MINHA LUTA COM MOGKULL, O VAMPIRO – PARTE V

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E vamos que vamos…

 

Venho falando de mim. Pedaços de minha vida. E o faço porque acho que ela foi rica em todos os aspectos. E como todos nós que caminhamos pelo vale de lágrimas quando nos vamos não deixamos rastro, nem mesmo os que ficaram registrados em livros de história para que a posteridade leia alguma coisa a respeito do indivíduo, decidi eu mesmo falar de minha história. Afinal, ninguém a conhece melhor que eu, que a vivi. Mas nenhum indivíduo escreve sua história de vida fora do contexto da História Universal do momento em que tem existência aqui no Vale de Lágrimas. Não somos, ninguém o é, independente do Todo no quesito História da Humanidade sobre a Terra. Mesmo o mais humilde mendigo que passou por aqui e jamais foi notado senão por seus parentes mais próximos deixa de sofrer a pressão dos milhões de fatos que acontecem a cada segundo na História Universal do Homem sobre a Terra. Então, para que quem me lê consiga me contextualizar historicamente, vou tentar rascunhar aqui a situação da História Política da Humanidade no período entre 1940 a 1978. Apenas uma pincelada e de conformidade com a óptica míope de quem viveu a vida totalmente alienado da História. Mais

MINHA LUTA COM MOGKULL, O VAMPIRO – PARTE IV

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MODELO TWIGGI 2 - FAMOSA NOS ANOS 60

Twiggi (graveto em inglês) era a modelo mais famosa nos anos 60 e aquela com quem N.M.G.S. mais se identificava.

Bom, narrei aqui como eu me enrolei com N.M.G.S., mas falta um pouquinho mais para que tudo fique claro. Então, vamos lá. Quando eu sarei da pneumonia estava fraco e desempregado. Como minha carteira profissional não tinha sido assinada e como N.M.G.S. tinha assumido meu lugar com inteira proficiência, ameaçando aos mais afoitos com o “seu noivo”, o dono da empresa achou melhor passar para ela o controle dos vendedores e lhe ensinar como fazer os quadros de distribuição de tarefas e apuração da produção ao final da semana. Não era coisa difícil e N.M.G.S. era inteligente. Aprendeu tudo rapidamente. Assim, ela mesma me disse que eu tinha sido despedido. E também me disse que eu já era seu noivo e que tínhamos de pensar em nosso casamento. Para isso, eu precisava encontrar novo trabalho. Naqueles idos trabalho era o que não faltava no Rio de Janeiro, principalmente para bons datilógrafos. Mas não dá para escrever aqui o espanto de que fui tomado. Tinha desmaiado solteirinho e descompromissado, como era o que eu gostava de ser, e voltara à realidade noivo e já sendo cobrado sobre estruturar uma vida nova ao lado de uma garota por quem eu não sentia absolutamente nada. Mais

MINHA LUTA COM MOGKULL, O VAMPIRO – PARTE III

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MEU NETO HEITOR COM DEZ MESES

Meu querido netinho, Heitor, apoiando-se em meus joelhos à espera de que eu o tome nos braços para jogá-lo ao alto e o aparar de volta. Ele vibra e gargalha, como vibrava e gargalhava sua mãe em sua idade, quando eu fazia com ela a mesma manobra…

Com raras exceções, todas as pessoas de quem falo aqui, neste excerto de minha vida ou já estão mortas ou, as poucas que ainda vivem, estão caquéticas tão ou mais que eu mesmo. E quando chegamos a isto, não damos qualquer importância ao que se diga de nós. Nossos olhos não estão voltados para o mundo que borbulha ao nosso redor. Eles se voltam para o insondável mistério do que chamamos morte. Por exemplo: a corrupção que avassala nosso país atinge-me somente porque aprendi a amar verdadeiramente uma pessoa quando minha filha me deu um lindo netinho carinhoso, confiante e amoroso. Ele me fez sentir o que jamais tinha sentido dentro de mim: amor profundo, absoluto e total por alguém. Amor que transcende todo e qualquer sentimento dentro de nosso Ser. Mesmo meus filhos não me despertaram esta espécie de amor que ele me despertou porque no tempo em que meus filhos nasceram eu estava mergulhado até à alma em lutas de sobrevivência, em que até minha vida estava constantemente por um fio. E toda aquela guerra de vida ou morte tinha tido início na ENTEL, como vocês verão. Já agora, aposentado e tendo tempo para ter em meu colo uma criança e poder realmente brincar com ela, rir com ela e sentir sua confiança plena e total em mim, meu Mogkull caiu de joelhos. E diante de uma criança que ainda nem sabe que o é. Como eu queria, agora, que meus pais tivessem sentido isto com relação a nós, seus filhos, e aos nossos filhos, seus netos, quando tiveram a oportunidade para tanto. Mas infelizmente a cultura de que eram egressos não lhes permitia isto. E eles transmitiram aquela secura a seus filhos do modo mais cruel que era possível, na época. Não o fizeram por maldade, mas porque a Sociedade em que nasceram e viveram e foram educados era toda ela cheia do ranço Vitoriano. Mais

MINHA LUTA COM MOGKULL, O VAMPIRO – PARTE II

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Eu tomei uma parte de minha vida, de certo modo aleatoriamente, para iniciar a relatar minha batalha contra o vampiro Mogkull que me habita. Tudo se constituindo numa tentativa de fazer que você, que ousa me ler num país onde ler se tornou anacronismo, também possa se compreender e possa lutar contra o seu Mogkull. Claro que naquele passado de minha existência eu não fazia idéia de que trazia dentro de mim um Diabo Maquiavélico e Mau como herança do fardo de ter  nascido um Ser Humano. No entanto, é preciso que eu relate aqui como foi que o Mogkull me foi despertado quando eu ainda era muito criança. Nós o trazemos como possibilidade latente, mas ele não se incorpora ao nosso psiquismo sem que haja fortes estímulos traumatizantes vindos de fora, do meio-ambiente familiar e social. É dali que ele nos invade e nunca mais nos deixa. Então, vamos lá.

MINHA FAMÍLIA QUANDO EU ERA PEQUENO

Meus pais. Eu não sei qual era minha idade nem a da minha irmã, nesta foto. Mas sei que ela foi batida quando ainda morávamos em Campo Maior, Piauí. Olhem atentamente para a expressão no meu rostinho de criança e vejam que eu já era um ser que sofria. Uma criança que já tinha medo da vida…

1º) Ano de 1944. Eu contava com quatro anos. Surto de tuberculose em Campo Maior, Piauí. Meu pai era o enfermeiro-chefe do posto de saúde da cidade, uma vila, na verdade. A penicilina era a cura para esta doença terrível. Mas seu frasco tinha que ser mantido dentro de geladeira, um bem que não estava ao alcance de qualquer pessoa, naqueles idos. Até porque as geladeiras eram à base do querosene e consumiam bastante combustível para gelar além de soltar uma fumaça desagradável no ambiente. Meu pai tinha de passar as noites cavalgando pelo Município levando cinco a seis frascos de penicilina, estreptomicina e outras “cinas” quaisquer, dentro de uma caixa com pedras de gelo. Sua seringa era guardada dentro de uma caixa de metal, cuja tampa servia de recipiente para o álcool, e cuja a caixa mesma, retangular, servia de instrumento de fervura. Álcool na tampa, pequena trempe sobre ela e a caixa com a seringa e as agulhas colocadas para ferver. Depois de dez minutos de fervura a seringa e as agulhas eram retiradas dali e a injeção era aplicada.

Meu pai tinha terrível fama de ser mulherengo, herança de seus tempos de cangaço, quando realmente ele não poupava mulher. Negra ou branca; jovem ou madura; rica ou pobre; solteira ou casada; bonita ou feia, nenhuma lhe escapava. Bobeou e o velho caía dentro. Por causa disto, minha mãe se roía de ciúmes e desconfianças. Afinal, Campo Maior era a base onde meu pai, quando jovem, andara pintando o diabo entre a mulherada e sua fama de “corneador” era grande. Ele era o “Ricardão” daquelas quebradas e muitos maridos queriam ardentemente sua morte, embora o temessem como o diabo teme a Cruz. Pudera! Meu pai tinha sido cangaceiro e sua fama como tal era de arrepiar os cabelos. Além disto ele tinha fama de ter pacto com o diabo, pois escapara sempre ileso das tocaias que lhe foram armadas. Já não se podia dizer a mesma coisa dos tocaieiros…

Resumo da Ópera: minha mãe me acordava às escondidas e me mandava pedir ao papai que me levasse com ele. A ordem era: “vigie seu pai e me diga que mulher ele andou namorando”. Com quatro aninhos nenhuma criança entende o que é isso, principalmente quando nascida no regime vitoriano, como eu tinha nascido. Então, eu não fazia idéia do que minha mãe falava e, por isto, não tinha o que lhe contar quando nós dois voltávamos da ronda. Meu pai sabia que eu não ia com ele por vontade própria, mas para evitar brigas com minha mãe, levava-me na cela, abraçando-me com um dos braços enquanto eu caía no sono sobre o lombo do cavalo dentro das noites frias e escuras. Por sua vez, em sua obsessão ciumenta, minha mãe passou a acreditar que eu não lhe relatava nada porque estava defendendo as safadezas de meu pai. E passou a me surrar toda vez que me levava para o quarto de interrogatório. E as surras eram violentas. Tamancadas nas nádegas, nos braços, nas pernas e até na cabeça eu levava enquanto, aos gritos de terror, eu só enxergava seus olhos cheios de raiva e me fitando como se eu fosse um demônio lúbrico. E eu era. Era Mogkull que, de dentro dela, se transferia para dentro de mim, pois aos poucos eu fui aprendendo a odiar com todo meu coraçãozinho aquele monstro que, longe de meu pai, se atirava contra mim com uma raiva apavorante. Mas com o Monstro que vinha de minha mãe para mim, também veio uma tristeza infinita. Uma tristeza que nunca terei palavras para descrever e que, muitos anos depois, já adulto, me fazia chorar doloridamente sem que eu soubesse a razão daquele pranto tão desesperado e que me assomava tão repentinamente e em qualquer lugar sem que houvesse estímulo aparente para tanto. Uma tristeza que foi matando devagarinho o homem impulsivo e positivamente criativo, empreendedor, que eu poderia ter sido se não tivesse tido uma mãe emocionalmente desequilibrada.

2º) Ano de 1946. Eu tinha sido matriculado na Escola Municipal de Campo Maior. Naqueles tempos, quando os padres pregavam durante as missas, eles costumavam invectivar contra Satanás chamando-o de “o canhoto”. Então, aquela associação entre as pessoas canhotas e Satanás foi-se fazendo um clichê estimulador de grande aversão dos destros contra os canhotos. E eu era canhoto, para minha infelicidade. Assim, já no primeiro dia de aula, quando a professora adentrou a sala e todos nós ficáramos de pé, como era a ordem em todas as escolas brasileiras, ela mandou que se sentassem somente os que fossem destros. Os canhotos deviam permanecer de pé. Eu fiquei de pé com um punhado de outras crianças. Meu coração já estava a mil por hora, de tanta ansiedade e medo. E a professora não deixou por menos. Avisou que os canhotos tinham parte com o capeta e, por isto, a Escola não toleraria rebeldia de qualquer espécie dos canhotos. E mais: eles não podiam nem tentar segurar o lápis com a mão esquerda sob pena de punição.

CRIANÇA CANHOTA NA ESCOLA - foto de Gazeta RS

Criança canhota, hoje, em escola no Rio Grande do Sul. Esta foto é da Gazeta do RS e eu a colhi no google, na internet. Ela é colocada apenas para mostrar a diferença de como se trata os canhotos atualmente, nas escolas, em comparação a como fui tratado em meu tempo.

E eu recebi centenas de punições por não conseguir segurar minha mão esquerda. A mais corriqueira era ter a régua da professora quebrada em minha cabeça com toda a força de que ela fosse capaz de bater. Outra que me humilhava demais era ter meu braço esquerdo amarrado às costas para que eu não o utilizasse durante o tempo em que estivesse dentro da escola. Às vezes meia dúzia de “bolos” de palmatória vinham como reforço contra minha tentação de usar o braço esquerdo. Aquele sofrimento, culpa da Religião Católica, Apostólica, Romana, me fez odiar profundamente os padres e o Catolicismo. Eu era obrigado a ir à missa todo domingo, pois meus pais eram católicos carolas. Mas quanto mais eu ouvia as pregações discriminatórias do maldito padre, mais eu detestava aquela religião e seu rei, o tal de Cristo. Eu não sabia que ele também tinha sido um canhoto… Aquela aversão por Ele começou desde muito cedo em minha vida. O Vampiro Mogkull dentro de mim se fortalecia sobremodo com o alimento cultural tradicional vindo da Sociedade Humana atrasada em que eu crescia e era educado.

3º) Meados de 1947. Eu estava perto de fazer meus sete anos de idade (aniversario em outubro) e minha irmã, que era mais nova que eu acho que uns 4 anos (passamos a vida quase toda separados e não sei qual a diferença de idade entre nós. Mas sei que não é grande), já fizera seus três anos (ela aniversaria em fevereiro). Nossa casa, em Campo Maior, tinha uma área grande, de uns dez metros quadrados, diante da entrada. Naquele espaço havia uma árvore de ornamentação, que eu creio era a conhecida Três Marias, mas não tenho certeza. O certo é que sua galhada se espalhava como um guarda-sol ao redor de seu tronco e caía até o solo. Toda Três Marias é frondosa e folhosa. Assim, quando se ficava dentro do perímetro abarcado pelos galhos da árvore não se era visto por quem estivesse do lado de fora. Eu vinha chegando da escola. Era meio-dia ou um pouco mais. Abri o portão, entrei no “jardim” da entrada e me encaminhei para a porta, quando ouvi a vozinha de minha irmã dizendo em sofrimento: “Tila! Tila! Tá doendo! Tá doendo!” Curioso, abri passagem para dentro do “guarda-chuva” formado pelos galhos da Três Marias. E vi um menino acocorado diante de minha irmã, enfiando em sua vagina um pedaço de galho seco da árvore. Gritei: “Ei! O que você está fazendo com ela?” O garoto se assustou, largou o graveto dentro de minha irmã, e saiu em desabalada carreira. Saltou o murinho baixo que cercava a casa e desapareceu. Eu não o vi direito. Não poderia dizer quem era ele. Na verdade eu estava muito mais preocupado com a maninha que chorava segurando a sainha ao lado do corpo, calcinha arriada e de pernas abertas com o graveto espetado em sua vagina. Larguei meus livros no chão e me abaixei para retirar o graveto de dentro de sua vagina. Ela chorava e soltava gritinhos de dor. E foi aí que o Mogkull de minha mãe entrou em ação. Ela ouviu os gritos da mana e veio ver do que se tratava. E quem ela flagrou segurando o graveto espetado dentro da vagina de minha irmã? Sim, eu. Eu, o satanás da família. Não preciso dizer da tremenda surra de chineladas que levei, embora gritasse até ficar rouco que não tinha sido eu quem fizera aquilo. Mas a surra de minha mãe não foi nada comparada à que levei de meu pai, quando ela, aos gritos de raiva, lhe narrou o que este demônio havia feito com a irmã. Meu pai se transformou. Virou lobisomem para cima de mim. Sacou do cinto de couro que lhe segurava as calças, dobou-o em dois e se deliciou em massacrar meu corpinho a lambadas furiosas. Apanhei até o sangue descer dos braços, das pernas, e das costas. Minha mãe só se deu conta da selvageria de meu pai quando eu caí de quatro no chão, já rouco de gritar “não fui eu!”. Quando, finalmente, meu pai caiu em si e parou de me surrar, pegou-me bruscamente pelo braço e me arrastou para a sala de estar, onde me despiu e tratou de pensar os vergões que me marcavam o corpo todo. Usava gelo e iodo ou sei lá o que fosse. Tudo ardia demais, mas a dor maior estava dentro de mim. Eu olhava de um para o outro com uma dor indescritível em minha alma. Eu morria devagarinho debaixo do ódio violento que subia de dentro de mim contra os dois. Um ódio que também era um grito de desespero por compreender que eu não era amado por meus pais. 

Finalmente o meu Mogkull estava totalmente instalado em meu Ser. Eu morri em minha capacidade de amar fosse quem fosse. Meu leitmotiv de vida passou a ser o distanciamento de todo e qualquer ser humano, fosse ele macho ou fêmea. Aquelas terríveis experiências traumáticas não foram as únicas. Mas foram as principais.

Eu deveria ter-me tornado um desviado em minha identidade sexual, mas graças a Deus eu não tinha nenhum modelo que copiar, pois meu pai e minha mãe, cada qual a seu modo, foram introjetados em meu Ser sob a forma de dois monstros detestados por meu Eu Interior.

Os dois retiraram de mim a capacidade de amar verdadeiramente. Estou com quase oitenta anos e ao mergulhar fundo em mim mesmo, na história de minha vida, sempre chego ao ponto em que vejo um vazio horrível no quesito Amor ao Próximo. Não o Amor Divino, mas o amor material, o desejo pelo sexo oposto. Centenas de vezes eu pus em risco minha segurança social, emocional e psicológica para ajudar a jovens mulheres que literalmente me caçaram para ser seu companheiro ou em busca de ajuda. De algum modo todas intuíam que somente eu tinha condições psicoemocionais de as ajudar em seus dilemas cruciantes. Deitei com elas, fui o mais maravilhoso amante que qualquer uma desejou na vida e lhes devolvi a capacidade de acreditar nelas mesmas novamente. A todas ajudei a vencer seus vampiros interiores e elas o conseguiram. Com algumas até casei. Todas elas tremendamente desequilibradas emocional e psicologicamente. Eu as salvei do abismo em que corriam o perigo de cair, mas todas só me reconheceram como o melhor amigo que alguém podia ter, depois de terem transformado minha vida em um rosário de dores, decepções e sofrimentos. Muitas que foram “aventuras” em minha vida, morreram ainda me amando profundamente, enquanto eu nunca senti, verdadeiramente, nada profundo por nenhuma.

Eu nunca mais pude realmente amar alguém de todo meu coração. Vou embora desta vida sem saber o que realmente é esta experiência. E se não tivesse tido um psicoterapeuta Junguiano em seu modo de atuar, talvez eu não fosse o homem que fui e sou. Um homem e ponto.

Assim como meus familiares introduziram o vampiro Mogkull em meu ser, também assim alguém muito importante para sua vida, leitor, lhe fez ter este vampiro em seu ser. Ninguém escapa do monstro. E uma vez instalado em nós, ele sempre manobra para nos colocar em situações críticas, perigosíssimas e mortais, fisicamente mortais. Quando escolhi discorrer sobre um pedaço de minha vida em que Mogkull mais uma vez atuou de modo a me colocar sobre o fio da navalha, não o fiz conscientemente. Simplesmente decidi que falaria a partir dali. Não sei a razão, mas sempre desconfio que meu vampiro está por detrás desta escolha. Afinal, “o homem põe e o diabo dispõe”. 

Naquele dia em que adentrei a ENTEL – Engenharia de Telecomunicações S/A, eu estava entrando num ambiente dilemático que se multiplicaria cada vez mais  e mais e terminaria por me lançar no inferno mais denso, mais duradouro e mais terrível de minha vida.

A Psicologia tem vários nomes pomposos para o vampiro de cada um de nós. Mas ele jamais deixa de ser Mogkull, o vampiro sanguinário.

Esclarecido isto, vou retomar o fio da narrativa no próximo post.

MINHA LUTA COM MOGKULL, O VAMPIRO – PARTE I

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Este velho sou eu. Eu, que venho atracado com meu Mogkull desde quando nasci. Nunca o venci, mas ele também nunca me derrotou como gostaria…

Estou, meio contra minha vontade, tentando DE NOVO publicar uma produção literária minha. É uma saga sobre um vampiro. Mas não um vampiro fracote, que chora por amor, que se apaixona por uma mulher e que, pasmem, é capaz de copular e ter filhos. Nada disto. Um vampiro assim não é vampiro coisa nenhuma. Também não se trata de um vampiro que fez “opção sexual” invertida. Não, não. Vampiro é um ser MORTO. Logo, não pode se apaixonar nem, muito menos, ter “opção sexual” transviada. Ele não tem sexo. E não tem sexo porque não pode sentir PRAZER. É um MORTO que não pode descansar porque até na Morte ele é refugado.  E o Vampiro morre sempre que morre um ser humano; mas para sua infelicidade, ele renasce toda vez que nasce uma criança. E isto porque o Vampiro que é Vampiro de verdade vive no Ser Humano. Em seu mais profundo inconsciente tanto quanto no seu inconsciente superficial. Complicado? Não, nem um pouco. O Vampiro é o Mal que, desde quando o primeiro homem pisou na face da Terra, se abrigou como parceiro do Espírito Humano, para desespero deste. Ele estava lá, na forma da famosa cobra que tentou a Eva… Mais

MINHA REVOLTA – 4

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MINHA FAMÍLIA QUANDO EU ERA PEQUENO

Quem vê meu pai com esse semblante calmo, nem imagina como ele se transformava quando estava zangado…

Esclarecimentos: Eu acho muito interessante o estranho estado de apatia que assola as pessoas, quando se trata de pensar por si mesmas. Quase todas necessitam de um pai que lhes diga o que é certo e o que é errado. E quando encontram o tal “pai sabidão”, pronto: entregam-se cegamente a eles e lhes dão a direção de sua vida. A partir daí, sentem-se totalmente “protegidas” e acham que tudo está resolvido. Isto é o maior erro que uma pessoa pode cometer.

Amigos, ninguém tem capacidade e competência para dirigir e direcionar a vida de outro, mesmo que seja o maior gênio humano de todos os tempos. Quando eu falei sobre ter eu participado, juntamente com os Devas Diretores do Carma, da elaboração desta minha encarnação, sei que despertei muitas reações de pouco-caso e menoscabo. Principalmente entre os que, como eu, também são instruídos no Ocultismo. Estes, por inveja mais do que por dúvida real. Que horror!

Aos totalmente cegos e totalmente moucos, e desobedecendo ao que nos aconselhou o Cristo (Deixai que os mortos enterrem seus mortos – Mateus, 8-22), vou esclarecer alguma coisa sobre o tão incompreendido Carma. Mais

MINHA REVOLTA -3

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PLANTA BAIXA DA CASA ONDE VIVI ATÉ OS 3 ANOS EM CAMPO MAIORAgora, voltemos ao livro que venho escrevendo na Luz Ódica durante esta encarnação. Já no meu nascimento começou a complicação. Meus avós maternos não me aceitavam. Meus avós paternos, sim. Então, fiquei com estes e com meu pai e minha mãe na grande casa que vovô possuía na vila de Campo Maior. Era uma casa feita ainda por escravos, com chão de grandes lajes quadradas, telhado com telhas ainda do tempo em que elas eram feitas nas coxas dos escravos. O casarão tinha a forma da letra Z. Entrava-se nele por uma porta de madeira de Massaranduba dando de cara com a porta que abria para o ateliê de costura de papai. Percorria-se um longo corredor que tinha, no lado esquerdo, a parede do ateliê de costura de meu pai. Ele tinha aprendido a profissão de alfaiate, uma das mais destacadas na época. Em seu ateliê havia 9 máquinas Singer com nove costureiros sob seu comando. Eles eram responsáveis pela feitura dos ternos das principais personalidades políticas da região, bem como dos “coronés” que pagavam caro por um terno de linho branco. O corredor era largo, coisa de dois metros, e media, em comprimento, exatamente a profundidade da parede esquerda do ateliê de meu pai, algo em torno de doze metros. Mais

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