OM-AUM - Sede. Rua Isidro de Figueiredo, nº 21. Maracanã - Rio de Janeiro. Aqui comecei na Teosofia.

OM-AUM – Sede. Rua Isidro de Figueiredo, nº 21. Maracanã – Rio de Janeiro. Aqui comecei na Teosofia.

Costuma-se ouvir ou ler o vocábulo Teosofia, mas poucos são os que conhecem seu significado. Teosofia quer dizer sabedoria divina ou o conhecimento de Deus e das Leis do Universo pela revelação mística, manifestada pelo Espírito do próprio indivíduo. Estou na Teosofia há tanto tempo que já me esqueci de quando, pela primeira vez, tive contato com a primeira seita dos praticantes desta doutrina. A sede da OM-AUM é no Rio de Janeiro e há alguns anos eu mostrei aqui até a foto do prédio, que, agora, repito. Ali, na OM-AUM (Ordem Mística de Aspiração Universal ao Mestrado) dei os meus primeiros passos nesta senda que, descobri depois, ainda está em permanente construção. Sim, a Teosofia não está pronta e acabada, como querem os que estudam os escritos de Madame Blavatsky. Ali se contém uma parte substantiva do conhecimento teosófico, mas nem mesmo ela afirmou que o Mestre Koot-Humi, ao qual denominava de Mestre K.H., tenha revelado tudo o que há para ser desvelado aos olhos dos “homens de boa fé”.

Um dos pilares da Doutrina Espírita é a crença no que chamam, erradamente, de “reencarnação”. Na Teosofia não se fala de reencarnação, mas sim de transmigração. Reencarnar, ao ver dos teosofistas, seria o Espírito retomar sua identidade já desfeita ou Alma Mortal (o que denominamos de “Personalidade”) juntamente no corpo físico com todos os seus hábitos e defeitos adquiridos ou herdados, também já desfeito. Isto seria andar de costas ou regredir, como acontece na crença da metempsicose, ou seja: o Espírito humano transmigrar para o corpo de um animal ou até de um réptil, como defendem os praticantes do Budismo Mahayana Taoista. A Teosofia não discute o Espiritismo e não o combate nem o apóia. Nós, Mestres Teosofistas, evitamos entrar neste tipo de discussão, pois acreditamos e defendemos a idéia de que o Criador de Todas as coisas, por nós chamado de Inominado, tem o Poder de se revelar sob os mais diversos caminhos, não cabendo ao homem questioná-los ou deles duvidar.

Sócrates. Seu pensamento até hoje influi na humanidade.

Sócrates. Seu pensamento até hoje influi nos ensinamentos da Moderna Filosofia e em outras áreas do Saber humano.

Na verdade, aprendi que “quem mais sabe é quem sabe que nada sabe” (Sócrates). A partir da Teosofia, já vindo eu da Umbanda, do Candomblé, do Kardecismo etc…, enveredei por outras sendas totalmente diversa do Conhecimento do que se diz Ocultismo, como, por exemplo, o Druidismo. Com exceção do Cristianismo (o Verdadeiro, Aquele que segue o pensamento verdadeiro do Cristo Cósmico, não o abantesma chamado Catolicismo ou Evangelismo), mesmo na Teosofia e na maioria das ditas “seitas ocultistas”, o conhecimento de Deus é totalmente errado, distorcido. Até no Taoismo há distorções com que discordo. No entanto, eu já havia lido dezenas… Talvez centenas de vezes a afirmativa que está em Jó 14.12: “Em Verdade em verdade eu vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para o meu Pai” sem ter apreendido a profundidade desta afirmativa. Há muitas interpretações desta assertiva de Yehoshua, como saber se Ele se afirmava ser Deus. Ora, Ele disse várias vezes que o Inominado era Seu Pai e nesta assertiva citada diz claramente: “… eu vou para meu Pai”. Mais claro que isto é impossível. Uma vez que costumava chamar às pessoas “irmãos e irmãs” e, também, uma vez que as palavras em sua boca jamais eram vãs ou apenas literárias, isto quer dizer que Ele nos considerava exatamente isto: Seus irmãos e Suas irmãs em Espírito. E se somos irmãos do filho de Deus, também somos deuses. Não vejo razão para tanta querela sobre o que é bem claro. 

Mas voltando ao tema – TEOSOFIA. Diz-se que é o Conhecimento de Deus e das Leis do  Universo pela revelação Mística. Mas o que é Misticismo? Alguns dizem que é a crença de que o ser humano pode comunicar-se com a divindade ou receber dela sinais ou mensagens. Aurélio diz que é  uma disposição para crer no sobrenatural. E aqui cabe perguntar: e o que é sobrenatural? O Michaelis diz que é aquilo que excede as forças da Natureza; o que está fora do natural ou do comum. Bom, se eu for enveredar pelas tentativas materiais, reducionistas, nunca terminarei de levantar definições imperfeitas. Misticismo é algo único, intraduzível, vivenciado singularmente por alguém que, por mais que deseje, nunca poderá traduzir em palavras sua experiência. Vou dar um exemplo de duas situações místicas vividas por mim.

1 – Projeção Astral.

Neste casarão, hoje caindo aos pedaços, em Santa Teresa, RJ, eu vivi minha experiência de Projeção Astral.

Neste casarão, hoje caindo aos pedaços, situado na Ladeira de Santa Teresa, RJ, eu vivi minha experiência de Projeção Astral.

Um dia, creio que em junho ou julho de 1958, eu morava na mansão de minha tia “Sinhá” (filha do coroné Rodrigo, o qual ainda possuía descendentes de escravos da fazenda Itacoatiara, em Campo Maior, Piauí, década de 1910, quando os negros ainda chamavam às filhas do coroné de Sinhá ou Sinhazinha), na verdade Francisca era seu nome verdadeiro, eu tive minha primeira experiência espontânea de Projeção Astral. Estava deitado, logo depois do almoço, para tirar uma sesta. O dia estava muito frio (era junho e naquele tempo este mês era muito frio no Rio de Janeiro) e eu tinha-me enrolado num cobertor de lã para me aquecer. Não sei como se deu o início. Acho que cochilei e, não sei por que causa, de súbito tomei consciência de mim, de meu corpo. Mas não conseguia abrir meus olhos. E, pior, não conseguia respirar. Entrei em pânico. Tentei estrebuchar; chamar alguém; pedir socorro. NADA. Meu corpo pesava uma tonelada e nele nada se movia. Nem mesmo meu coração pulsava. E eu estava frio, muito frio. Comecei a perceber que estava aprisionado dentro de um caixão; algo escuro, pesado, altamente incômodo. E de súbito percebi que o “caixão” era meu corpo denso, físico. Procurei me acalmar tentando respirar profundamente, mas não consegui. Entrei em pânico e num arranque súbito eis que me vi repentinamente fora do “caixão”. Estava sentado na cama respirando aliviado. Olhei para o lado e vi meu rosto. Olhos semi-abertos, pele macerada, feia; boca entreaberta. Era uma expressão cadavérica. Tive uma reação de repulsa àquilo e dei um salto para ficar de pé e… VOEI PELO QUARTO como se não pesasse nada! Lá de cima pude ver todo o meu corpo morto sob o lençol. E pensei, muito alegre: “MORRI! Eu morri! Estou livre! Existe mesmo a tal vida depois da morte! Nunca mais quero voltar lá pra baixo!”. Ato contínuo e numa velocidade impossível de descrever eu me vi voando sobre a belíssima Rio de Janeiro. E visitei todos os lugares que tinha estado em corpo físico. Tudo era luminoso, lindo! E, extasiado, eu percebi que podia ouvir não somente as conversas das pessoas, mas também e simultaneamente seus pensamentos. Seria impossível um “encarnado” ouvir tudo aquilo e compreender tudo o que ouvia. Mas ali, “morto”, eu não somente ouvia como compreendia profundamente o que os pensamentos das pessoas, milhares delas, traziam tanto em mensagens simbólicas quanto em reações emocionais das mais diversas qualidades. Pensei em minha mãe em Teresina e num ápice eu me vi ao seu lado. A velocidade de locomoção não pode ser descrita. Talvez seja igual ou superior à da Luz no Vácuo. Nunca saberei ao certo, ao menos enquanto estiver aprisionado neste “caixão” de carne.

Nunca esquecerei daquela experiência magnífica, que se repetiu por cinco vezes. Depois que servi o quartel aquilo sumiu. Talvez porque o treinamento militar de “comando” me tenha embrutecido horrivelmente a Alma ou Identidade. Talvez porque minha vida amorosa se tenha espraiado demais no gozo material. Não sei a razão, mas sei que nunca mais temi a tal “morte”.

2 – déjà vu.

Apartamento de meu tio, na Marquês de Caxias. Ficava no 2º andar deste prédio Pela rua passava bonde e o barulho era terrível.

Apartamento de meu tio, na Marquês de Caxias. Ficava no 2º andar deste prédio, na esquina. Pela rua passava bonde e o barulho era terrível.

Quando eu ainda estava em Teresina, dois anos antes de ser mandado buscar para morar na casa de minha tia, em Niterói, contava 14 anos, sonhei chegando de avião no aeroporto Santos Dumont. E dali eu saía para ver o exterior, a praça diante do prédio e o próprio interior do edifício. Vi o relógio da Mesbla e a Avenida Rio Branco. Saí com meu tio e em sua companhia fomos até as barcas para Niterói. Fomos andando e eu memorizei tudo o que via, maravilhado. Em Niterói, descemos da barcaça e andamos pela rua que marginava a orla marítima. E enveredamos pela rua Maestro Felício Toledo e cruzamos uma grande praça arborizada, onde havia uma igreja no meio da praça. Então, seguimos até a rua Marquês de Caxias, onde paramos diante de um prédio de dois andares. Ali, apontei para o apartamento de meus tios. Eu os guiara do aeroporto até o apartamento deles sem que eles me dissessem nada.

Dois anos depois, tudo aconteceu exatamente como no meu sonho. Meu tio, que a princípio rira de mim, ficou boquiaberto quando eu apontei para seu apartamento. Morreu sem compreender como eu pudera, sem jamais ter estado em Niterói, saber exatamente como ir do Santos Dumont até a Marquês de Caxias sem ter qualquer informação.

O fenômeno do déjà vu é muito questionado e se tenta muitas explicações que não satisfazem nem um pouco àqueles que passaram pela experiência. A realidade transcendental do déjà vu é absolutamente não traduzível em palavras e milhões de céticos me garantindo que ele não existe tal como eu o vivenciei, nunca, jamais me convencerão disto. Eu o vivi intensamente e com pessoas ao meu lado, espantadas pelo que assistiam.

Muitos anos se foram. Fiquei velho. Meu interesse pelas coisas do mundo murcharam (não eram muitas coisas, confesso). Nunca fui de sonhar muito e realizar meus sonhos. Ao contrário do que afirma meu signo, Libra, nunca fui apegado a luxos, mulheres e besteiras que tais. O mundo e seus atrativos me vieram às mãos por vias estranhas e à revelia de mim, mesmo assim não me fascinaram. A exceção foi meu apego ao Mistério, ao Oculto e à vida de um homem que me intrigava desde meus tenros anos em Teresina: Jesus, ou Yehoshua. A Teosofia me saciou muito sobre Ele, mas onde obtive as maiores revelações não dá para contar porque tenho a certeza de que ninguém ou quase, vai acreditar. Mas digo somente que a vida de qualquer encarnado, mesmo a vida do Cristo na Terra, fica registrada na Luz Ódica ou Luz Astral. E ali pode ser consultada por quem consiga chegar até ela.

Ainda gosto de ler e meditar nos ensinamentos teosóficos, embora a área do Ocultismo que mais nos ensina sobre o Oculto é justamente o contrário da Teosofia: O Budismo. A Teosofia não tem práticas que visem a levar a pessoa ao encontro com seu EU interior, seu EU imortal ou seu Espírito. Ela enriquece muito a Identidade, o intelecto, mas quase nada ensina quando se trata dos caminhos verdadeiros.

Mas não foi no Ocultismo nem na Teosofia que me safei da escravidão à condição miserável de encarnado. Foi meditando em uma única sentença do Cristo e esta é sua resposta a Herodes: “O meu reino não é deste mundo”. 

A Teosofia, para quem principia a busca, é muito boa. Mas não chega a ser O Caminho.