VANCÊ TEME A MORTE?

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Elas eram assim há 15 dias. Já dobraram de tamanho, hoje.

Elas eram assim há 15 dias. Já dobraram de tamanho, hoje, 1/12/2016.

Meu velho amigo sentou-se em silêncio e pitou com expressão introversiva na face. Parecia estar muito longe de seu toco predileto. Eu, por minha vez, não me preocupei com ele e fui cuidar da pequenina filhota da Atena. Sua irmã, a esta altura, está muito longe e para nunca mais nós a veremos de novo. Gozado, senti uma tristeza muito grande quando a sua dona (a mesma do cão que cruzou com nossa cadela) veio buscá-la para vender a uma senhora que mora no Tocantins. Fiz questão de não ver qual das duas ela escolheria. A alegria e o amor de ambas a mim me tocou fundo. Mais

HOME, IXPRICA PRO MEU NETIN O QUI É ESSE NEGÓÇO QUI A FESSORA DELE PEDIU PROS ALUNO DELA.

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Fungo

Um bonito fungo roxo.

Arthurzinho subiu as escadas de minha varanda e se atirou em meus braços, com aquele seu sorriso de alegria e de quem está de bem com a vida, como se não tivesse dilemas em seu dia-a-dia. Estava bem crescido para seus dez anos, quase onze. Atrás dele vinha seu avô com aquele gingado próprio dos capoeiristas velhos que nunca deixaram de jogar a Capoeira. Era muito raro o moleque de meu amigo vir aqui em casa, de modo que eu me senti muito alegre em vê-lo. Retribuí o abraço caloroso com outro de igual carinho.

Um belíssimo fungo amarelo.

Um belíssimo fungo amarelo.

Depois do café amargo e de um papo descontraído sobre a vida alegre e cheia de agitação do netinho de meu velho amigo, o garoto me estendeu seu caderno de deveres de casa. O último, o que os tinha trazido até mim, pedia que Arthur desse as diferenças entre os tipos de governos possíveis de serem adotados num país e indicasse qual era o regime do povo brasileiro. Estranhei que se pedisse aquilo a um menino que cursava apenas o ensino básico e, curioso, perguntei a ele se o pessoal do PT andava de doutrinação em sua escola. Ele me respondeu que, agora, não mais. Mas que andara, sim, tentando convencer a criançada a adotar o pensamento comunista-socialista como aquele ideal para o Brasil. Também me disse que, porque lia tudo o que eu escrevia sobre o tema, ele e sua turma haviam sido discriminados pelos doutrinadores pagos pelo PT para cooptar mentes jovens. Motivo? Nenhuma das crianças da turma de Arthur se interessou pela doutrinação petista. Respirei aliviado. Mais

OROZIMBO E O PRESIDENTE ELEITO DOS ESTADOS UNIDOS

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Orozimbo me meteu numa camisa de onze varas...

Orozimbo me meteu numa camisa de onze varas…

Chegou com uma garrafa de garapa gelada nas mãos. Estendeu a garrafa para mim e foi sentar-se em seu toco. Encheu o cachimbo de fumo e pitou em silêncio durante um longo tempo. Chovia uma chuvinha fina, daquelas que realmente molham a terra. O ar estava muito úmido, ao contrário do que vinha acontecendo por estas bandas nos últimos nove meses, quando era seco e o calor sufocava. Então, quando já havia bebido seu café preto e sem açúcar, bateu a mão na cadeira que colocara ao lado de seu toco preferido, chamando-me para sentar. Obedeci, curioso. Era raro ele não entrar já conversando pelos cotovelos. Geralmente alegre, agora estava com ar preocupado. Sentei-me e o olhei, curioso.

— Home, cuma é o nome do negão qui manda nos tar de americanu?

— Obama — respondi. — Por que?

— É verdade qui ele vai intregá o manto de chefe daquele povo pr’este peste louro cum cara de bode dos inferno? Mais

O BATIZADO

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Ele me aprontou uma daquelas...

Orozimbo me aprontou uma daquelas…

Igreja cheia. Tudo gente de cor. Tudo negro mesmo. Cabelo de tuim, nariz tendente a chaboque, olhos negros e roupas mais ou menos conservadas, engomadas ainda com a goma de antigamente. E todos de terço nas mãos. Solenidade? Um batizado. Eu foi convencido a ir pelo meu amigo Orozimbo. Ele me disse que se tratava do batizado do primeiro filho de um professor da escola de seu netinho e que ele gostaria muito de me ter como convidado de honra. Eu nem conheço o sujeito, mas fui. Contrariado, mas fui.

Era de manhãzinha. A igreja tinha poucos fiéis e todos eram negros. Nem mesmo um mulato. Tudo negróide da silva.

Nós nos pusemos ao redor da pia batismal e a criança, negra retinta como seus pais, foi colocada nas mãos do padre. Este, após rezar em voz baixa e conjurar sei lá o quê, perguntou ao pai:

— Que nome pretende dar ao seu filho?

Houve um momento de silêncio que eu achei que era proposital. E era mesmo. Mais

OROZIMBO E A SAUDADE

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Orozimbo gosta de me provocar.

Orozimbo gosta de me provocar.

Eu me preparava para continuar a saga desconhecida de Yehoshua quando a campainha tocou. Fui atender ao portão e era Orozimbo. Cumprimentou-me como de costume, com um aceno de cabeça, e sem mais aquela entrou pelo meu gramado e foi direto para a varanda, subindo os poucos degraus da escada que levam a ela. Sentou-se em seu toco, acendeu seu pito e ficou ali, baforando e olhando o vazio. Fui buscar seu café amargo e lho dei, perguntando se desejava conversar sobre algum assunto. Se não, então eu voltaria ao que ia fazer quando ele chegou. Respondeu-me que sim, que queria conversar. Puxei uma cadeira e me sentei ao seu lado. O sol já começava a incomodar, mas raramente ele aceitava entrar em casa. Gostava de ficar ali devido ao toco que lhe servia de cadeira. Na verdade era mesmo um toco. Um tronco de mangueira, grosso, com a altura mais ou menos do joelho de uma pessoa. Eu o colocara ali por gozação, mas para minha surpresa, ele adotou o tronco como se “toco” de assento e não largou mais.

— E então, do que vamos falar, hoje? — Instiguei, curioso. Quando meu amigo vinha aqui é porque queria conversar ou estava “incafinfado” como ele dizia.

— De vancê — respondeu-me ele, desconcertando-me. Mais

OROZIMBO E O FIM DO BRASIL

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Meu amigo me deixou preocupado.

Meu amigo me deixou preocupado.

Eu estava às voltas com a secura do ar. Nesta época do ano, quando, no passado, o clima do Centro-Oeste brasileiro era super agradável, o ar atualmente fica quase sem água. O calor, então, é estranho. O ar está quente e seco. Não há umidade suficiente e nossa pele, nossos olhos, nossas fossas nasais, tudo arde como se estivesse sendo assado em fogo brando. A cabeça dói uma dor constante, latejante e que perturba o sentido de equilíbrio. Ao menos nos velhos, como eu. Para aliviar a secura, de duas em duas horas molho os  121 m2 de meu “jardim” diante da varanda de casa. Pois bem, estava eu fazendo isto, já às 6:30 h, quando, para minha surpresa, Orozimbo me surge no portão. Abri-o e ele entrou lépido. Como sempre não perguntou o que eu fazia. Era olhar e ver, portanto, meu velho não desperdiçava palavras. Simplesmente me deu um tapa doloroso no ombro esquerdo e foi-se sentar em seu toco, entregando-se ao seu costume de sempre: colocar fumo dentro do pito. Continuei molhando o gramado, a jaqueira ainda em crescimento (tem mais ou menos 1,75 m de altura e 9 meses de idade), o limoeiro (mesma altura e mesma idade), a laranjeira (um metro mais ou menos e mesma idade que as duas outras) e o preguiçoso pé de jabuticaba (cinco anos e mais ou menos 80 cm de altura). Junto deles, um pé de mirra, um arbusto que está espalhando galhos para todos os lados. Quando acabei meu trabalho, entrei e peguei o café preto e sem açúcar para Orozimbo. Então, sentei-me a seu lado e esperei que falasse. E ele falou. Mais

A TRISTEZA DE OROZIMBO

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A Consciência é um Deus que não perdoa...

A Consciência é um Deus que não perdoa…

Fiquei surpreso quando dei de cara com aquela cara negra, de olhos brilhantes numa cabeça redonda sobre ombros largos, fortes e musculosos, parado diante de meu portão esperando para entrar. Abracei meu amigo com alegria, mas ele não me retribuiu o abraço com a mesma euforia. Olhei-o nos olhos e notei uma nuvem de tristeza nublando-lhe a expressão. Em silêncio caminhamos para a escadinha de minha varanda, que ele subiu firme, mas devagar. Parecia trazer sobre os ombros um grande peso. Não perguntei nada. Sabia que ele falaria quando estivesse pronto para isto.

Orozimbo sentou-se no seu toco e pediu seu café amargo. Servi-o e me sentei ao seu lado, numa cadeira de madeira. Ficamos em silêncio, olhando o abacateiro que, com nove meses, já me ultrapassava em altura. Ele cachimbou um tempão, sempre silencioso, olhar perdido algures, numa dimensão que eu não enxergava. Então, com um suspiro profundo bateu sua mão calejada em minha coxa.

— Véi num gosta de perdê amigo, num sabe? E gosta menu ainda de num pudê ajudá…

Calou-se novamente. E novamente esperei. Então, depois de mais cinco ou seis baforadas, curvou-se, bateu o cachimbo na borda da calçada, tornou a enchê-lo e acendeu o fumo oloroso. Voltou-se para mim e perguntou: Mais

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