A AGONIA DA MORIBUNDA

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Em sua simplicidade ele sabe muito e ensina muito.

Em sua simplicidade ele sabe muito e ensina muito.

Orozimbo sentou-se na borda da cama onde jazia o corpo emagrecido da Senadora. Ela havia sido sua consulente desde quando, ainda jovem, entrara para a Política. Era uma adolescente muito bonita, pele clara, cabelos castanhos, quase louros, olhos caramelados e sorriso cativante. Tinha uma expressão angelical, de felicidade e alegria perene na face. Cativava a quantos com ela interagisse. Tinha um corpo de linhas proporcionais, excitantes para os homens e sabia perfeitamente de seu feitiço sobre eles. Gostava daquilo. E quando decidira, lá pelos de 1970, aceitar ser a Presidenta da UNES e, depois, da UBES, viera consultar os búzios de Orozimbo. Ele tinha franzido a testa e dito que aquele caminho era sem volta. “Vancê vai enricá, minina, mas é dinhêro mardito. Vancê se tornará ladrona dos pobre. E perderá a decênça… Num entre nisto não, nho sim? Num será bão pra sua arma, imbora seje munto bão pra sua vida de muié bunita. Mas num vale a pena, intende? ” Certa de que jamais enveredaria pela senda do Crime, a jovem lhe sorrira e dissera, segura de si: “Eu vou mudar tudo, Pai Orozimbo. O senhor vai ver. Vou entrar naquele covil de covardes traidores do país e vou virar tudo de cabeça para baixo. Aí, comigo no comando, nosso Brasil vai-se libertar finalmente do jugo maldito da traição e da corrupção!”. 

Orozimbo cachimbou um bocado, olhando os búzios com o cenho franzido, em total concentração. Então, rebateu: “Num vai ser ansim não, minina. Vancê vai-se enrolá com um Partido confuso, que vai adotá a cor vermeia, que é a cor da guerra, da dor, do sofrimento e do desastre. Vermeio é a cor do sangue que se derrama antes de a Históra mudar de rumo. Vancê é uma jove de propósito firme, mas lá dentro da pulítica num tem gente ansim não, cumprende? Lá dentro tem munta gente qui num presta. O tar partido, véi vê aqui, tem uma nuve cinzenta sobre ele. Uma nuve qui vem de munto, munto tempo e otros territóros. Territóros lá de fora, qui num é do Brasil. Mas é o símbolo da solidão qui os dono dele vai jogá sobre os otro. Num entre nele. Ao menos faça isto. Ninhum presta, véi sabe disto, mas esse que véi vê, num presta mermo. É tudo errado. E lá dentro vancê inté pode crescê, mas será pur trapaça, mintira, artimanha covarde… Tudo que num presta e só tem o qui vancê afirma, agora, qui vai combatê. Num vai não, minina. Vancê é uma só e mermo qui queiresse, já terá sido murdida pela Cobiça e com o veneno disto, será munto fárci vancê merguiá de cabeça na corrupção. Num entre em política, minha jove. Num entre qui na idade adurta, caje véia, vancê vai se vê im parpos de aranha. Mas aí, ouça bem, será munto tarde pra chorá. Num terá cuma andá de vorta”. Mais

JANOT MIRA EM AÉCIO E EM DILMA, PASSANDO POR LULAÇA CACHAÇA.

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Janot, descascando uma batata quente, está mandando todo mundo pra prensa...

Janot, descascando uma batata quente, está mandando todo mundo pra prensa…

— O gordim tá ca mulesta, sô! — Era Orozimbo, sentado, satisfeito, em seu toco e bebendo seu indefectível café amargo. Eu o olhei de sobrecenho erguido. De quem ele falava?

— Uvi meu netim, o Arthurzim, lê umas notiça dos jorná pr’eu uvi, num sabe? E apois num é qui o gordim da tar Procuradoria da Repúbrica deu de mirá no tar de Aécio e, de quebra, tombém na Dirma e no Lula? Ele arresorveu metê os gato tudo num balaio só. Êta cabra bom!

— Hummm… — Fiz eu, com desânimo. — Acho que tudo isto é pra inglês ver, meu caro. Eles são considerados “poderosos” e, agora também, “milionários”. Em nosso país não se pune verdadeiramente nem poderosos nem milionários. Um puxão de orelha, com um afastamento provisório da vida pública e pronto. Ei-los de volta, após oito anos de descanso, para o mesmo sistema péssimo que eles criaram para se manter ali desde 1888 e se locupletar e se perpetuar no Poder. 

— Pode inté sê, num sabe? mas véi uviu a fessora de meu netim dizê qui dessa veiz a coisa vai.

— Vai, sim. Mas para o brejo — rebati, negativo. Mais

REI MORTO REI… POSTO? QUEM? PARA MIM, UM VELHO AMIGO É BASTANTE.

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Fiquei fora por um tempo para me "desinvenenar"...

Fiquei fora por um tempo para me “desenvenenar”…

Estive parado porque estava desanimado. Ver triunfar as nulidades não é nada fácil. Mas as águas do rio da vida não podem ser sustadas. Orozimbo chegou, ontem, com a mão cheia de notas de um, dois e cinco reais. Junto com elas, algumas moedas. Colocou o pequeno rolo de notas em minhas mãos, juntamente com as moedas. Fiquei com aquilo nas mãos olhando para ele sem entender nada.

— É do Arthurzim. Ele feiz uma coleta pro’cê, home.

— Por que Arthurzinho coletou dinheiro para mim?! — Perguntei, confuso.

— Ué! Vancê num pidiu ajuda pra sua fia? Ele correu a sacolinha junto dos cumpãeiros dele na iscola e arrecadô isto aí. Véio veio trazê o dinhêro pruqui ele tá todo atrapaiado com os istudo, num sabe?

Olhei para as notas enroladas em minhas mãos e para as moedas que iam de um real a cinco centavos. Mais

É A BARBA!

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Meu amigo chegava a conclusões sui gêneris e se dava por satisfeito com elas.

Meu amigo chegava a conclusões sui gêneris e se dava por satisfeito com elas.

Orozimbo abancou-se em silêncio. Tomou seu café amargo, acendeu seu pito e ficou olhando sério para a Atena, a cadela ruskie que o olha sempre desconfiada. Os dois estavam assim, se encarando, quando eu cheguei e me deitei na rede. Cedo, até que ainda é possível ficar esticado ali, assistindo o Sol crescer no céu azul ou levemente nublado, como está hoje, sabendo que às dez horas (a verdadeira), não é mais possível aguentar o calorão que desce furioso das telhas da varanda. Mesmo com um anteparo feito de isopor, ainda assim é incômodo permanecer ali depois das nove horas. E dizer que minha varanda já foi fria o dia inteiro… Parece até que a recordação me vem de outra encarnação. O clima mudou tão abruptamente aqui, no Centro-Oeste, que tenho a impressão de que aquele frio que era característico da terra centro-oestina pertence a um manvatara que já findou… Mais

A CULPA DE OROZIMBO

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Ele não abdica de suas "guias" de modo nenhum.

Ele não abdica de suas “guias” de modo nenhum.

Meu velho amigo chegou, como sempre, sem cerimônia. Abancou-se em seu toco, acendeu seu pito e pachorrentamente esperou que terminássemos o ritual do Culto no Lar. É que, curioso como sempre, decidi fazer um curso denominado CUIDADORES DA ALMA, no Centro Espírita Ramatis. As cinco primeiras aulas não me despertaram interesse, pois o que ensinavam era, para mim, conhecimentos de “segundo grau”. Eles não vão além do Duplo Etérico. Quando muito, chegam ao Corpo Emocional e falam alguma coisa, muito leve, sobre o Mental Inferior ou Corpo Rupa, isto é, o Mental onde surgem imagens mnêmicas. Meu interesse cresceu quando veio a aula sobre CROMOTERAPIA. Eles possuem dois aparelhos “belíssimos” de aplicação de luz. Coisa com que eu sonhei muito possuir, quando tinha meu consultório de Psicologia Clínica, mas não havia onde obter, no Brasil. Eles importaram dos EUA um como modelo e, aqui, replicaram-no. Agora, se se integra o quadro de trabalhadores da casa, pode-se comprar um para si. Só por isto vou-me tornar um trabalhador. Nem que seja por somente um ano. Entretanto, quando adentraram o Reiki eu me interessei de verdade. A prática da aplicação de passes magnéticos eu conheço de sobejo, graças à Umbanda, ao Espiritismo de Mesa, ao Budismo e à Teosofia. Por isto, nada tinham a me acrescentar, exceto o fato curioso de que aplicam os passes com a pessoa deitada em uma maca. Na Umbanda, quem aplica o passe magnético é a entidade que está “incorporada” (caboclo, preto velho etc…). Eles o fazem estalando os dedos e, na maioria das vezes, “defumando” o Duplo Etérico com a fumaça do charuto ou do cachimbo, com a intenção de queimar e afastar as larvas etéricas e do baixo astral, atraídas para os corpos sutis dos consulentes devido aos seus vícios (fumo, bebida, drogas) ou pela sujeira que gruda em seu Ovo Áurico e é causada por seus maus pensamentos e más reações emocionais. No Ramatis este estalar de dedos não é aprovado nem permitido.

A propósito, consulte o endereço http://www.levir.com.br/salao7-video.php?num=0863 para aprender sobre os Chakras Etéricos. As aulas contidas ali são excelentes. Você vai aprender muito sobre algo que certamente desconhece totalmente. Mais

OROZIMBO E AS VIAGENS INTERPLANETÁRIAS.

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O nervo entre as vértebras T-12 e C-1, que afetam o gânglio celícaco e o plexo hipogástrico, quando beliscado pelo bico-de-papagaio, dispara uma horrível poliesculhambose" que torra a paciência da gente.

O nervo entre as vértebras T-12 e C-1, que afetam o gânglio celícaco e o plexo hipogástrico, quando beliscado pelo bico-de-papagaio, dispara uma horrível poliesculhambose” que torra a paciência da gente.

É domingo. Estou às voltas com uma dor terrível no nervo afetado pelo maldito bico de papagaio, em minha coluna. A par com isto, luto com a dúvida entre enfrentar ou não, a dolorosa operação para implante dentário. Já fui comunicado pelo implantodontista que ele retirará osso da parte anterior de meu maxilar para suprir a falta óssea na parte frontal, onde faltam meus dentes. Aos 75 anos, com dores que não cessam dia e noite em minhas costas, roubando-me o sossego do sono, optar por mais uma fonte de grande dor, desta vez na face? Hesito.

A decisão tem de ser tomada em tempo curto, pois dia 13 deste mês, justamente no dia de meu aniversário, devo dar os cheques para pagamento da primeira etapa do longo trabalho de implante. E hoje são 11 de outubro de 2015. Que dilema. Ninguém pode-me ajudar…

Estou com a família toda em casa – filhos, genro e nora e neto adotado por meu filho. Como se dizia antigamente, “estou com tudo e não estou prosa”. E foi assim, com o Astral mais por baixo que barriga de cobra, que Orozimbo me encontrou. Mais

HOME, O MUNDO TÁ DOIDO!

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Gosto muito quando ele vem me visitar.

Gosto muito quando ele vem me visitar.

Orozimbo, que andava desaparecido fazia tempo, desde que visitou a cadeia a contragosto, resolveu dar as caras. Não apresentava mais aquele ar cansado com que saíra daqui há alguns dias. Entrou, abancou-se em seu toco, pediu seu café amargo e bebericou pacientemente enchendo seu pito com o fumo oloroso. Depois, pitou meditativo, o suor escorrendo pela face negra de olhos brilhantes. Faz um calor abrasador por estas nossas bandas e não há previsão de chuva. Eu me sentei a seu lado lamentando ele não gostar de entrar em casa. Ficamos em silêncio, ele pitando e eu lendo as fofocas da ÉPOCA. Sempre o Petrolão e os enrolados nele. Em dado momento Orozimbo pediu que eu lesse em voz alta e eu o atendi. Ele ouviu todo o artigo pacientemente (A PROPINA DE PASSADENA). Quando acabei, ele riu, divertido. Estranhei e o questionei a razão do riso. Mais

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