A pesquisa científica pragmática não pode ir além do microscópio e dos experimentos de resultados inferenciais.

A pesquisa científica pragmática não pode ir além do microscópio e dos experimentos de resultados inferenciais.

Voltamos. Nada como ter filho engenheiro de computação. Bom, vocês viram que a cognição depende de muitos “sistemas” intrapsíquicos, a saber:

a) Memória – presente ou recordativa;

b) Aprendizagem – que se dá por condicionamento ou por modelagem;

c) linguagem – falada, escrita e simbólica;

d) Associação de Idéias.

e) Experiências e Vivências ativas;

f) Carga Emocional.

Vamos ampliar nossos conhecimentos sobre cada um dos sistemas acima. A memória é um fenômeno psíquico que transcende, como todos os demais, o âmbito dos neurônios, embora necessite deles para ter existência material.

ESQUEMA DO HIPOCAMPONosso psiquismo é um fenômeno jamais compreendido pela Ciência Pragmática, visto que esta ainda se prende a somente dar aval ao que é passível de ser medido, tocado e examinado em laboratório. Mas fenômenos psíquicos e emocionais não podem ser mensurados diretamente. Pode-se chegar a conclusões inferenciais a partir de seus resultados comportamentais ou hormonais. Com certa euforia os cientistas de Ohio informaram ter descoberto o local no cérebro humano onde as memórias das situações vividas por nós ficam “armazenadas” em ordem de data e local de acontecimento. Esse estrato no cérebro seria o hipocampo. No entanto, nenhuma memória foi detectada objetivamente, mas tão-só através de estimulação elétrica nesta área, a única que, quando estimulada, desperta as recordações que foram capturadas através de disparos elétricos neuronais levados da periferia do corpo até este centro especializado no encéfalo. Nenhum neurônio sofreu qualquer alteração em função das memórias gravadas. Continuaram e continuam tal e qual eram desde quando se formaram. Isto confirma que há algo muito além dos estratos cerebrais. Algo que de algum modo se prende a tais áreas. E é neste algo além do físico que realmente se registram as memórias com todas as suas cargas emocionais.

Este esquema não retrata a realidade. É somente para efeito de estudo, pois os três cérebros se interpenetram tão intimamente que parecem um único.

Este esquema não retrata a realidade. É somente para efeito de estudo, pois os três cérebros se interpenetram tão intimamente que parecem um único.

Assim como é o caso do hipocampo, também o é para todas as demais estruturas cerebrais. O cérebro é, na verdade, um acumulador de mensagens elétricas neuronais, mas não vai além disto. Ao se estimular determinadas áreas dentro dele, de algum modo também se estimula uma área transcerebral, além do físico-denso, e isto faz que as memórias relativas às especializações daquelas áreas se tornem conscientemente percebidas. E a Consciência é outro dilema insolúvel até agora para as pesquisas médico-psicológicas. Pior é que temos dois tipos de Consciência: a Consciência Desperta e a Consciência do Sono. Nesta, os sonhos são o enigma pesquisado desde o tempo dos faraós. 

No que diz respeito ao conhecimento geral e superficial do psiquismo humano, vamos ficar por aqui. Até voltarmos ao estudo da Teoria Cognitiva da Personalidade vamos trilhar um longo e fascinante caminho das Teorias psicológicas que procuram incansavelmente explicar esta coisa chamada Ser Humano.

E vamos começar estudando o homem a partir da análise de seu comportamento manifesto. Antigamente este estudo era chamado de “Behaviorismo”, termo derivado de behavior = comportamento. Depois, dizia-se simplesmente “Comportamentalismo”. Não interessa. Dê-se o termo que se dê ao estudo do homem a partir de como se comporta manifestadamente em seu ambiente, esta vertente de pesquisa se desenvolveu a partir da observação feita por médicos lá pelos idos da metade do Século XIX. Charcot e Janet se destacaram como exemplo deste tipo de investigação. Suas observações eram feitas em pacientes que sofriam da disfunção conhecida como histeria. E as mulheres eram as pacientes mais observadas. O machismo daqueles tempos não admitia homens histéricos. Foi quando surgiu Sigmund Freud, que desenvolveu uma intrincada teoria para explicar o comportamento histérico. No rastro dele vieram Carl Jung e Alfred Adler. Ambos discordavam da visão “sexista” de Freud e, por isto, criaram suas teorias específicas para também explicar o homem através de um intrincado complexo de análises psico-sociais.

Então, vamos iniciar estudando alguma coisa sobre a Teoria Comportamental da Personalidade Humana.

Até meados do século XX imperavam as teorias criadas por médicos e psicanalistas. Mas a Psicologia Experimental ampliou muito o campo de observação e estudo da Personalidade humana. E isto fez que estes estudos ultrapassem o campo restrito da observação realizada com pessoas que apresentavam distúrbios psicológicos e somáticos derivados.

A Psicologia Experimental tomou para sujeito de suas pesquisas pessoas consideradas sãs e buscou determinar leis gerais para uma gama variada de comportamentos. Isto trouxe o estudo da “Personalidade” para o campo da Psicologia. Esta, não se prendeu ao estudo apenas de doentes e desequilibrados emocionais, mas buscou descobrir como se estruturam os comportamentos humanos, definindo para ele regras gerais.

Esfinge

Para os que desejam estudar Psicologia estes artigos são um maná. Para os que não estão nem aí para o auto-conhecimento, são uma chatice sem tamanho. Mas nem o Cristo agradou a todos…

Você deve ter notado que coloquei o vocábulo personalidade entre aspas. É que este termo é muito vago, muito impreciso. Alegou-se que ele derivava daquela máscara usada pelos atores de outrora, no palco, para representar as identidades que traziam ao palco. Mas, etmologicamente, Personalidade vem do latim: persona = pessoa, acrescido do sufixo português “dade” que empresta à palavra derivada o sentido de “o que tem”. Ex. Fealdade = o que tem a qualidade de feio; Maldade = o que tem a qualidade de mal; bondade = o que tem a qualidade do bom; criatividade = o que tem a qualidade da criação. E assim por diante. Decompondo mais a fundo este vocábulo Personalidade, encontramos que per = por, em português; sonus = som, em português; finalmente “dade” é o sufixo que empresta o significado de “o que tem a qualidade de”. Assim, PERSONALIDADE pode ser compreendido como “aquele que tem a qualidade do som”. Ora, todo bicho vivo que possui cordas vocais, e até os que não a têm, como os grilos, por exemplo, possuem a qualidade do som. Uma rocha alta emite som quando o vento ricocheteia nela. Então, a rocha e o grilo têm personalidade. Até times de futebol têm personalidade, como se lê com muita freqüência em resenhas esportivas. Então, o vocábulo “personalidade” é vago demais para definir o que realmente somos. Entendeu?

Eu prefiro, em relação a nós, o vocábulo Identidade, pois ele expressa algo que é singular de cada pessoa (identidade = o que é idêntico a si mesmo e a mais nada). Uma Identidade nunca é igual a outra e é o somatório de todas as aprendizagens do indivíduo, desde aquela feita por imitação ou treinamento específico até aquela feita sem consciência, como é o caso do filho que absorve a manifestação comportamental de seus pais sem se dar conta de que o faz. Esta aprendizagem é conhecida como modelagem, em psicologia. Mas a Identidade vai além. Ela também engloba os pensamentos dedutivos, indutivos e criativos do indivíduo, o que o singulariza mais ainda em uma população humana.

E tem mais. A Identidade estrutura-se em torno de vários eixos, que podemos imaginar como os fios de uma corda que se enrolam em espiral para compor este objeto. Assim, em momentos diferentes, dentro de ambientes diferentes, a Identidade tem uma faceta, ou um fio específico, que apresenta para facilitar à pessoa a interação fenomenológica dentro e atuante naqueles ambientes especiais. É por isto que a pessoa humana é tão complexa e tão fascinante.

Bom, de qualquer forma, conforme diz R. W. Ludin, “persona” é a aparência externa que alguém apresenta publicamente com vistas a se adequar ao ambiente social; mas não é o indivíduo mesmo. Por isto se aceita personalidade como a máscara que representa para o exterior a Eu individual.

Fico por aqui.

NAMASTÊ.