Ou morrer pelo Brasil!”). Com aquele sentimento de patriotismo que jamais saiu de mim, depois que servi o Exército, fiquei muito mais atordoado que os que nunca estiveram nas fileiras militares.

Minha irmã e eu, no Corcovado, em 1960, quando eu estava no Serviço Militar, 1960.

Minha irmã e eu, no Corcovado, em 1960, quando eu estava no Serviço Militar no 3º R.I.

E levei anos assim, tonto, sem compreender o que nos estava acontecendo. Mas a responsabilidade por isto era minha, somente minha. Como todo mal-informado, eu dizia de boca cheia: “Detesto Política!”. Que estupidez! Quem detesta político é um asno de marca, meus amigos. O bom patriota, em qualquer país que se preze, AMA A POLÍTICA. PRATICA A POLITÍCA. VIGIA CERRADAMENTE SEUS POLÍTICOS. Mas no meu tempo era muito pouco os que realmente se interessavam pelo sistema nervoso de nosso país. Apenas os espertos cutistas se voltaram para este assunto. Mas tomaram o caminho errado. O caminho do Comunismo, já falido em todos os países onde entrou e danou aquelas nações. A última foi a China. Agora, depois de ter seu povo sufocado e quase esmagado violentamente, viu-se mergulhado num atraso terrível, com imensos escândalos de corrupção. Mas seu povo, milenar e muito inteligente e metódico, logo encontrou um meio de se safar, ainda que parcialmente, das garras do Abutre Político – O Comunismo. Agora, está meio a meio. Age metade comunista e metade capitalista ou democrático. Encontrou um equilíbrio. Precário, claro, mas que lhe deu ao povo meios de retornar, ainda que lentamente, aos seus costumes antigos, milenares, que faziam da China um país maravilhoso. Talvez jamais retomem o que perderam com a violência e a cegueira da ditadura do Politiburo chinês, mas ao menos se equilibrarão num meio termo por um logo tempo.,

E nós? Somos um povo sem tradição nenhuma, embora tenhamos arraigada em nosso íntimo a alegria festiva do NEGRO AFRICANO; a CUPIDEZ GANANCIOSA do branco europeu e o LAISSEZ-FAIRE dos silvícolas, acostumados por milênios a ter de graça o que a floresta lhes dava abundantemente.

Minha filha e seu esposo e meu filho e sua esposa, em visita à Catedral de BSA - 2013.

Minha filha e seu esposo e meu filho e sua esposa, em visita à Catedral de BSA – 2013.

Somos, por isto, um povo caracteristicamente irresponsável. Ainda levamos na “brincadeira” e no “deixa-pra-lá” as trambicagens que os espertalhões fazem com nosso Erário Público. Mas o PT tem ao menos uma coisa boa: uniu-nos em revolta contra o exagero dos desmandos dos que têm o pesadelo idiotizado por alguma doença de alma de nos impor o viver comunistamente. Não dá, idiotas! Somos um país continental riquíssimo em tudo. Nosso povo jamais vai viver sob o regime dos cartões de alimentação. Sob o regime da racionalização de comida. Isto vale perfeitamente para países pequenos em território, mas nunca vingará no nosso Brasil. Claro que o sonho dos petralhas é dividir totalmente nosso país em pequenos territórios todos comunizados. Deste modo, acreditam eles, poderão nos colocar a sela, o bridão e o cabresto. Não dá! Nossa índole mesma é avessa ao esporão e a ter alguém sobre seu lombo.

Sim, vamos para as ruas. Não com armas, como aconteceria se nossa situação fosse em outro país, um europeu, por exemplo. Vamos para as ruas com nossa bandeira verde-amarela-azul contrapondo-a àqueloutra vermelha, horrível, sanguinolenta, sacudida pelos idiotizados da CUT e de organizações similares.

Somos brasileiros sem necessidade de se acrescentar a tola divisão “e brasileiras”. Homens e mulheres desta terra são todos “brasileiros”, pois no masculino, entre nós, está absolutamente implícito o lado feminino. Nenhum brasileiro homem, macho, dispensa sua mulher, sua filha, sua irmã ou sua mãe. Quando ele diz: “Eu sou brasileiro” diz, implicitamente que as mulheres de sua família também são isto.

A divisão estúpida dos divisionistas comunistas-socialistas é imoral e insultuosa em nosso país. Somos um único povo, admirado pelas outras nações porque lá não há gente igual em beleza, em alegria e em liberdade, em que pese a contrariedade que esta liberdade de ser imponha aos mesquinhos social-comunistas.

O que restou de mim, hoje, em 2016. Alquebrado, com lombalgia e problemas vários de saúde. Estou ido embora e não lamento por isto.

O que restou de mim, hoje, neste ano de 2016. Alquebrado, cheio de dores, com lombalgias e problemas vários de saúde. Estou ido embora e não lamento por isto.

Tenho uma vetusta coleção de VEJAS e ÉPOCAS onde leio e guardo esta história macabra que, no futuro, será reescrita com cores mais ao gosto dos patifes ou dependentes deles, de hoje. Eu espero que a Operação Lava-a-Jato faça meu povo compreender que ele pode, sim, continuar sendo jovial, alegre e rico, imensamente rico em bondade, camaradagem e fraternidade, mas para isto, que também compreenda de uma vez por todos que desde quando nasce o brasileiro está inserido num ambiente político e deve crescer atento a este fato. Deve-se tornar um vigilante feroz dos que, eleitos, tentam (e tentarão sempre) construir um Olimpo de Corrupção para ali dentro se acoitarem contra o viver REPUBLICANO. Sim, somos República (REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL). e se você nunca teve a curiosidade de ler sobre o que é a ideologia Republicana que adotamos até no nome de nosso País, já passa do tempo de deixar esta indiferença de lado e aprender sobre ela. Se realmente fôssemos um povo convictamente republicano essa imoralidade que está sendo exposta ao mundo e o espantando pelo tamanho e profundidade, jamais teria existido.

Brasileiros, meus irmãos, interessem-se pela POLÍTICA. Estudem Política. Filiem-se aos Partidos Republicanos e abandonem quaisquer outros. E filiados, batalhem para que os Políticos do partido que adotou, se mantenham honestos e fiéis ao Brasil acima de tudo, exceto do Criador.

Só assim, nossas terceiras e quartas gerações (a contar das de nossos netos) poderão ter novamente a vivência do Brasil que nós, acima dos 7o, vivemos e, desgraçadamente, não defendemos.