Quando sabia que tinha semeado a dúvida e provocado confrontos entre seus ouvintes, Ele se distanciava dos grupamentos e ia meditar e alhear-se do mundo humano de dores, e dúvidas, e sofrimentos.

Quando sabia que tinha semeado a dúvida e provocado confrontos entre seus ouvintes, Ele se distanciava dos grupamentos e ia meditar e alhear-se do mundo humano de dores, e dúvidas, e sofrimentos.

Yehoshua juntou seus discípulos e antes que soassem as 6 horas da manhã (1ª hora do dia, no horário de seu tempo), anunciada pelo sophar, arrumaram-se para partir a caminho de Betânia, nos arredores de Jerusalém, a uns 15 estádios de distância da capital (nota: 1 estádio romano = 185 m; então, 185 X 15 = 2.775 metros). Depois de se despedirem dos amigos, deixando-os desorientados pela pressa de Yehoshua, puseram-se a caminho. Os discípulos também estavam desorientados com aquela pressa, mas o Mestre lhes disse que pretendia visitar Lázaro e suas irmãs, Marta e Míriam, das quais ele gostava muito. Sempre o recebiam com alegria e sinceridade. Mas havia outra razão para aquela visita, a qual Yehoshua não mencionou aos discípulos. É que o Mestre precisava estudar mais uma vez a aura de Lázaro, pois sabia que ele seria o marco final de sua caminhada rumo ao Calvário. Quando decidisse obrar um milagre seu, totalmente seu, naquele grande amigo, este fato inusitado poria o Templo em ação e, então, nada mais poderia fazer retroceder o desfecho trágico que o esperava.

A viagem foi relativamente rápida.  Os quase sete quilômetros que separavam Belém de Betânia foram percorridos em menos de uma hora, pois o passo elástico e acelerado de Yehoshua encurtava o tempo de caminhada. Betânia ficava muito perto de Jerusalém, coisa de três quilômetros, e Yehoshua sabia que seu atrevimento lá no Templo havia dado início a uma ação de caça perigosa, na qual ele era o alvo. Também sabia que  Gabriel e alguns arcanjos os tinham salvados dos sicários a soldo do rabi Ananias. Isto ele não desejava que acontecesse, embora tivesse agido de caso pensado buscando despertar os mais perigosos rabis justamente porque eram os que mais pregavam as fábulas do Tanakh ao pé da letra. Eram os que mais pugnavam por manter na ignorância e no Medo todo Israel. Em pensamento, pediu ao seu amigo e protetor que tornasse Betânia esquecida de todos os que se aprestavam para matá-lo e a seus discípulos. Deste modo, não seriam incomodados, mesmo estando tão próximos do centro do furacão que ele mesmo provocara.

Mulheres e crianças o recebiam com alegria, pois ele era suave e delicado com elas.

Mulheres e crianças o recebiam com alegria, pois ele era suave e delicado com elas.

Marta e Míriam receberam Yehoshua com alegria esfuziante. Lázaro não se encontrava em casa, quando o Mestre e seus seguidores chegaram, mas foi avisado por um criado enviado pelas irmãs. Marta era apaixonada pelo jovem Yehoshua e não fazia segredo disto, em que pese conhecer e se dar muito bem com Míriam, a esposa do Cristo (= Profeta). Míriam, irmã de Marta, também tinha alimentado sonhos amorosos com o rapaz, que, agora homem feito, era mais bonito ainda. Mas quando este dera preferência a outra Míriam, ela desistira de suas esperanças. Chorara às escondidas e padecera por anos a desesperança de seus sonhos. Porque sabia e sentia todos aqueles dramas nos íntimos das irmãs de Lázaro, Yehoshua as tratava com muito carinho e lhes demonstrava grande amor fraternal. Isto as consolava e mitigava a frustração de não o terem conquistado.

Era a sétima hora (13 horas em nosso horário) e a família reunida sob um frondoso pomar de uvas conversava animadamente. Os discípulos, sentados em toras de madeiras que serviam de bancos, ouviam atentamente o que dizia o Mestre.

— Vós precisais corrigir vosso modo de pensar sobre o Criador de Todas as Coisas. Não tendes de passar as horas de vossos dias tentando viver de conformidade com o que manda o Tanakh, pois que tal procedimento não vos ajuda em nada. Ao contrário, para que possais viver de conformidade com o que ali é ensinado, deveis ouvir vossas consciências. Para que possais fazer isto, é necessário que deixeis de lado as pregações aterrorizantes que fazem os rabis em função de interesses próprios, mesquinhos e mentirosos. Olhai esta vinha. Ela não se preocupa nem com o que acontece com as árvores ao seu redor, nem com o que acreditam os homens que se brigam sob sua sombra. Ela segue seu impulso natural e vive de conformidade com as estações do ano. Também deveis regrar vossas vidas pela Liberdade de Ser, que nosso Pai Celestial vos concedeu. Não inventeis sofrimentos para vós, pois os que já vos determinastes são suficientes para preencher vossas existências de agora com os desafios necessários. Se tendes pouco, é porque assim vos determinastes para esta existência. Então, conformai-vos com o que tendes e vivei de conformidade com esta limitação, pois que há uma razão de ser para ela e esta razão não provém da Vontade de Meu Pai Celestial, senão porque vós mesmos vos determinastes a isto, ainda quando não havíeis nascido na carne.

Não volteis vossas Mentes para os desmandos dos governos de Reis, Governadores e Procuradores, pois estes são apenas fantasmas que, logo, logo, desaparecerão na poeira da estrada da Vida. De muitos deles nem memória de que existiram haverá. E isto é bom, pois maus exemplos e erros grosseiros de mandos e desmandos não perdurarão em vossa história sobre a Terra. Lembrai-vos que vós aprendeis com os sofrimentos e as dores. Estas, podem ser esquecidas por vossas descendências, mas estas mesmas, antes que o esquecimento apague a memória do que viveram na vossa companhia, deixarão para as próximas regimes e leis sociais bem melhores que as que vivestes, quando errastes e lhes legastes o aprendizado do que deve ser o certo e do que é errado. Assim é que vós avançais no caminho da Iluminação Espiritual Grupal, pois que no Reino de meu Pai, vós sois uma unidade, não o somatório de unidades. Vindes para este mundo com uma única finalidade: aprimorar vossos Espíritos na aprendizagem dos erros de quem ainda é criança espiritual e avançar na busca da iluminação divina. Enquanto este mundo terreno vos fascinar; enquanto derdes a seus tesouros maior valor do que dais a um escolho, então, não estais prontos para o Reino de meu Pai.

Em verdade em verdade vos digo: tudo o que há sobre a terra é pura ilusão. Tudo aqui é passageiro. Até o próprio mundo o é. Um dia, no futuro distante, este mundo se tornará desértico, seco, sem ar, estéril para a vida. Ele morrerá tal e qual vós mesmos. E tudo o que vós dais valor aqui; tudo o que vos fascina na carne, terá deixado de existir porquanto suas existências só o são em função do que pensais sobre isto. Vossos corpos de agora, quando morrerdes na carne, jamais será recomposto por todos os séculos e séculos vindouros. Este vosso corpo carnal de agora é somente uma roupagem que, uma vez desgastada, não prestará mais para uso. Não o desejaríeis nem se tivésseis a oportunidade de retornar a esta vida com a oferta de recuperardes esta carne novamente. Até porque tudo o que vireis a encontrar aqui, quando vossos Espíritos quiserem retornar, será diferente. Até os corpos vindouros terão mudados em função do aprimoramento que lhes serão necessários para sobreviver sobre novas condições de existência.

— Mestre — ouviu-se a voz de um jovem rapaz que se colocara de pé para ser visto por todos —, eu me chamo Manassés e sou filho de Ananias, o comerciante de frutas e hortaliças nesta vila. Dizeis que nossos espíritos retornam à carne tantas vezes quantas sejam para eles necessárias em função do que desejam aprender ou desenvolver. Mas esta vossa afirmativa é parcialmente aceita entre os rabis do Templo. Só os fariseus defendem esta visão. Os rabis saduceus afirmam que uma vez que morremos, ficamos em sono profundo até quando Yavé, bendito seja seu nome, decida chamar a todos de volta para o julgamento final. Então, os ressuscitados serão separados. Os bons, ficarão à direita de Yavé, bendito seja seu nome; os maus ficarão à esquerda de Yavé, bendito seja seu nome, e serão condenados ao fogo eterno. O que nos ensinais confirma a suposição dos fariseus e nega a suposição dos saduceus. Como podemos ter certeza de que sóis vós e os fariseus que estais com a verdade? Este assunto é central entre nosso povo. Até hoje ninguém conseguiu convencer a todos nós de quem entre os dois partidos está com a verdade. Vós ratificais a visão dos fariseus, mas como podemos saber que esta é a verdade?

— Manassés — falou Yehoshua — Dize-me: os homens, nesta época em que vós viveis, tem a média de vida de quarenta anos, não é? Neste tempo, mais da metade dele, todos cometem erros uns com os outros, bem como cometem faltas que são consideradas pecados diante do Juízo de meu Pai, ao ver dos rabis, sejam eles fariseus, sejam saduceus. Desde que o mundo é mundo se reconhece que a Sabedoria chega ao homem após uma longa vida de experiências, quase todas sofridas e decepcionantes. No entanto, os que chegam a ter uma longa existência neste mundo, envelhecem sabendo que não sabem de nada. Que o que aprenderam valeu para os momentos que viveu em seu passado. O que tentam transmitir é o que daquelas vivências anteriores passaram a constituir suas verdades individuais. Não significa que realmente estejam ensinando algo absolutamente certo e inquestionável aos jovens que se lhes seguirão vivendo, quando já tiverem partido. Suas experiências foram válidas para eles, não querendo dizer que devam ser admitidas como perenes e válidas para todos. Ora, se estais em um mundo de provação e aprendizagem para poderdes ganhar a Terra Celestial como vossa, segundo foi a promessa feita a Moisés e de conformidade com o que consta nos registros do Tanakh, mal interpretadas pelos rabis do Templo, ou por ignorância ou por interesses inconfessáveis por eles, tendes de vivenciar vosso tempo, vossas realidades modificadas em relação ao de vossos pais, avós e antepassados. Então, considerando o tempo de vida que tendes, há pouco tempo para que possais corrigir os erros que cometestes em vossa existência. Vê, meu querido jovem, que a Lei ordena: “Não matarás”. A Lei é claríssima: tu não deves matar nada que tenha a vida recebida diretamente de meu Pai, que também é vosso Pai. No entanto, se há uma situação de guerra entre dois povos, repentinamente sois convocados para a batalha e lá, dentro da refrega, matareis com a fúria que o medo de ser morto vos incitar a isto. Após a batalha, retornando à vossa gente, todos concordarão convosco de que naquela situação crucial para vós, tivestes o direito de matar o vosso irmão que ali estava, de armas em mãos, pronto para ele também matar por ordem de quem, encastelado em palácios, não estava participando da refrega. A concordância de todos não suspende o rigor da Lei. Vós matastes. Vós desenvolvestes em vosso íntimo rancor e mágoa contra o vosso suposto inimigo e toda vez que vierdes a vos encontrar com alguém daquela outra gente, mesmo em momento de paz após a guerra, reagireis contra esse alguém com o ódio e a mágoa que guardastes e que foi aprendido no ardor do caldeirão de ódios que ordens supostamente vindas de superiores vossos, vos levou a desenvolver e do qual não lutastes para vos livrardes. Quando morrerdes neste mundo e nascerdes para o mundo verdadeiro, o Mundo Espiritual, tomareis consciência de que cometestes grave erro para com a Lei de nosso Pai. Agora eu vos pergunto, meu jovem: é justo que este Pai Celestial puna aquele homem, aquele Espirito, negando-lhe a oportunidade de retornar e retificar seu erro praticando ações totalmente contrárias àquelas que lhe despertou e manteve o ódio na alma? Claro que o Espírito daquele homem já morto e cujo corpo não mais se refará, nascerá do ventre de outra mulher, em outra época, com outros tipos de governos. No entanto, é dentro desta nova situação que ele terá a oportunidade de agir corretivamente em relação aos assassinatos que cometeu nos tempos que viveu participando de guerra. Seu Espírito, em seu novo envoltório carnal e em um tempo diferente, propugnará por vivenciar situações nas quais terá chances de ter de volta aquele sentimento negativo e reagir a ele, esvaziando-o através de ações benéficas a outros irmãos seus. E estes irmãos poderão ou não ser os mesmos com os quais lutou no passado. Não há a necessidade de uma correspondência ponto a ponto, espírito a espírito, alma a alma. O que há é a necessidade de o Espírito encarnado novamente conseguir, em novas situações desafiadoras e incentivadoras do sentimento de ódio, vencer esta negatividade e superar em si os efeitos deletérios que todo sentimento negativo trás para qualquer Espirito em progresso para a Luz Divina. Então, o tempo de vossa vida, agora, é demasiadamente curto para que durante ele possais corrigir todos os erros e equívocos que tiverdes cometido antes da vida decrépita da velhice. A Justiça de nosso Pai não pune os Seus filhos condenando-os a uma vida pós sheol de dores eternas.  Não há desequilíbrio no Reino de meu Pai e a dor, o sofrimento, é desequilíbrio de alma que pode influenciar na caminhada do Espírito rumo à luz da Iluminação. Então, não ratifico a posição dos saduceus e parcialmente ratifico a dos fariseus. Estes, acreditam que o Espírito pode voltar em outro corpo, mas com suas posições anteriores resgatadas, o que não acontece. Já ouvi dizer que se murmura que eu ou sou o Espírito de Moisés, ou o Espirito de Elias que teria retornado a vós para vos ensinar novas Leis ou novos caminhos. Não. Eu não o Espirito de nenhum destes dois homens aos quais vos referis com os nomes que tiveram quando aqui viveram. Eu sou quem sou, assim como cada um vós é quem é.

Além disto, Manassés, vós sois induzidos em erro muitas vezes em função dos eleitos entre os homens para dirigir uma nação. Por egoísmo, por apego a valores inúteis, como posse de riquezas materiais, por ganância, por ódio, por crença em leis vigentes às quais aquele espírito, quando encarnado, nunca pensou em questionar. Há outros inúmeros motivos que levam o dirigente de um povo a suscitar entre eles a adoção de comportamentos legais, perante seus olhos míopes, mas totalmente contrários à Lei de meu Pai. Queres um exemplo? Eu to dou. Meninos e meninas nascem inocentes quanto aos costumes de seu povo. É entre eles que aprenderão os conceitos de certo ou errado para com leis e crenças vigentes entre seus membros. A mulher, mais fraca e trazendo em sua natureza constitucional a beleza, torna-se fácil vítima dos homens, visto que estes também trazem em suas naturezas o impulso para a coabitação com uma fêmea de sua raça. Por forças que independem do querer da mulher, ela pode-se ver enredada na vida de prostituta. Muitas, pelo azar de terem nascido belas. Os homens levam-nas à lastimável condição de prostitutas e de seus corpos eles usufruem com ânsia animal, puramente animal. Mas eles se esguiram para o leito daquelas infelizes, às escondidas, nas sombras da noite. Eles têm consciência de que cometem erro perante suas leis e temem punição. No entanto, quando a mulher é acusada de ser prostituta, eis que a Lei dos Homens, aqui, entre os hebreus, a condenam à lapidação. E ela morre assim, indefesa e apedrejada. Entre os que a assassinam, podem estar, e geralmente estão, aqueles que, antes, se tinham fartado dos prazeres de seu corpo. Eu pergunto: por que a lei dos homens condenam a mulher, mas não aqueles que com ela fornicaram às escondidas? Ela não nasceu prostituta. Ela foi transformada em prostituta pelos que desejavam apoderar-se do que ela possuía por herança de sua própria natureza: a beleza. Este crime, cometido pelos hebreus induzidos por rabis que não interpretam corretamente o Tanakh, é um exemplo que te ofereço para que compreendas o quanto sois influenciados por crenças perversas. Comodamente vós aceitais tais Leis, principalmente se ela vos privilegia em detrimento daquela que nasceu tão pura e inocente quanto vós mesmos, os homens. Este erro vosso, quando regressardes à Casa do Pai Celestial, vos aparecerá como uma nódoa na luz de vosso Espírito. E é aí que tomais a decisão de voltar ao mundo dos vivos na carne para buscar retificar este erro grosseiro.

— Mas o Tanakh — rebateu o jovem Manassés — manda que se repudie a mulher que comete adultério. E vós, rabi, sabeis disto, não?

— Sim, eu o sei. Mas também te pergunto: Por que no Tanakh não é permitido à mulher repudiar seu marido, quando este é pegado em adultério? Por que a ele não se aplica a Lei da Lapidação por fornicação? Se o Pai Celestial é justo, como bem o diz o Tanakh, qual a razão de Ele mandar que se suplicie a pobre prostituta e se repudie a mulher que foi fraca diante da tentação de um homem, e nada se faça ao macho que a tornou assim?

Um murmúrio de aprovação subiu em coro do grupo de mulheres presentes e que ouviam atentamente o que dizia Yehoshua. Manassés olhou ao redor e optou por se calar, pois poderia tornar-se alvo da raiva das mulheres ali presentes. Com um balbucio de agradecimento pelas explicações dada por Yehoshua ele se sentou e se manteve calado. Mas a bulha crescia entre as mulheres e uma discussão surgiu entre elas e alguns homens presentes à reunião. Yehoshua acocorou-se e passou a desenhar no pó do chão com o dedo indicador da mão esquerda. Desenhava um peixe e depois outro e mais outro. As pessoas, então, se deram conta de que ele se calara e a pouco e pouco o silêncio se refez, numa expectativa do que iria dizer o Mestre.

— Eu não defendo as mulheres pelo prazer de insultar os rabis, o Templo e o próprio Tanakh — ouviu-se sua voz, quando o silêncio pesou sobre o grupo. — Eu vim trazer a vós a boa nova da verdadeira Lei do Criador. E esta Lei é simples e já está no Tanakh há milênios: amai ao vosso próximo como a vós mesmos e só façais a eles o que desejais que se faça a vós. E a Lei conclui dizendo: Amai ao Pai sobre todas as coisas. E amar ao Pai sobre tudo é praticar seu mandamento numero um: “Não cometais falso testemunho”. E falso testemunho é Mentira e é o que mais praticais entre vós, sejais hebreus ou não. E eu vos digo que a Mentira é a mãe de todos os sofrimentos espirituais humanos. Ela é a que mais vos condena às dores de vosso Pai celestial que se manifesta em vós através do que conheceis como Consciência. É a este Pai silencioso que vos habita que deveis amar e deveis esforçar-vos para ouvir, pois ele jamais vos engana e sempre vos mostra as correções que deveis realizar para retificar erros cometidos. Mas com muita freqüência sois covardes demais para admitir o erro e enfrentar suas conseqüências para desfazê-lo. Daí que deixais a carne e ide com vosso espírito em sofrimento pelo que fizeste, pois a Consciência não morre, meus irmãos. Ela é o Pai sempre presente e sempre vendo e ouvindo tudo o que dizeis e fazeis.

— E qual é vosso conselho para que não tenhamos de enfrentar nosso Pai interno, nossa Consciência? — Perguntou outro homem, este mais bem velho que Manassés e demonstrando ser um pastor de cabras.

— Ouvi-o, quando ele se manifestar em vosso íntimo. Ele sempre o faz antes que cometais o ato imprudente. Ele sempre vos leva à clareza do erro que estais na iminência de cometer. Ouvi-o e evitareis as dores do Arrependimento, pois esta quase sempre não corrige o que se fez de mal. O ato pensado; o ato falado e o ato realizado se constituem em fardo para vós tanto mais pesado quanto mais moucos tenhais sido às advertências de vosso Pai.

Yehoshua pôs-se de pé e, pedindo licença, retirou-se em direção ao pequeno bosque distante dali menos de meio quilômetro. Deixou atrás de si acalorada discussão, com as mulheres defendendo ardorosamente suas colocações e os homens se sentindo agastados por elas.

Entre aqueles homens, muitos ficaram rancorosos com o que Yehoshua havia dito.