Regência verbal é complicado, mas quando o povo não estuda seu idioma vira zorra total.

Regência prepositiva é complicada, mas quando o povo não estuda seu idioma vira zorra total (6/07/2016).

Nosso idioma pode apresentar cascas de banana na hora de se escrever ou falar. É o caso do título ao lado, na FOLHA DE SÃO PAULO. Indicar = apontar com o dedo, mostrar, designar, sugerir, especificar, demonstrar, expressar etc…

Ora, esta abundância de significações para um verbo confunde, realmente. A oração em destaque poderia ser escrita:

a) General que defende golpe de 64 é designado para…

b) General que defende golpe de 64 é sugerido para…

c) General que defende golpe de 64 é recomendado para….

Note que a preposição que rege estes verbos é PARA e, não, A. Agora, veja esta construção clássica, ensinada ainda hoje (por incrível que pareça) nos cursos de primeiro e segundo graus: Ela se veste à francesa; ele falou à Camões; ela reportou-se à galega; ele foi indicado à brasileira… etc…

A crase, que, como se sabe (ou devia saber) funde uma preposição a um artigo (feminino: = à; masculino: = ao), nos exemplos dados só é factível porque se elide a palavra MODA, à qual a crase se refere, antes do verbo. Assim, as orações dos exemplos a seguir com a palavra MODA explicitamente citada, deve esclarecer melhor este tema:

a) ela se veste à MODA francesa; b) ele falou à MODA de Camões; c) ela reportou-se à MODA galega; d) ele foi indicado à MODA brasileira….

Agora, volte a ler o título do artigo da FOLHA DE SÃO PAULO e veja onde está o erro. Não descobriu? Danou-se! Você tem de voltar para o velho Ginásio….

VEJA: General que defende golpe de 64 é indicado (à moda) FUNAI. Mas existe mesmo esta moda, no sentido maneira de? Claro que não. Então, o apego ao emprego da preposição “a” com ou sem crase, que é vício do paulistanês, é um erro danado de grosseiro e desfigura totalmente a mensagem que devia se conter na oração.

Aliás, responda: você sabe o que são as preposições? O que elas definem na ordenação dos vocábulos portugueses? Com certeza esta classe de palavras tem uma função bem definida e possui importância na nossa língua escrita e falada, como toda e qualquer outra classe. Então, responda: o que são e para que servem as preposições?

"Caramba, cara, eu pensava que sabia falar português..."

“Caramba, cara, eu pensava que você sabia falar português…”

Ixi! Compricou, né não? Bom, se você tivesse realmente estudado seu idioma, não acharia nada complicado. Sim, as classes gramaticais em que as palavras portuguesas são agrupadas têm funções bem definidas. E se você deseja mesmo se comunicar, isto é, criar uma mensagem em seu pensamento e traduzi-la em palavras para que outra pessoa compreenda o que você deseja comunicar, é absolutamente indispensável que conheça estas classes gramaticais. Se não, você só dará paulistanadas nos ouvidos de seu ouvinte. E sua mensagem, mesmo que contenha ótima idéia ou ótima informação, ficará perdida entre seu pensamento e a compreensão do outro. 

A Folha mesma se corrigiu.

A Folha mesma se corrigiu.

Agora, veja o que acontece na mesma FOLHA DE SÃO PAULO, edição de 06/07/2016. Na página A4, temos o mesmo chamamento da página inicial, agora corretamente escrito. Então, por que na primeira página de tão conceituado Jornal se cometeu um erro crasso como o acima? Economia de espaço? Ridículo! Eu prefiro acreditar que foram duas pessoas a escrever a mesma oração. A primeira, fala paulistanês – um dialeto que embola e manda e você que compreenda. A segunda, fala português do Brasil, uma língua que quando falada corretamente, a gente entende.

Você gostaria de entender mais um tiquinho assim sobre a classe das preposições em nosso idioma? Então, lá vai.

A gente sempre começa pela definição da coisa que se vai abordar. Então, vejamos como é definida a CLASSE DAS PREPOSIÇÕES.

Preposição é a palavra (ou o conjunto de duas palavras) que posta entre duas outras, estabelece uma relação de subordinação da segunda palavra à primeira. Isto é difícil de entender? Claro que não! Então, por que os estudantes dizem que “português é chato?” Eu não entendo isto. Português é a língua que devemos falar E DEFENDER COM UNHAS E DENTES (e língua também).

Exemplo da preposição em sua função correta:  CASA de PEDRO. Nesta oração, a preposição marca ou indica ou afirma uma relação de posse. Pedro é o dono da casa e esta não pode pertencer a outro. Então, PEDRO está subordinado gramaticalmente a CASA. Ela é sua responsabilidade. Entendeu? Aqui não cabe o raciocínio vulgar de que a casa, por pertencer a Pedro, a ele é subordinada. Não. Gramaticalmente, Pedro é que se subordina à posse da casa.

Outro exemplo: ELA FALOU de FLORES. Aqui, a preposição marca uma relação de objeto e é este objeto que subordina o ato de falar.

ELE PASSOU por AQUI. Neste exemplo, marca-se uma relação de lugar por onde. AQUI subordina o ato  de passar que ele executou.

ELE CAIU de QUATRO. Neste outro exemplo, marca-se uma ênfase na intensão de se ressaltar o espanto dele. Então, Quatro subordina o ato de cair (=espantar-se). E assim por diante.

Bom, digira as informações acima. Em breve a gente volta às preposições. Até lá, estude!