Aqui, no Planeta Azul, a raça humana caminha a passos firmes para um futuro assustador.

Aqui, no Planeta Azul, nossa raça humana caminha a passos firmes para um futuro assustador.

Diz-se que a sentença “Conhece-te a ti mesmo” estava escrita no pórtico do Templo de Delfos há tanto tempo que não há registro de quando. Nem tampouco se sabe quem o escreveu ali. A sentença passou séculos ecoando pelo mundo e chegou até nós. E tal como o enigma da Esfinge, que exigia que seus enigmas fossem decifrados ou ela devoraria o incauto, ele não foi alcançado. Sim, afirma-se que Édipo decifrou o enigma proposto pelo monstro. Ele simbolizava o Homem. Mas ninguém realmente decifrou aquele enigma e a coitada se matou à-toa. Então, vamos começar nosso périplo por estes gigantescos desafios lembrando que eles são a base de nossa Salvação. Ou chegamos ao âmago de ambos, ou continuaremos patinando desesperados por este “mundo de lágrimas”.

Então, nossa base para o que vamos aprender aqui fundamenta-se nos dois desafios:

a) Conhece-te a ti mesmo;

b) Decifra-me ou te devoro.

Esfinge

“Decifra-me ou te devoro!” Eis a questão.

Comecemos pela descoberta mais importante da medicina: somos a máquina mais perfeita que há sobre este planeta. Pode haver alguma mais aprimorada algures, num planeta qualquer entre os bilhões que existem galáxia-a-fora. Mas aqui, no sistema solar, nós somos aquela que melhor se adapta às condições adversas do planeta Terra, que é selvagem, violento, ameaçador e sempre instável na terra, no ar e no oceano.

Essa máquina, por muitos e muitos séculos, pensava que era separada do todo universal. E tinha muito, muito medo. E por medo imaginou deuses terríveis. O tempo transcorreu e a máquina chamada homem cometeu os mais bárbaros assassinatos nas aras de templos dedicados a deuses eidéticos. Mas aos poucos ela foi-se desenvolvendo. E vieram os gregos, grandes pensadores da humanidade. E vieram outras civilizações. E vieram avatares intrigantes, que falavam de uma Realidade além da realidade. E em todas as civilizações, de algum modo, foi-se descobrindo os segredos da Natureza e aos poucos foi-se dominando os modos de como lidar com eles. Mas à custa das descobertas dos segredos físico-químicos da Natureza Natural e da Natureza Física Humana, aquela idéia de Deus foi morrendo. Materializando-se, o homem perdeu a crença em deuses e em um Deus todo poderoso. E ele mesmo se colocou no lugar daquela deidade imagética. E, atualmente, Deus está mais do que nunca longe do homem civilizado e cientificado. Foi substituído pelas Ciências do Conhecimento Humano. Fantásticas, elas podem levar-nos, em futuro próximo, a programar quando, como e com que características nossas futuras gerações deverão nascer. E não necessitarão permanecer no ventre das mulheres. Serão produzidas em massa, em laboratórios controlados por cientistas altamente capacitados para monitorar cada segundo da formação do corpo humano. E até poderão determinar quais tipos de reações emocionais serão predominantes nos seres pré-programados. Uns virão com uma carga odiosa (sem a conotação de violência, como nos recorda o termo ódio, atualmente) intensa, o que os preparará para desempenharem as mais árduas tarefas, sejam nos trabalhos pesados, sejam nos campos de batalha. Outros virão com uma carga medrosa intensa (sem a conotação de covardia, que atualmente se conecta perceptivamente a esta emoção). Estes medrosos serão predispostos para trabalhos de pesquisa e afins. Serão os melhores cientistas na pesquisa e descoberta de segredos mais delicados da Mãe Natureza. Talvez sejam eles que virão a erradicar de vez toda e qualquer doença física que atualmente atormentam a raça humana. Finalmente, a terceira categoria de humanos virá intensamente carregada da reação emocional de Culpa (sem a conotação de depressividade e derrotismo que atualmente a esta reação se atribui). Serão os que irão estudar e criar as melhores Leis para regular a convivência humana nacional e internacional. Serão os que buscarão os melhores meios de tornar a vida humana encarnada no físico muito melhor, muito mais distensa, muito mais justa e mais feliz. Esta previsão não está tão distante quanto possa parecer ao descuidado cidadão de hoje.

Mas, perguntemo-nos: mesmo chegando a tantas maravilhas, o ser humano ter-se-á conhecido de verdade? Ter-se-á descoberto todo?

A resposta é NÃO. Não é na Matéria que o Ser Humano encontrará o que busca desesperadamente. Mas parece que será necessário que desça até os mais profundos abismos materiais para que, finalmente, abandone o Reino do Mâyâ e se volte para outro Reino, aquele em que sempre viveu e jamais soube de sua existência. Mesmo que consiga até viajar entre os mundos paralelos e ver e conversar com suas cópias naqueles mundos; mesmo que aprenda coisas maravilhosas com os habitantes daqueles mundos invisíveis para as pessoas de hoje, ainda assim a raça humana desta realidade em que nos encontramos não se terá aproximado nem um milímetro da Realidade Suprema.

Por isto, vamos começar devagar.

Temos três mecanismos, digamos assim, com que interagir entre nós e com a realidade ao nosso redor. Estes mecanismos são:

a) sistema físico;

b) sistema emocional;

c) sistema psíquico.

Agora, se você não perguntou, eu faço a pergunta por você: por que chamo de mecanismos a estes sistemas? O termo mecânico implica a idéia de algo que não possui vida nem vontade própria. Algo composto de partes puramente físicas, puramente materiais. O que não é verdade para o sistema emocional e, menos ainda, para o sistema psíquico. Explico: enquanto ser social; enquanto pessoa, nós somos seres que vivemos a vida no “piloto automático”. Se não concorda, escolha um dia de sua vida para sair de si mesmo e se colocar como objeto de observação e estudo. Verá que a maior parte de seu dia desperto você age mecanicamente. Não por sua vontade mesma, mas sim por exigências de um sistema muito maior que a totalidade da comunidade em que você se insere – uma rua, um bairro um município, um Estado da Federação ou o próprio País. 

Você é inapelavelmente um ser gregário. Você nasceu para viver em grei, isto é, em grupo, em sociedade. Pode até sofrer desequilíbrio em dois dos mais importantes sistemas que o constituem, o Emocional e o Psíquico, e por isto se isolar, se ausentar da vida interativa. Mas nem por isto deixa de ser um ser gregário. Sobreviverá porque outros não isolados cuidarão de sua existência e se esforçarão para que continue no grupo, mesmo que em instituições especializadas nos cuidados de seres como você.

Então, esta é sua primeira verdade: você nasceu para viver em sociedade e não pode escapar deste determinismo natural. Discorda? Então, argumente o contrário. Você é livre para fazer isto. Eu, para concordar ou discordar de você. Afinal, nossa Constituição, em seu TÍTULO II – DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS,  Artigo 5º, Alínea IV, diz que: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. Quando eu escrevo neste blog e nele coloco meu nome de batismo, cumpro com o que manda nossa Constituição. E na alínea V é dito que: “é assegurado o direito de resposta” e acrescenta que, em havendo agravo, com dano material, moral ou à imagem do agravado, cabe indenização. Isto é Republicanismo e Democracia na sua mais pura essência. E como se diz que vivemos em um país republicano e democrático, então, você pode argumentar à vontade contra o que aqui digo, mas não lhe é reconhecido o direito de ofender-me de modo a atingir minha imagem de cidadão, aqui incluído palavrões e afins.

O Criador do Behaviorismo deixou um belíssimo legado de conhecimentos práticos que podem ajudar e muito aos que necessitam de auxílio profissional.

Skinner, o Criador do Behaviorismo deixou um belíssimo legado de conhecimentos práticos que podem ajudar e muito aos que necessitam de auxílio profissional.

Prosseguindo, o homem não somente é um ser filogeneticamente gregário, como também é um ser filogeneticamente responsivo. Ou seja, nossa vida é toda desenvolvida dentro de um sistema ESTÍMULO-RESPOSTA. Isto está conforme com o pensamento de Burrus Frederic Skinner. Posteriormente se acrescentou o organismo intermediando o Estímulo (S) e a resposta (R). Mas são detalhes que não nos importa neste momento. O que nos importa é saber que vivemos inapelavelmente num sistema em que nosso organismo global (físico, emocional e psíquico) responde a estímulos vários. Uma gama quase infinita de estímulos externos e outra, do mesmo modo, de estímulos internos. 

A Ciência da Psicologia parou nos três corpos de manifestação do ser humano, a saber: o corpo físico, o corpo emocional e o corpo psíquico. No entanto, de par com o pensamento religioso, os mestres do Tai-Chi-Tchuen, entre eles meu muito saudoso mestre Wu Chao-tsiang, afirmam que nós temos três cavalos. Um, o cavalo físico, mas nós não somos este cavalo; outro, o cavalo emocional, mas nós também não somos este cavalo. Finalmente, o terceiro, o cavalo mental, mas nós também não somos este cavalo. Nós somos algo que tem a missão de controlar e encontrar o equilíbrio entre estes três animais, os quais variam em termos de velocidade, de energia emocional e de energia psíquica”. O que somos, dizem os mestres shao-lin, é Espírito e a arte marcial só é valida quando ensina o praticante que ela é um meio, entre outros, de o homem encontrar a si mesmo, muito além da vida mundana. 

Se você leu até aqui, então, é uma pessoa apta para prosseguir aprendendo sobre os desafios de Delfos e da Esfinge. E como o que eu disse acima é complexo para quem, pela primeira vez, adentra este terreno, vou ficando por aqui.

Até nosso próximo encontro.

NAMASTÊ!