Eu e minha netinha

“Vovô deixa para você um legado ruim. Lutou, sim, com toda alma e toda a fé na Verdade e na Honestidade, mas o Mal foi mais forte. Quando crescer, peço que não seja muito dura em seu julgamento sobre minha geração….”

O que significava originalmente o termo Democracia? Qualquer um responde na ponta da língua: O Governo pelo e do Povo. Ou seja, o povo diz aos senhores políticos como deseja ser governado; diz o que aprova e o que não aprova naquilo que eles pretendem transformar em Leis para toda a comunidade. Mas é isto o que acontece, atualmente? NÃO, não é. E não é porque nenhum país conseguiu se livrar do ranço da Oligarquia do passado. Gente com mais dinheiro, mais terras, mais indústrias etc… domina o quadro político e se mantém com o pé sobre o pescoço do populacho que serve apenas para trabalhar em seus bancos, em suas terras, em suas indústrias e em seus comércios. Neste sistema pseudo-democrático, o povo não tem voz e quando lhe é dado o direito de falar, há limites para sua Vontade. Vejam o que aconteceu nos E.U.A e acontece aqui, no Legislativo, e na Venezuela, na Colômbia, no Reino Unido e em muitos e muitos outros países pelo mundo. Quem manda é quem tem o domínio de nosso Poder Político e, ainda, quem tem poder dentro do jogo do Mercado. Os que são somente operários, de terno ou macacão, são serviçais aos quais os de colarinho branco, políticos ou não, dão direitos controlados. A tentação de adentrar este olimpo mercadológico estimula muito além do limite a ganância dos pobretões que, no Brasil principalmente, conseguem adentrar o Olimpo Político criado e mantido por seus ancestrais. 

E se é o Dinheiro que dá e sustenta o Poder, então é ao dinheiro que os sonhadores materialistas se atiram com toda a gana e com toda a falta de Ética e de Moral. É o caso de “nossos” políticos. E é “nossos” entre aspas porque na verdade os políticos brasileiros são deles mesmos e jamais do povo que os elegeu.

Eu sorrindo

Sim, sou um velho retrógrado. Mas no meu tempo, o tempo da palmatória, os jovens aprendiam o sentido de Honra e de Civismo. E hoje, com as liberdades democráticas, o que eles aprendem?

A Democracia é como a Esfinge que até hoje ninguém decifrou. Há quem afirme que “pessoas politicamente analfabetas podem saber com lucidez aquilo que desejam para suas vidas, mesmo que desconheçam macro-economia ou sistemas eleitorais”. Não compro esta defesa. Basta que olhemos o dia-a-dia e o modo de pensar e agir de nós, brasileiros, que vemos o quanto o autor da assertiva citada incorre em erro. Somos principalmente egoístas; desejamos a imediata satisfação de nossos desejos e se pudermos fugir à contra-partida do trabalho duro para melhorar nossa Sociedade, fazemos isto às carreiras. Somos primitivos, nós, brasileiros. O verniz de “Democracia” que aparentamos ter só vale para grandes eventos, festivos, que nos enchem o egoísmo infantil de ufania tola. Quando a dureza da vida requer que nos entreguemos de corpo e alma à luta pelo bem comum, nossa filosofia logo muda de campo. Do companheirismo e do compartilhamento, passamos rapidamente ao “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Não digo que esta regra seja absoluta, não. Até entre os mais perversos e ferozes silvícolas; até entre os mais fanáticos praticantes do Islamismo às avessas, há união, quando acontece uma súbita desgraça ambiental. Mas isto não é humanidade. Isto é MEDO. Medo da consciência de que diante da Natureza ninguém está a salvo.  

Excelências, como esta, podem estar por detrás de negociatas com as casas do Minha Casa, Minha Vida. Mesmo ganhando um absurdo em salário e benesses indevidas.

Excelências, como esta, podem estar por detrás de negociatas com as casas do Minha Casa, Minha Vida. Mesmo ganhando um absurdo em salário e benesses indevidas.

Entre nós, brasileiros, impera o egoísmo e a preguiça doentia. Por isto é que iniciativas belíssimas como o “minha casa, minha vida”, não dão certo entre nós. Tão logo os avaros perceberam que podiam ludibriar o sistema, lançaram-se como lobos famintos sobre as casas, que já de começo era uma enganação porque precárias e mal-feitas, e praticaram toda a sorte de engodo para se assenhorear de quantas pudessem. Depois, era distribuí-las entre filhos, filhas, irmãos, irmãs e amigos, ou vendendo-as a preços super-faturados a fim de “ganhar um dinheirinho” extra. A consciência cívica ou democrática, em casos iguais a este, vai para o ralo depressinha.

Por outro lado, os que não faziam jus às casas destinadas aos pobres, mas que foram residir ali por invasão criminosa, passaram a gritar contra o Governo e a exigir direitos aos quais nunca fizeram jus. São invasores, mas se acham no direito de cobrar benefícios do Poder Público, como se este fosse um Pai Celestial que a tudo perdoa e a todos satisfaz plenamente. Isto não é conceito de Democracia e um povo com tanta gente com este modo de pensar e agir não merece se dizer democrata.

"Liberdade, Liberdade, Abre as Asas Sobre Nós..."

Eles se dizem as vítimas do Poder Público. Mas têm saúde de sobra. Por que não lutar por uma vida honesta? Porque optar pela “vida fácil”, embora perigosa, do crime?

E tem mais: entre nós, brasileiros, os jovens (ricos ou pobres) se vendem ao crime com uma facilidade embasbacante. Alegam as mais diversas situações de “coitadinhos” (os primeiros, carentes afetivos; os segundos, desamparados do Poder Público) para justificar a ganância e o desejo de ganhar sem batalhar pelo que deseja. Vender a morte aos semelhantes em pedras de crack para ter dinheiro para comprar ilusões fúteis – carros, televisões, jogos eletrônicos etc… é o desejo imediato e fácil da maioria esmagadora de nossa juventude. Este não é o Espirito Democrático que embasa um povo verdadeiramente povo. Gente como nós, que não ligamos para a Política e viramos para o lado nossos narizes corruptos e corruptores quando o assunto é a Macro-economia de nosso país, não pode nem sonhar com uma vida em Democracia.

A Democracia exige retidão de caráter, Justiça no conviver com os semelhantes e respeito à vida e ao direito do próximo em todas as suas formas de manifestação. Nós, brasileiros, praticamos isto? QUANDO? ONDE?

Platão. Até hoje seu espírito está às voltas com o que os gregos criaram como Democracia.

Platão. Até hoje seu espírito está às voltas com o que os gregos criaram como Democracia.

Diz-se que Platão jogou a Democracia no cesto dos regimes degenerados, após ver a injustiça contra seu mestre, Sócrates, e a derrota da Atenas Democrática para a Esparta Tirânica. Mas o passado nem sempre vigora eternamente. Não estamos aqui para perpetuar-nos em qualquer coisa que tornemos fixa. Ao contrário, estamos aqui para melhorar sempre o que descobrimos com nossos esforços e nossas lutas.  No caso do Brasil, nós, brasileiros, ainda temos um longuíssimo caminho a percorrer, antes que descubramos o verdadeiro significado do que seja viver em Democracia.

Enquanto nós não aprendermos o verdadeiro sentido do que é Política: enquanto não tomarmos consciência de que esta forma de Governo, o governo pela política, é extremamente delicado, sutil e requer engajamento de todos, não apenas de alguns, não estaremos nem perto da compreensão do que seja Democracia.

Vejam vocês, os Estados Unidos sempre foram tidos como exemplo de Democracia. Mas as eleições deste ano, naquele país, colocou a nu o quanto o povo norte-americano errava por manter o velho hábito da irresponsabilidade diante de assunto seriíssimo como é a Política. Votar, entre eles, era opção de vontade individual. Resultado? Foi eleito um possível degenerado ético e moral que, ainda por cima, é totalmente ignorante no delicado manejo da Arte da Política. Sim, Política, a verdadeira, é uma Arte de difícil domínio. Quase todos os homens que ingressaram nela fracassaram de uma forma ou de outra. Ainda não sabemos nem mesmo o que seja a verdadeira Política, pois as pessoas que militam no Legislativo Brasileiro são exageradamente egoístas e ególatras para poderem estar ali.

Oos EUA eram o exemplo mais próximo do que se devia desejar como um país corretamente democrático. Não foi o que as urnas disseram. O povo, movido pelo medo às declarações estapafúrdias e ameaçadoras para todos os estadunidenses e adventícios sub-reptícios, correu às urnas para dizer NÃO a Trump. Mas o sistema arcaico pelo qual sempre se regeram em matéria de eleição frustrou o anseio da maioria dos estadunidenses e o resultado é que, agora, não somente eles, mas todo o mundo se verá às voltas com um possível doido destrambelhado, que não entende nem mesmo de negócios, pois segundo li em uma revista, ele coleciona fracasso atras de fracasso em seus empreendimentos. é rico, sim, pois nos altos e desces, ainda não chegou ao fundo do poço. Mas poderá levar não somente os irmãos do Norte ao buraco, como também arrastar o mundo todo para ele.

Há quem diga que a “pólis precisa de saber equilibrar as paixões do povo com os interesses da elite”. E cita Roma, onde os cônsules, os senadores, e as assembléias populares reunindo os elementos monárquico, aristocrático e democrático, permitiam que todas estas instituições se controlassem mutuamente. Esquece-se, quem assim fala, das intrigas, dos assassinatos violentos, das tramas traiçoeiras que esta convivência de regimes absolutamente incompatíveis entre si geraram no grande Império Romano, terminando por levá-lo á derrocada. Em uma verdadeira Democracia, utópica até o momento, não podem existir “elites” de quaisquer espécies. As elites sempre tenderão a explorar as minorias e estas sempre tenderão a reagir com violência àquele mau hábito das primeiras. No entanto, ao dizer isto, incorro no perigo de ser visto como “comunista” ou, pior, “petralhista”, coisa que abomino de corpo e alma. 

"Vou fazer o Mercado meter uma bala na cabeça. Vou liberar a América desta invenção européia estrambótica".

“Vou fazer o Mercado meter uma bala na cabeça. Vou liberar a América desta invenção européia estrambótica”.

É preciso, imperioso até, antes de se pensar em Democracia, encontrar um meio de pôr freios ao Mercado e, por extensão, ao Livre Comércio ou Globalização. O Mercado deseja e quer e luta para conseguir colocar como negócio até mesmo a família – e isto nós assistimos aqui, entre nós, a republiqueta tupiniquim que ainda somos. Enquanto não atentarmos para o fato de que o Mercado é um grande inimigo das gentes, quando solto e sem freios, como é o que defende o Neoliberalismo e o Livre Comércio, não conseguiremos nem teremos o direito de pensar em viver em Regime Democrático. Não dá para existir Democracia com um sistema governamental sem freios. Nós temos o exemplo disto na liberdade absoluta que os “nossos” políticos se deram por culpa de nossa irresponsabilidade Política. E creio mesmo que Donald Trump, o louraço aloucado norte-americano, eleito presidente daquela gente, quer pôr freios ao Mercado, quando se insurge contra o sistema comercial vigente no mundo. Pena que talvez não tenha condições políticas nem preparo psicológicos para enfrentar este dragão que cospe fogo furiosamente quando contrariado em sua ganância sem limites…

Não se pode vencer um monstro que foi criado no submundo da traição e da ganância às gentes de quaisquer raças, exceto uma. Um monstro que se rege pelos Protocolos dos Sábios de Sião, embora este título cause cãibras estomacais em uma raça que se diz perseguida inumanamente pelos nazistas de outrora e de agora. Este é um caldeirão de druidesas das sombras das tramas imundas do Demônio que se oculta em todos nós, santos ou não. Foi o povo massacrado totalmente inocente dos males que sobre ele se abateram? Não há, afirma a Psicologia, Resposta sem Estímulo prévio. Assim, se aquele povo sofreu o terror de quase ser extinto da face da terra por um homem tido ou propalado maldosamente e com determinação oculta como um tresloucado líder de um pequeno país europeu, certamente que “por debaixo dos panos” muita História ficou sem ser registrada na História Oficial. Vejo o Mercado Livre ou Neoliberal como uma víbora venenosa que, sob o título de Livre Comércio, que traria lucro e bem-estar à humanidade como um todo, vai envenenando os povos e fazendo escravos por toda parte em função de sua ganância sem freios. O Livre Mercado cumpre à risca a regra de ouro dos Protocolos que afirma que:

“A FOME FAZ ESCRAVOS”. E nosso país, neste momento, está à beira de provar isto. Se não conseguirmos, nós, povo, retirar de cima de nossos cangotes o tacão luzidio dos sapatos brilhantes dos polititicas que saltam miudinho buscando meios de se livrar de nosso desejo de punição contra eles, então, logo, logo, estaremos aos milhões espalhados pelas ruas de nossas cidades não mais maravilhosas, pires nas mãos, mendigando alguma migalha dos demônios engravatados que flanarão por entre a imundície de vidas despedaçadas para alcançar as ilhas de prazeres que buscam criar para si e suas descendências às custas de nossas vidas.

Com exclusividade.