Sou um aposentado, um imprestável da nação ou coisa semelhante. Mas sou um homem que deu toda a vida pelo Brasil, logo, mereço respeito.

Sou um aposentado, “um imprestável da nação” ou coisa semelhante. Mas sou um homem que deu toda a vida pelo Brasil, logo, mereço respeito.

A letra é preta para indicar minha disposição negativa relativamente à Política que atualmente vige no Brasil, desde as imprestáveis Câmaras Municipais, até o Senado Federal. As Câmaras de Vereadores, a mais baixa hierarquia no sistema Oligárquico da nossa Política ultrapassada e fétida, não se dão conta de que o Brasil, de Norte a Sul, embarcou numa caça às bruxas políticas e que esta caçada não vai deixar de fora ninguém. Mesmo os vereadores de vilas perdidas pelo interior de Brasil estão expostos aos “rifles da Lei” manejados por caçadores intimamente revoltados com os descalabros das decisões tomadas pelos políticos. Decisões que em 90% dos casos só beneficiam seus bolsos e a mais ninguém. É o caso, agora, de São Paulo, onde a vereança, buscando fundamentação numa Lei imoral e fora de época, que já está com a corda no pescoço lá na Câmara Federal, se deram aumento indecente e desrespeitoso para com os paulistanos e, por extensão, desrespeitoso para com toda a Nação brasileira. E o fizeram como criminosos, que são, na calada da noite e às correrias, pois sabem em seus íntimos que estão errados.

Não rio de alegria, mas não me pergunte porque rio porque não saberei responder.

Não rio de alegria, mas não me pergunte porque rio pois não saberei responder.

Sou Psicólogo e fui clínico por muitos anos de minha vida. Vi, estarrecido, a fraqueza da alma humana. Vi o quanto o ser humano é venal, fraco, dependente e preguiçoso até consigo mesmo. Vi o quanto ainda necessita de que alguém o carregue ao colo. Vi o quanto o brasileiro não deseja esforçar-se para mudar nada por seus próprios esforços, mas sim, deseja que alguém o carregue ao colo e, pior, mude o mundo em que ele vive para satisfazer suas necessidades mesquinhas. Não, não fui psicanalista porque não gosto da Psicanálise. Para mim, ela é tão-só a ferramenta que um cirurgião utiliza em sua intervenção. Sim, fui o primeiro a trabalhar segundo o Cognitivismo, que cheguei a pensar ser minha criação, porque meus professores todos, sem exceção, me olhavam com menoscabo porque para eles abordagem cognitivista não existia. Mas dois anos depois de eu me declarar teimosamente cognitivista, eis que é publicado o primeiro livro nesta linha de trabalho psicológico. Seu autor era Aaron T. Becker. Eu já estava longe…

A vida é sempre um enigma. Ora pode ser uma mão, ora uma chave de boca. A decisão é nossa.

A vida é sempre um enigma. Ora pode ser uma mão, ora uma chave de boca. A decisão é nossa.

Todos nós só dispomos de uma vida para viver neste mundo. E esta vida escorre por nossos dedos como areia fina. E seus grãos são os segundos de cada minuto e os minutos de cada hora. Hora que, junta a outras, formam os dias e estes, as semanas, os meses e os anos. Ninguém tem direito ao retorno de um único segundo, sequer. Quando ele se vai é para sempre nesta vida. E em cada um segundo sempre há um Dilema a ser enfrentado. E o dilema é sempre uma figura ambígua. A terrível verdade é que na Vida, a tomada de decisão num Dilema não tem conserto…

E é neste fluir incessante de nossos segundos dilemáticos que vamos envelhecendo e repensando a cada ano, mais e mais, as decisões irreversíveis que tomamos em momentos de tensões que só quem as viveu sabe o quanto foram difíceis.

Ele é exemplo de pobretão que subiu até onde não podia ter sido conduzido. Resultado? Estamos refazendo um caminho sofrido. E os idosos, neste recomeço, não mais têm qualquer vez. No entanto, lutaram tanto para que isto não se repetisse...

Ele é exemplo de pobretão que subiu até onde não podia ter sido conduzido. Resultado? Estamos refazendo um caminho sofrido. E os idosos, neste recomeço, não mais têm qualquer vez. No entanto, lutaram tanto para que isto não se repetisse...

Em um país de corruptos, saídos das classes mais baixas do povo, com raras exceções, os segundos de nossos dias e anos são fatalmente e inexoravelmente definidos por eles. Fecham nossas oportunidades; delimitam nossa produtividade e criam leis que nos tolhem a Liberdade de Ser, em que pese uma Constituição que nos garante este direito. Assim, vamos envelhecendo tentando encontrar o caminho dentro do emaranhado de Leis que, no fundo, apenas nos exploram e nos tiram o direito de criar e viver com a Liberdade a que todos temos direito. É daqui, deste cerceamento do direito à Liberdade, que brotam os clientes dos Psicólogos Clínicos. A anomia social, isto é, a ausência de boas regras de convivência com Justiça e Oportunidades para todos, sufoca o cidadão e o torna ansioso crônico. E é deste estado emocional super-estimulado que terminam por se desenvolver uma gama variada de transtornos emocionais e psíquicos. É isto o que jamais deixou de acontecer em todos os Municípios e Estados da Federação brasileira. E todos somos vítimas.

Em São Paulo, como de resto em todo o país, as pessoas estão abandonadas (e em meus 76 anos de vida nunca vi um momento em que assim não estivessem, mesmo quando os militares tomaram o Poder das mãos dos maus representantes nossos, nos idos de 64). O Município paulistano está às baratas. Tudo caindo aos pedaços, senão no tijolo e no cimento, nos serviços essenciais, como na Saúde, na Educação, na Segurança Pública, na Infra-estrutura e na Educação Escolar e Familiar.

No caso da Educação, as famílias bem que podiam colaborar, mas Leis intrusivas, que invadem o Lar do cidadão, que a Constituição garante que é sagrado, esculhambam tudo. E isto acontece porque surgiu entre nós um grupo espúrio que se auto-denominou de “Direitos Humanos” e “Direitos da Criança e do Adolescente”. Ora, se os Políticos zelassem realmente pelo trabalho a que deviam executar e o fizessem com lisura, tais grupos não teriam existido e nós seríamos muito melhores. Eles só vieram para aumentar o nível de ansiedade e de desorientação de pais e professores. Em nada ajudam. E a culpa, friso, é dos políticos que só pensam em si, em levar vantagem em tudo, em se locupletarem para ficarem ricos já nos primeiros quatro anos de mandato.

Repensar o Brasil? Até quando este povo cordato vai suportar estar eternamente recomeçando? Atualmente, acuados por todos os lados, boa parcela grita pelo retorno dos militares ao nosso Poder. Mas este não é o caminho. Esta não é a solução. Os militares já estiveram lá e, embora tenham feito o país dar um salto de quarenta anos em vinte, também falharam, pois, em sendo humanos, entre eles também havia os corruptos que, tão logo houve o afrouxamento da mão-de-ferro, logo se soltaram e mostraram que esta doença social permeia todas as nossas instituições, mesmo as que deviam ser imunes a ela.

Nos dias atuais não somente em Brasília fede a corrupção. Por todas as casas de vereança o panorama não deixa de ser horrível. Em São Paulo estoura o inexplicável aumento nos proventos da vereança e as prisões se sucedem pelo Brasil todo. No entanto, por estarrecedor que possa parecer, vereadores do país parece que vivem alienados do presente e continuam sonhando com o estilo politico ultrapassado ou em processo radical de mudança. O povo brasileiro, cansado de tanto escândalos e de tanto pouco caso dos eleitos para com a Nação, estrebucha com vontade. Mas ainda assim, os corruptos e os postulantes a isto ainda não se deram conta do que acontece. E nós, que passamos nossas vidas batalhando por um futuro melhor vemos este futuro se tornar uma realidade fracassada, traidora e frustrante.

Muitos de nós, os velhos de hoje e jovens de antigamente, já não temos voz ativa. Aposentados, somos menos que o lixo que suas Insolências descartam em suas latas de lixo. Nossas vozes soaram no passado, nas passeatas do passado. Hoje, não passam de murmúrios inaudíveis aos ouvidos moucos dos que ainda batalham para cavalgar o Poder que não lhes pertence. Tomara que, depois de minha partida (que espero não demore muito), os que aqui ficarem vençam a luta. Advirto-os de que ela lhes consumirá a existência, como consumiu a minha e a de tantos outros. Mas talvez valha a pena para os que forem gerados nos ventres de hoje, pois estes também terão apenas uma vida para viver.

Que vivam sem as agruras que eu tive e que os que se seguiram a mim, ainda têm.