Enlamear Castello Branco, não.

Eu disse que não morro de amores pelos militares e não morro mesmo. Um “tiquinho” do que eles me fizeram passar injustamente eu relatei aqui. A luta entre nós foi silenciosa, mas de uma violência e maldade estarrecedoras. Quando os militares se atiram em perseguição de alguém não têm limites. E quando querem justificar o assassinato de um desafeto que desejam “fazer desaparecer legalmente”, sabem como ninguém ser ardilosos e maldosos. Sabem fabricar provas, manipular situações de vida e implicar pessoas outras que lhes possam servir para atingir seus objetivos perversos. Mas se há militares que merecem ser colocados diante de um pelotão de fuzilamento, há, também, outros que devemos admirar e respeitar. Os militares não são nem piores nem melhores que qualquer um de nós. E os que foram Presidentes da nossa República nos mostraram que foram parte daquele pequeno grupo que podemos considerar dos melhores, pois NENHUM DELES SAIU DO PODER MILIONÁRIO. Só isto já lhes avaliza a honestidade. Depois deles, nenhum político entrou pobre e deixou de sair milionário às nossas custas; à custa de milhares de vidas de brasileiros à míngua nos bancos das UPA’S e dos Hospitais Públicos totalmente abandonados.

E todos estes eram e são civis.

Quando ele morreu eu estava no cine MESBLA no RJ. A platéia ficou de pé aplaudindo sua imagem na tela. Muitos, como eu, choraram de emoção. Até hoje estou convencido de que ele foi assassinado por outro militar insatisfeito com o que fez: salvou os crápulas que, hoje, nos infernizam a vida.

Bom, dito isto, preciso desabafar minha raiva despertada por um artigo escrito por um jornalista que desmerece a profissão. A Imprensa, o Jornalismo em si, tem o compromisso com a VERDADE, DOA A QUEM DOER. Nestes tempos turbulentos, onde fracas ideologias políticas se misturam a fortes tendências criminosas vergonhosas e traidoras, a Imprensa bem podia ser absolutamente imparcial e batalhar para que a verdadeira História do Brasil não fosse escamoteada de nossas jovens gerações, pois este é um crime inqualificável, pelo qual, quem o comete, devia ser banido de todas as Nações. E uma Imprensa dominada e falsa é a pregação do tresloucado Lula, em vídeo que corre pelo WATTSUP. 

Li, na edição 1005, de 25 de setembro de 2017, na revista ÉPOCA, nas páginas 18-19, da qual sou assinante, um artigo escrito por Leandro Loyola. E creio que muitos brasileiros também o leram, o que faz que suas palavras venenosas sejam mais perigosas ainda para o futuro histórico do país. Estamos fortemente mergulhados numa divisão do “nós contra eles” trazida pelos desvairados grupos dos que se auto-denominam comunistas-socialistas, entre os quais se destaca o destrambelhado PT e seus líderes corruptos, desonestos e traidores do povo brasileiro. O perigo não passou apenas porque se defenestrou o Lula e sua filhota, a Aloprada do Planalto. O “nós contra eles” deixou muitos ovos envenenados que dão filhotes e se multiplicam por todo o nosso território e isto é mais do que perigoso: é catastrófico. Vai ser muito difícil vencer esta hidra de mil cabeças, cria do PT e dos comunistinhas de bosta que, lamentavelmente, têm direito à liberdade irrestrita em nosso meio social.

Militares como este estão sempre atentos ao que vai pelo país. E acreditem, eles não são bobos...

Ele foi inocente e cristão demais.

Mas voltando ao citado artigo, na foto em que aparece o marechal Humberto de Alencar Castello Branco em roupas civis entre muitos militares fardados há uma nota dizendo: “O marechal Humberto Castelo Branco (de terno), primeiro presidente do regime militar em São Paulo, em 1964. Ele também assumiu com a desculpa de limpar a política da corrupção. Não deu muito certo”. É MENTIRA! O Marechal Castello Branco não assumiu com a desculpa de combater a corrupção. Jamais este foi o motivo para que aceitasse ocupar a Presidência da República durante os conturbados tempos da década de 60. Há um livro de Daniel Krieger, senador que viveu intensamente os idos de 50 a 60, desaparecido das livrarias faz tempo, onde ele relata o quanto o Marechal resistiu a ocupar a Presidência do Regime de Exceção.

João Goulart

João Goulart. Este sim, foi uma desgraça para o Brasil.

Castello Branco tomou parte, sim, na articulação para a derrubada do mais perigoso dos Presidentes Brasileiros de todos os tempos, João Goulart. Este político — que era vice-presidente eleito juntamente com o esquisito Jânio Quadros — assumiu a Presidência do Brasil em 1961, depois que Jânio Quadros renunciou. O Brasil estava vivendo enorme turbulência política e econômica. Um caos, para ser mais preciso. Jango só pôde governar depois de aceitar a imposição de que faria isto obedecendo o regime desejado à época, o regime parlamentarista. Jango proferiu um discurso que foi considerado de cunho altamente esquerdista. Ele desenvolveu políticas trabalhistas de cunho tendenciosamente embasado na ideologia comunista, depois de assumir o cargo. João Goulart teve um Governo caótico, marcado por medidas de abertura libertária para organizações ditas populares, mas que, em verdade, eram pontas-de-lança de agentes de Serviços Secretos de países cujas ideologias se opunham ferrenhamente, a saber: a ideologia Democrática versus a ideologia Comunista com tendências radicalistas. Seu governo foi marcado pela abertura para organizações populares, estudantis e trabalhistas em um momento em que o mundo vivia o auge da Guerra Fria, gerando um grande desconforto entre as classes mais conservadoras — entre as quais a Igreja Católica, os empresários, banqueiros e os militares — que temiam que o Brasil se tornasse um país socialista. E havia sim, este perigo, pois tanto a URSS tinha olho em nosso país, quanto os EUA, que temiam uma base russa em nossa terra. O imbróglio dá um livro de não mais que duas mil páginas, logo, não é possível falar muito a este respeito.

Em 1954, eu tinha 14 anos, havia tão grande agitação no Brasil que, até em Teresina, uma capital de quinta categoria, onde as casas eram cobertas de palhas e as ruas eram de terra batida, o eco do que se passava nos centros políticos brasileiros ali repercutiram com força. Meu pai estava engajado até os cabelos no imbróglio político. Ele era getulista radical. Havia grande pressão dos trabalhadores pelo aumento do salário mínimo.  

Jango Goulart cedeu às pressões populares e concedeu um aumento de 100% para o salário mínimo. Isto levou os militares a uma reação, pois este aumento, é claro, desequilibrava a balança da estabilidade econômico-financeira do país, já bem caótica.  No mês seguinte, fevereiro de 1954, 82 coronéis e tenentes-coronéis, ligados à ala conservadora do Exército no Rio de Janeiro, se revoltaram e assinaram um documento que ficou conhecido como Manifesto dos Coronéis. Nesse documento, os coronéis pregavam a “deterioração das condições materiais e morais” indispensáveis ao pleno desenvolvimento do país e das Forças Armadas, onde ” um perigoso ambiente de intranqüilidade”, ameaçava se alastrar pelas tropas. Os coronéis incentivavam seus superiores a uma “campanha de recuperação e saneamento no seio das forças armadas”, a qual tinha como firme propósito a restauração dos “elevados padrões de eficiência, de moralidade, de ardor profissional e dedicação patriótica, que (…) asseguravam ao Exército respeito e prestígio na comunidade nacional”. Tem muita coisa que não vou falar porque este artigo viraria um livro e não seria lido até o fim, que é o que importa. Mas o leitor já pode verificar que a supressão desta História recente dos livros de estudo da História do Brasil foi um atentado criminoso contra nosso país e nosso povo. E a supressão do estudo da nossa História pelos alunos de primeiro e segundo graus foi um golpe traiçoeiro cometido contra nós. Ainda estamos vivendo os ecos intensos dos idos de 40 a 70, no Brasil. 

João Goulart foi o responsável pela revolta dos militares de 64.

João Goulart desobedeceu à Constituição vigente à época, tendo como seu objetivo intensificar a luta de classes e criar um clima propício ao comunismo (socialismo) no Brasil. Os sindicatos, infiltrados por todas as espécies de agentes estrangeiros (CIA e agentes da URSS) e apoiado pelo Governo de João Goulart, cumpriam à risca a tarefa que a subversão lhes prescrevera. O mote era abaixo os democratas e viva o social-comunismo. O meio estudantil fervia. Eu estava no Rio e vivi sem o querer, a agitação estudantil daquela época.

Gal. Olímpio Mourão Filho. Abra o link em nova página e leia o que ele predisse.

Em setembro de 1962, em Santa Maria, RS, na casa do Bispo Victor Sartori, aconteceu um encontro entre o bispo, Krieger e o General Olímpio Mourão Filho, por iniciativa deste. O tema discutido era o levante militar, pois as FF. AA. sabiam que o Brasil estava no iminente perigo de mergulhar em um conflito sangrento incentivado pelas potências que mantinham a famosa “Guerra Fria”. O tema do encontro foi exatamente este: o Exército devia se rebelar e tomar o Poder para evitar que o Brasil fosse despedaçado. O General Olímpio Mourão Filho era o principal articulador do que viria a ser o Golpe Militar de 1964. Não foi Castello Branco. Este, ao contrário, tentava acalmar os ânimos e incentivava seus colegas de farda a buscar uma saída que não levasse ao conflito, pois, pela sua visão, o começo poderia ser previsto, mas não o final. Ele estivera na segunda guerra mundial e vira a desgraça que era um conflito daqueles. Por sua experiência terrífica, ficara por mais de dois anos no front, Castello Branco era frontalmente contrário a qualquer derramamento de sangue. No Congresso daquela época também se iniciou um movimento contra os desvios e desmandos do Governo de João Goulart. Então, não foram somente os militares a se rebelarem. Os civis também estavam engajados na rebelião, coisa que, curiosamente, NINGUÉM FALA.

Este sujeito é fruto daqueles tempos nebulosos e nos faz mal até hoje.

O Governo de João Goulart caminhava a passos firmes na instauração de uma anarquia muito similar à que o PT da atualidade instaurou em nosso território. A Imprensa passou a ser perseguida ferozmente. O jornalista Hélio Fernandes foi acusado de ter divulgado instruções secretas do Ministério do Exército (o que era uma desculpa mentirosa para a sua prisão) e isto incendiou mais ainda os ânimos no país. E surgiu a revolta dos sargentos da Marinha e da Aeronáutica, em Brasília, cuja repercussão, no Rio de Janeiro, me levou a me ver enrolado com ela, haja vista que eu tinha parente de alta patente na Marinha do Brasil. Tentaram a prisão do Governador Carlos Lacerda (que limpou o Rio de Janeiro de mendigos e ladrões, mandando matar os que a Polícia prendia e jogar seus corpos no rio Guandu, mas esta é outra história dentro da História). Entretanto, o Coronel Boaventura Cavalcanti se negou a cumprir a ordem recebida. O Rio de Janeiro fervia. O Brasil estava em brasas. Sindicatos com altas tendências comunistas-socialistas manipulados por agentes da KGB (a Agência de agentes secretos da URSS) e êmulos da CIA se perdiam do rumo. O General Ademar de Queirós estava totalmente motivado para o combate armado. Assim como ele, outros generais pensavam igual. O General Cordeiro de Farias estava revoltado com o abandono das FF. AA. com destaque para o Exército e abraçava a idéia de uma revolução armada. O Gen. Costa e Silva era um dos maiores incentivadores da guerra aberta. Costa e Silva pregava a matança total e absoluta de todos os políticos daquela época. Uma revolução à moda Castrista, mas com fundamentação totalmente patriótica, nada de tendências comunistas.  E foram estes generais que terminaram por se reunir com outros a fim de procurar alguém das FF. AA. que fosse menos cabeça quente. O Senador Daniel Krieger teve papel importante nisto. Ele esfriou um pouco os ânimos dos generais, embora Costa e Silva não aprovasse governo meio-termo. Com ele era tudo-ou-nada. E foi totalmente contrário à indicação de Castello Branco para ocupar a Presidência no Regime de Exceção. 

Castello Branco hesitou muito em aceitar ser o indicado para a Presidência da República, depois que o Poder fosse retirado dos civis traidores pelos militares. Ele dizia que era militar e que as FF. AA. tinham a obrigação constitucional de só agir quando chamadas pelo Presidente da República em defesa da Nação. Ele e Costa e Silva tiveram grandes discussões devido ao “instinto assassino” deste último e foi por ver que se Costa e Silva fosse o escolhido o sangue ia correr, que Castello Branco decidiu ir contra suas convicções militares. Cá pra nós, eu sempre fui partidário de Costa e Silva e o tempo mostrou que ele estava certo. Se Humberto de Alencar Castello Branco não tivesse sido tão bonzinho com esses crápulas que aí estão, nosso país não teria chegado às condições miseráveis em que se encontra agora.

Então, o jornalista que escreveu o citado artigo ou não conhece a verdadeira história da revolução de 64 e suas raízes num passado mais atrás, nos tempos de Getúlio Vargas, ou, o que para mim é mais óbvio, é um petralha disfarçado e se serve de sua profissão para enlamear a honra de um Militar que nunca traiu o país. Ao contrário, Castello Branco evitou muito derramamento de sangue e mudou nossa História, pois sem sua capacidade de articulação diplomática, talvez o Brasil que conhecemos hoje já não existisse tal como é. 

Que alguém defenda a ideologia safada do comunismo-socialismo até que se pode tolerar. Mas que este alguém procure envenenar o passado, distorcendo a realidade dos fatos e enlameando os grandes nomes de Nossa Verdadeira História, isto não. É intolerável.

Fica aqui meu repúdio ao citado jornalista e seu conto de carochinha. E fica também meu protesto pelo silêncio das FF. AA. que não defendem seus heróis de um passado recente. Por que silenciam?