"Estou meditativo e intrigado. Como se explica?'

“Estou meditativo e intrigado. Como se explica?’

Se a sua resposta é “Não, não sei”, não se chateie. Eu também a desconhecia, desde quando andei ás voltas com políticos, lá nos idos de 1964-1980. Só agora, quando minha filha se meteu neste saco de gatos é que me forcei a tentar ler a Lei das Eleições. Não deu. A Lei tem mais de 100 artigos, cada um com uma vintena de parágrafos, cada qual, por sua vez, cheio de incisos e alíneas, o que a transforma numa Novela da Globo. É difícil, para quem não tem estômago para o Direito, ler e entender profundamente o que pensaram aqueles que a redigiram e aprovaram. O certo é que esta Lei 9.504 tem mais proibições que outra coisa. No entanto, fui tentar fuçar na dita cuja porque uma pergunta me queima o pensamento e ela é: “Por que os votos nulos e em branco, bem como a ausência do eleitor à votação não são considerados como parâmetros de avaliação da Vontade do Eleitor?

Pode parecer tolice minha, mas pense comigo: se o PODER é do povo pois que dele EMANA (é assim que define nossa Constituição Republicana), tudo o que lhe diga respeito tem que ser levado em conta. E quando uma parcela significativa dos eleitores de um país, onde o voto é obrigatório (ACHO QUE O BRASIL É O ÚNICO NO MUNDO), anula seu voto, vota em branco ou simplesmente não comparece à eleição, preferindo pagar a multa a votar nos candidatos “oferecidos” pelos partidos políticos, isto tem um valor de importância crucial para os destinos Políticos do país. E o primeiro político a perceber o sinal vermelho se acendendo para o lado da “classe” foi Michel Temer.

Bom, alguém poderá me responder dizendo que a Lei 9.504 diz respeito estritamente ao processo eleitoral, não à avaliação do juízo do povo quanto à situação da Política Nacional. Mas vamos pensar juntos.

Quando eles se engalfinham assim, com toda a certeza não visam ao bem do Brasil, mas à própria pele. vejasp.abril.com.br

Quando eles se engalfinham assim, com toda a certeza não visam ao bem do Brasil, mas ao da própria pele.
Foto de vejasp.abril.com.br

A citada Lei tem mais de 100 Artigos e uma interminável lista de parágrafos, incisos e alíneas. Legisla sobre tudo o que diga respeito à eleição, desde o ato de se lançar candidato até o ato de prestar contas à Justiça Eleitoral. Regula como o eleitor deve se comportar no que diz respeito às doações que pode fazer. Regula sobre as urnas eletrônicas. Enfim, ela procura ser muito abrangente. Mas logo de saída despreza solenemente quem decidiu anular o voto, votar em branco ou não comparecer às urnas. No entanto, do ponto de vista legal, todos estes brasileiros são eleitores e a manifestação de sua Vontade, por qualquer meio, tem de ser contada e avaliada para que os políticos, velhos ou novos, encontrem uma sinalização dos DONOS DO PODER sobre como aceitam, recusam ou contestam cada um deles e seus partidos particularmente. 

Eu disse que logo de saída a Lei 9.504 despreza os que se recusaram a votar validamente. E isto está bem claro no seguinte  “Art. 5º –  Nas eleições proporcionais, contam-se como válidos apenas os votos dados a candidatos regularmente inscritos e às legendas partidárias.” Esta medida de exceção também é reforçada nas Disposições Gerais, Art. 2º, que diz novamente: Será considerado eleito o candidato a Presidente ou a Governador que obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.”

Dirão alguns que as urnas eletrônicas não estão aparelhadas para computar votos nulos ou em branco. Mas deviam estar, creio eu. Se numa zona eleitoral moram 4568 pessoas levantadas segundo censo do IBGE e compareceram às urnas apenas 65% deste número (2969 eleitores válidos), significa que 1599 eleitores daquela zona não compareceram ao pleito. Sendo o voto uma obrigação legal do eleitor brasileiro, a proporção de 35% dos eleitores optarem por não votar é altamente significativo e toda a população deve ser alertada para isto. No entanto, a tal “classe” Política não parece atenta ao alerta. Mas deve pôr as barbas de molho. As ruas gritam. E como gritam!

"Ih, não mexe nesse vespeiro, cara." Foto de revistaforum.com.br

“Ih, não mexe nesse vespeiro, cara.”
(Foto de revistaforum.com.br)

Esta proporção de recusa ao ato eleitoral é altamente significativa. Quer dizer que 35% dos cidadãos daquela região não se interessa pelos eleitores, ou pelo ato de votar. E seja como seja, indica claramente que o eleitor está insatisfeito ou descrente do processo eleitoral que, goste ele ou não, vai determinar os caminhos de suas vidas no mínimo pelos próximos 4 anos correspondentes ao tempo de mandato concedido aos eleitos. 

Agora, suponhamos que dos que compareceram ao pleito naquela zona eleitoral considerada, 18% votou nulo.

(18% de 2969 eleitores = 534 votos nulos). Logo, sobraram 2435 votos.

Mas 22% votou em branco (22% de 2435 = 535 votos brancos)Então, sobraram 1900 votos válidos nas urnas. 

Então, na realidade, do total de cidadãos que podiam ser votos válidos na zona considerada, ou seja de (4568 cidadãos ativos – 1599 cidadãos resistentes) restaram 2969 eleitores disponíveis para votar. No entanto, apenas houve 1.900 votos válidos. Uma proporção de 39% da população votante, o que significa que 64%, não aceitou o pleito. Seja qual seja a razão, o povo daquela zona eleitoral falou bem claro: “Nós não concordamos com isto”. De meu modo de entender as coisas, deixar que apenas 39% da população de votantes decida sobre a vida dos 64% que não aceitaram o pleito, não é democrático. E não é democrático excluir das considerações finais a opinião da maioria dos eleitores da zona considerada. Vejam vocês, neste pleito de 2016, um total de 25.073.027 eleitores deixaram de comparecer às urnas. Ou seja: 17,58% do eleitorado brasileiro. Este é um número altamente significativo, em que pese o Ministro Gilmar Mendes ter tentado minimizar o fato, dizendo que este percentual é menor do que o de 2014, quando a ausência foi de aproximadamente 20%.

"O quê? É verdade mesmod???" (foto de alexandrenero-em-a-regra-do-jogo-tvefamosos-uol-com-br)

“O quê? É verdade mesmo???”
(foto de Alexandre Nero em A Regra do Jogo. (Foto da tvefamosos.uol.com.br)

O eleitor que deixa de comparecer às urnas e prefere pagar a multa (cujo somatório final do dinheiro arrecadado vai para o Fundo Partidário, logo, fica à disposição dos Partidos Políticos ou, mais precisamente, de seus “donos”) é um eleitor morto porque está apático ao que vai acontecer com ele e seus familiares. Jogou a toalha. Enterrou a cabeça na areia. Não quer se envolver numa guerra cruel, feroz e sem tréguas, onde os mortos se contam aos milhões espalhados pelos hospitais e postos de saúde públicos sem qualquer estrutura, sem qualquer condições de atendimento digno e sem pessoal qualificado para a prestação deste dever público constitucional; se contam aos milhões nas estradas esburacadas e nas ruas das cidades cujo asfalto há muito se foi; se contam aos milhões diante das armas assassinas manejadas por indivíduos já quase totalmente desumanizados porque o Poder Público não cumpre com suas obrigações na Educação e na Segurança Pública e, pior, no reaparelhamento e nova estruturação administrativa das prisões brasileiras. Sim, nós, brasileiros, morremos aos milhões todo ano. E do jeito que vamos, com a taxa de natalidade diminuindo, não está longe o tempo em que nossa população estará extinta (se a tanto o Criador permitir que sobreviva a raça humana).

"Cruzes! O que vai sobrar pra nós, os que vocês chamam de animais?" GATO ASSUSTADO - Foto de mesacomplementar.blogspot.com

“Cruzes! Se fizeram isto com uma igual, o que não farão com os que chamam de animais?”
GATO ASSUSTADO – Foto de mesacomplementar.blogspot.com

Agora, considerando que na maioria esmagadora os candidatos eleitos não são aqueles que os votantes válidos escolheram, mas sim aqueles que o Partido ou a Coligação Partidária, ou alguma confraria misteriosa deseja colocar nas cadeiras eletivas, o jogo das eleições fica seriamente comprometido. Não digo isto baseado em nenhuma Lei, mas no que vi acontecer com minha filha e ouvi comentar por políticos que já estiveram no covil. Ela conseguiu, com bom percentual de certeza, um total de 3.434 votos válidos. No entanto, no resultado apontado na apuração aconteceu um passe de mágica espantoso: as urnas acusaram somente 209 votos. Muitas das pessoas que votaram nela “chiaram” revoltadas. Todas ficaram com cara de bobo, querendo uma explicação para o sumiço misterioso de 3225 votos. E não foi só com ela, mas com mais de 20 dos candidatos do mesmo partido. Pelo menos doze deles ligaram para minha filha buscando junto a ela uma explicação para o “sumiço” dos votos que tinham conseguido com toda a certeza. Infelizmente ela também não tinha como explicar o “milagre das urnas”. Alguns dos candidatos, decepcionados e irados, abandonaram o Partido Político, uma atitude errada. Saindo do Partido, nunca terão como lutar para corrigir o que está errado. Mas a pergunta como se explica isto? ficou sem resposta. O silêncio é sepulcral. A única voz que se ouve, unânime, é que “as urnas são invioláveis” e “tudo foi feito dentro da Lei”. Mas serão mesmo invioláveis as tais urnas? O Mantra tudo foi feito dentro da Lei cheira a corrupção, não é?

Eu tenho cá minhas dúvidas.

A urna eletrônica usada nos pleitos do Brasil (foto de www.portalguaira.com)

A urna eletrônica usada nos pleitos do Brasil (foto de http://www.portalguaira.com)

Creio que o nosso povo, agora mais consciente do que está acontecendo (acredito que não foi só no município de Goiânia que sucedeu o “milagre das urnas”), deve voltar-se para exigir um modo melhor de os eleitores controlarem os processos eletrônicos que acontecem no escuro labirinto informático daquelas caixinhas metálicas desgraçadas. Um meio, que eu acredito eficaz, é a urna emitir para o eleitor, assim que ele apertasse o número do candidato escolhido, um comprovante de voto, como fazem as máquinas dos supermercados com as notas fiscais eletrônicas de compra, nos caixas. A nota comprovadora do voto conteria:

a) o nome do candidato e a data da votação;

b) o número do título do eleitor;

c) a zona eleitoral;

d) a seção eleitoral;

e) número do partido e do candidato em quem o eleitor votou.

Ele e seus iguais foram obrigados a se ajoelhar diante dos Demônios donos dos partidos envolvidos na lava-a-jato? Começo a crer que sim...

Ele e seus iguais foram obrigados a se ajoelhar diante dos Demônios donos dos partidos envolvidos na lava-a-jato? Começo a crer que sim…(foto de vejasp.abril.com.br)

Obviamente a nota também conteria uma advertência sobre ser o voto secreto. No entanto, a Vontade do Eleitor é livre para divulgar, depois do pleito e se assim o desejar, em quem votou. Esse direito lhe assegura a Constituição de 1988. O eleitor deveria guardar o comprovante pelo tempo que lhe aprouvesse, mas um mínimo de seis meses seria obrigatório, visto que neste tempo quaisquer candidatos juntamente com seus eleitores de determinada zona eleitoral poderiam exigir a recontagem dos votos se e quando não concordassem com os resultados “mágicos” das urnas eletrônicas. O comprovante atual não serve para dar base aos eleitores, revoltados com o resultado apurado para o candidato que escolheram, para se reunirem e verificarem se realmente só aquela quantidade de eleitores indicados pelas urnas votou efetivamente no candidato. O resto, ou se vendeu, ou fez uma “trairagem” sem tamanho. 

Todos sabemos que a palavra do brasileiro há muito não vale nada. Tanto que em qualquer transação de negócios em que se envolva, tem de assinar uma quantidade absurda de documentos comprobatórios de sua participação na transa. Aqui, no Centro-Oeste, os candidatos “mais votados” sempre colocam gente a seu serviço ou a serviço do partido para comprar votos. No dia mesmo da eleição somos cercados por tais pessoas a serviço do Partido e do Candidato, com cédulas de R$ 5,00 R$ 10,00, R$ 20,00 e R$ 50,00 juntamente com um santinho, num acordo tácito de que o voto será mudado para o candidato daquele santinho. É fácil, pois a consciência cívica e da responsabilidade pelo voto que vai colocar na urna é tão tênue nos brasileiros (e nas brasileiras também), que eles se alegram pela merreca de propina que lhes é dada naquele momento e não pensam nem um mínimo sequer nas conseqüências desastrosas do que faz. Com esta simples manobra criminosa, um candidato, apoiado financeiramente por seu Partido, consegue mudar a decisão de um eleitor de fraca consciência no momento mesmo de entrar no local onde deve votar. Eu mesmo fui cercado por um desses compradores de votos na frente de uma das escolas mais badaladas da região e, pasmem, sob as vistas de três PM’s ali presentes supostamente para inibir ou prender quem praticasse este crime. Quem me abordou com o santinho e uma nota de vinte reais por baixo do papelucho só não me fez a proposta e recolheu rapidamente a mão que segurava o santinho e o dinheiro porque eu levava na camisa o botton de minha filha. Dois dos três policiais nos olhavam disfarçadamente.  Apesar disto tudo, quando a revolta assomar aos corações dos que realmente aprenderam a pensar no futuro e virem que o “milagre das urnas” desapareceu com seus votos, creio que um percentual significativo, algo em torno de 70%, falará a verdade e poderá comprovar sua alegação, se solicitado a fazê-lo. Aí, sim, o povo brasileiro começará a dar seus primeiros sacolejos pra valer na árvore do crime nacional.

Voto é coisa séria, seriíssima. É o divisor de águas entre 4 anos produtivos e de bem-estar político para todos os cidadãos, ou 4 anos de amargor em função do tipo de político que escolheram. Os goianienses vão ter a prova do que digo, logo, logo. Refiro-me à questão do contrato firmado com uma só empresa de transporte coletivo pelo Prefeito, com o aval dos vereadores daquele tempo (há quarenta anos). No pleito Municipal anterior a este último – refiro-me ao ocorrido em 1996, se não estou enganado, na primeira gestão de Iris Rezende eleito Prefeito de Goiânia. Os jornais locais denunciaram a compra de vereadores para que impedissem que outras empresas entrassem na concorrência para competir com a todo poderosa dona do Município nesta prestação de serviço. Cada vereador teria embolsado algo em torno de R$ 40.000,00 para não permitir concorrentes na licitação. Eu era novo no Estado e não compreendia bem as intrigas políticas da região. Em 2000 (a data é imprecisa porque não me recordo bem qual foi o ano) vi Iris Rezende ser vaiado na Avenida Araguaia e vi seu carro mudar a rota, entrar pela Rua 2 e sair rápido para evitar as vaias que cresciam à medida que o povo se aglomerava na calçada. Havia um radialista feroz, que denunciava tudo na rádio e era odiado pelos senhores do Poder Local. Seu nome? Kajuru. Neste pleito atual, de 2016, ele foi eleito para vereador com enorme quantidade de votos. E entra para a Política pelo partido de Iris Rezende, o qual está na iminência de ganhar novamente o Município. Nunca conheci o radialista pessoalmente. Só acompanhava tudo mantendo distância de qualquer partido ou de qualquer político. Até porque minha experiência com um deles, Prefeito em Caldas Novas, não tinha sido nada agradável. Por pouco eu não o mato.

O contrato antigo foi reafirmado; os ônibus foram maquiados (não substituídos, mas maquiados) e pronto. Os goianienses continuaram a sofrer com transporte de péssima qualidade, barulhentos, calorentos, quebradiços, desorganizados nos horários e vai por aí. Saída? Comprar o carro-bola, o “milzinho”, e cair na rua em desespero nos engarrafamentos e vitimados pela indústria das multas. Lucro para o Crime Organizado de Colarinho Branco, pois com mais carros nas ruas, mais consumo de combustível (com o litro mais caro das Américas) e mais escravos para tampar os rombos que os oligarcas desembestados fizeram na PETROBRÁS. Tudo porque aqui, nesta Capital, assim como na maioria delas, se não em todas elas, os goianienses não atinaram que por R$ 5,00 ou R$ 10,00 reais, num momento muito curto de irresponsabilidade, venderam o futuro que podia ter sido melhor. Pois bem, a validade do contrato firmado com a empresa que domina o transporte coletivo em Goiânia vai vencer justamente durante a vigência do mandato dos “novos” eleitos. A deputada Isaura Lemos (PDT), informa o Portal da Transparência da Assembléia Legislativa, propôs, hoje, dia 8/10, uma sessão especial da casa para discutir o assunto. no próximo dia 24 deste mês.  PERGUNTA: Poderão eles, os novos eleitos para a Câmara de Vereadores, resistir às pressões dos Demônios Ocultos (os “donos” das Executivas dos Partidos pelos quais foram eleitos) e se recusarem a dar continuidade ao crime que se eterniza há 40 anos? Nós veremos isto, logo, logo.

Se se anunciasse o número de abstenções havidas em uma eleição, por zona eleitoral, com uma análise criteriosa do significado disto, não somente os eleitores tomariam consciência da gravidade da situação política por região, como também os candidatos eleitos teriam um alerta sobre seu comportamento a partir do momento em que tomem assento nas cadeiras legislativas. Esta medida não somente uniria a Nação Brasileira em prol da defesa de seus Direitos Constitucionais, como também colocaria freios na maldade que existe no íntimo de todo ser humano, à espera tão-só de uma oportunidade para induzir ao crime. Disse John Emerich Edward Dalberg-Acton, 1º barão Acton, que: “O Poder corrompe; o Poder Absoluto corrompe absolutamente”. Nós, eleitores, damos aos nossos eleitos Poder Absoluto para fazerem o que quiserem com nossas vidas. Somos, portanto, culpados pelos vícios que eles criam, alimentam e mantêm e que nos atingem em cheio as vidas nossas e de nossas descendências. Atingem e moldam o futuro de nosso País.

Eu creio que, quando o número de abstenções por ausência às urnas supera o número de votantes que escolhem nulo ou branco para informar sobre seu estado de ânimo e sua credibilidade no Sistema Político vigente, o país está gravemente doente. Também creio que num sistema onde um candidato novo, mesmo que tendo um milhão de votos, não consegue ser eleito se não sentar com a cúpula do Partido, seus “donos”, e se dispuser a agir segundo a música que eles impõem aos eleitores e candidatos, o país não somente está doente, mas também se encontra no fundo do poço da Amoralidade. E pelo que ouvi de dois ex-políticos comentando sobre uma candidata mulher, muita coisa tem que ser mexida e muito fedor ainda vai explodir do lodaçal que é o Sistema que eles montaram. Dizia o mais antigo e mais experiente: “Ela não vai ganhar. Primeiro, não é filha nem protegida de um político de carreira; segundo, não sabe nada da música que se toca na cúpula de comando dos Partidos; terceiro, vem cheia de sonhos dourados. É apenas uma inocente útil. Vai ser usada para captar votos e só. Nunca ganhará nada pelo esforço que despenderá toda vez que for lançada candidata”. Eu escorreguei para longe dali antes que se dessem conta de minha presença e agradeci a Deus que não estivessem falando de minha filha.

O Diabo é que eu sei que ela está cheia de sonhos dourados… Seu dilema, então, vai ser terrível: “como conseguir abrir as portas da Caverna de Ali-babá sem se ajoelhar diante do Gênio do Mal que manda e desmanda no Partido?” E me ocorreu um pensamento estranho: “Será que a Dilma foi uma inocente útil nas mãos dos donos do PT chefiados pelo Lula?”

Mas há uma esperança: Tiririca. Até onde sei, ele não se ajoelhou diante do Diabo comandante da Caverna por onde entrou no Lamaçal Dourado. Pudera! Ele teve 1.016.796 votos. Arrastou atrás de si nada menos que cinco aspirantes a bandido. Diz-se que no seu gabinete não entra corrupto nem corruptor. Pode ser que sim. O diabo é que não conheço nada de edificante que ele tenha feito pelo país desde quando adentrou o Olimpo da Corrupção Brasileira…

Talvez, se minha filha conseguir, para algum pleito futuro, uma quantidade espantosa de votos garantidos – algo como 160.000 num Município de 1.500.000 eleitores disputadíssimos, ela também possa chegar ao Cerne do Poder do Partido ao qual se filiou e dizer o que quer e como quer, sem que eles se atrevam a contrariá-la. Mas até lá…