Bom, cá estamos outra vez. E vamos mergulhar no conhecimento daquilo que é mais importante para você e para todos nós: nossa Mente Pensante; nosso Psiquismo. A primeira pergunta é: como se estrutura nosso Ser, aqui englobando o corpo físico, para que possamos apreender a realidade aparente que nos cerca e dentro da qual vivemos?

Existem dois tipos de sofrimentos: um, físico, causado por ferimentos ou micróbios. Outro, fruto de reações emocionais disfóricas e pensamentos maus.

Existem dois tipos de sofrimentos: um, físico, causado por ferimentos ou micróbios. Outro, fruto de reações emocionais disfóricas e pensamentos maus.

Não há ser vivente que não tenha passado ou esteja passando por um destes três planos de sofrimento e dor:

a) sofrimento físico – causado por infecções microbianas, ferimentos ou traumatismos diversos;

b) sofrimento emocional – causado por desequilíbrios vários no sistema emocional do sofredor;

c) sofrimento psicológico – causado pelo sistema percepto-cognitivo da pessoa.

Não vamos cuidar de nada que diga respeito a doenças físicas. Isto é da área médica e se restringe à matéria. Nós nos voltaremos para a área mais nobre que temos: emoções e psiquismo. O físico ressona diretamente qualquer abalo nestas áreas nobres do ser humano e pode aparentar doenças de origens objetivas, oriundas de acontecimentos do mundo exterior. Entanto, as duas áreas que mais nos importam, emoção e psiquismo, são ainda quase totalmente desconhecidas dos cientistas, mesmo que já tenhamos avançado muito neste terreno.

Bom, vamos simplificar para você. Seu corpo, sua totalidade, pode ser compreendida como constituída de:

1 – sistema fisiológico (área médica);

2 – sistema emocional (área psicológica-psiquiátrica);

3 – sistema psíquico (área psicológica-psiquiátrica).

Hierarquizando do mais denso para o mais sutil, você começa a ser este ser pensante a partir do físico. É aqui que estão os cinco sentidos sensoriais. Somente cinco. E com estes cinco sentidos você pensa que pode perceber absolutamente tudo que há sobre a Terra e é aí que você se engana fragorosamente.

Nossos cinco sentidos podem ser facilmente enganados. Quer ver? Então, faça este experimento simples. Mergulhe sua mão direita em água bem gelada e sua mão esquerda em água quente, durante um minuto. Depois, coloque ambas as mãos dentro de um recipiente com água à temperatura natural. Vai ter uma surpresa. Experimente!

A pergunta é: a água ao natural está fria ou está quente?

Você pode fazer este experimento com os pés. O resultado será o mesmo. Ele lhe mostra que sua realidade objetiva é dependente de suas condições físicas. O daltônico não percebe a mesma gama de cores que você, que não o é. E assim sucessivamente, de tal modo que você e mais cinco pessoas dentro de um quarto com cinco objetos de cores diferentes, nenhum de vocês perceberá a verdadeira cor de cada objeto, mas sim a gama luminosa que seu sistema óptico pode captar. Ou seja: a realidade ao seu redor não é a mesma para você que a realidade para quem esteja ao seu lado. Ninguém percebe o ambiente exatamente igual à percepção das outras pessoas. Há nuances que variam em função da capacidade de captar a variação das ondas luminosas que cada indivíduo possui, assim como estas capacidades sofrem interferência de estados morbosos (doentios) se alguém que esteja no grupo em que você também se encontra, apresente-se adoentado. Ou seja: todos nós vivemos em um mundo particular, singular e único para nós mesmos. 

Esfinge

“Decifra-me ou te devoro!” Você começa a ver que isto é muito difícil, não?

Como você vê, a coisa começa a se complicar. Se você está com idade superior a 60 anos ou sofre de algum problema físico no seu sistema auditivo, não captará sons sutis. Por exemplo: um botão cai da mesa no chão. Você não capta o som da queda do pequeno objeto. Mas se seu filho de três anos estiver perto de onde o botão caiu, virará a cabeça à procura do que fez o som que seus ouvidos captaram. Com a idade temos a tendência, principalmente os citadinos, a cultivar uma “saparia” horrível em nosso sistema auditivo. Os “sapos auditivos” coaxam dia e noite ininterruptamente, o que atrapalha sobremodo a captação de sons até mesmo sons comuns como o da fala de alguém. Sim, o ruído permanente nos ouvidos dos idosos é um fenômeno considerado “natural”, mas não o é. Inúmeros fatores atuam para que ele aconteça. O som constante e perturbador é fruto de uma gama muito grande de causas. Você lê em revistavivasaude.uol.com.br como causa do ruído constante nos ouvidos, o seguinte: “o acúmulo de cerúmen no canal do ouvido (orelha externa), as infecções, doenças do labirinto e exposição a sons intensos. Um exemplo típico são os shows de rock: logo após um espetáculo desse tipo, as pessoas podem sentir um zumbido, além de apresentar dificuldade para ouvir. Se os sintomas persistirem é necessário procurar ajuda médica. Outra causa comum é o consumo de altas doses de medicamentos que podem ser tóxicos para o ouvido interno: anti-inflamatórios, não-esteróides, ácidos acetilsalicílicos (aspirina), alguns diuréticos e antibióticos, quinino  e drogas similares, bem como a quimioterapia. O sintoma também se relaciona ao diabetes, pressão alta, alterações da coluna cervical, disfunções da articulação temporomandibular (aTM), ansiedade e até depressão. Consumo excessivo de açúcares ou cafeína gera ou agrava o problema em alguns pacientes. Carência de vitamina B12 e doenças que aumentam a pressão sanguínea (hipertiroidismo) ou diminuem a viscosidade do sangue (anemia) estão relacionadas ao zumbido pulsátil.” Como você pode verificar, sua saúde auditiva é dependente, demasiadamente dependente, de fatores externos que a desequilibram e você nem sabia disto. Não é?

O que você enxerga de imediato? Uma moça ou uma velha? Há traumas psicológicos que podem fixar a visão de uma figura e impedir a visão da segunda.

O que você enxerga de imediato? Uma moça ou uma velha? Há traumas psicológicos que podem fixar a visão de uma figura e impedir a visão da segunda.

Agora, olhe para a figura ao lado e veja o que descobre. De imediato ela se lhe afigura o perfil de uma pessoa. Mas se prestar atenção, há outro perfil oculto à sua percepção. Esta figura é clássica entre estudos psicológicos. Há uma teoria que diz que se você tem traumas reprimidos relativamente ao seu relacionamento com sua mãe, quando criança, não perceberá um dos dois perfis, o da mulher velha. Perceberá rapidamente o perfil da moça. E só conseguirá perceber a velha quando alguém a pinte para que sobressaia no desenho. No entanto, se você tem dificuldades psicológicas para se aceitar como bonita(o), seja física, seja moral, ou seja emocionalmente, verá de imediato a figura da velha e apresentará dificuldade de perceber a figura da jovem. Bom, são hipóteses que foram muito discutidas em Psicologia, mas que atualmente não parecem estar no gosto dos novos estudantes desta Ciência sutil. De qualquer modo, a hipótese continua válida, pois os testes projetivos, como o HTP, hoje não tão estudados como no meu tempo, mostram o quanto há de correto nesta hipótese.

Nesta outra figura-e-fundo, o que você vê?

Nesta outra figura-e-fundo, o que você vê?

Outrora, em testes de psicologia, esta e outras figuras ambíguas eram utilizadas para se avaliar o equilíbrio psicoemocional do candidato. Em clínicas de psicologia eram muito usadas. Mas agora, com a banalização da figura-e-fundo, elas perderam muito de sua função na Ciência da Psicologia. Embora a análise do grafismo e de sua representatividade psicológica tenha muita contestação, pois supõe-se ser impossível eliminar a interferência da Identidade do examinador nos resultados obtidos, creio que estes testes têm uma validade enorme. Eu, particularmente, ainda acredito que as “figura-e-fundo” são de grande importância na análise psicológica da saúde e do equilíbrio psicoemocional de um cliente de psicologia clínica.

Na figura-e-fundo ao lado, você pode ou enxergar um rosto por detrás de um suporte de vela, ou pode enxergar duas faces que se miram e não enxergar o suporte da vela. Isto ainda tem significado psicológico na análise do estado psicoemocional da pessoa. As duas faces em antagonismo têm um significado psicológico diferente da face única que olha para a pessoa lá de dentro do desenho e por detrás do candelabro. Muitos viam nas faces antagônicas simbolismo de amor, paixão, antagonismo, lesbismo, oposição, conflito etc… Outros, na face que mira quem olha para o desenho, viam solidão, questionamento, auto-desconhecimento, pedido de ajuda, timidez, culpa, inquisição objetiva etc… Bom, você pode perquirir a si mesmo quanto a como sente esta figura-e-fundo. Saia do ambiente social imediato e se deixe fluir “lá de dentro de si” e tente perceber que mensagem a figura-e-fundo lhe suscita. É interessante. Experimente!

Mas, voltando ao nosso feijão-com-arroz, estamos estudando alguns fenômenos relativos à nossa capacidade sensorial. E nesta área vimos que nossas sensações podem ser enganadas ou confundidas, de modo que nem sempre se deve acreditar piamente no que alguém nos relata, visto que nos baseamos nos nossos sentidos para descrever fatos ou ambientes. Quando vivi entre os índios aprendi com eles que não se deve dizer “você está mentindo” quando alguém relata um acontecimento em que também estivemos presente. Os índios me diziam que cada pessoa tem sua verdade e ainda que esta discorde da nossa verdade, devemos respeitar a do outro. Muito sábio e muito justo. Se os “brancos” agissem assim, quantas querelas e quantos aborrecimentos não seriam evitados, não é?

Estudar Psicologia é fascinante. Pena que nem todos sejam aptos para este estudo.

Estudar Psicologia é fascinante. Pena que nem todos sejam aptos para este estudo.

Bom, neste nosso encontro você aprendeu que seus cinco sentidos não retratam fielmente o que se tem como a realidade exterior a nós, o nosso mundo objetivo. Cada um de nós apreende esta realidade exterior de conformidade com variáveis intervenientes (isto é, variáveis que não podemos controlar) que desconhecemos. Então, é muito sábia a sentença dos mais velhos que dizem que temos “dois olhos, duas orelhas, só a boca não tem par. Quer dizer que é mais prudente, ver, ouvir, do que falar”.

Observe o mundo ao seu redor com mais silêncio e mais detalhamento do que somente de modo superficial. Ouvir e ver não lhe dão a certeza de que realmente vê e ouve o que devia enxergar e escutar.

Parece bobagem eu estar discorrendo sobre coisas que lhe parecem tolices, não é? Coisas óbvias. No entanto, como me disse uma saudosa professora dos meus tempos de faculdade, “a Psicologia é a ciência do óbvio”.

E se você quer esconder algum segredo de alguém, torne-o óbvio, pois o óbvio é justamente o que menos se enxerga.

Até nosso próximo encontro e

NAMASTÊ!