PORQUE A POLÍTICA NO BRASIL NÃO DÁ CERTO.

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Eu e meus pais, em Campo Maior, Piauí. éramos felizes e não sabíamos...

Eu e meus pais, em Campo Maior, Piauí. éramos felizes e não sabíamos…

Nasci em 1940 e desde quando comecei a me entender como gente, ouvi meu pai envolvido com política. Não entendia nada das discussões em que ele entrava, muitas até excessivamente acaloradas, vejo agora, com a visão da recordação. Algumas vezes ele e seus opositores quase se pegam a socos e pernadas – meu pai era exímio capoeirista. Getulista fanático, seu Areoval não admitia defesa contrária ao seu credo político. Lembro-me muito bem que, contava eu cinco anos, ele me levou aos ombros para ouvir Getúlio Vargas em um comício que o baixinho fez em Teresina. Meu pai viajara de Campo Maior para a capital, naqueles idos uma viagem de meio-dia só de ida e comendo poeira à vontade, pois a estrada era de piçarra, apenas para participar do comício. Não havia ônibus e a viagem era feita em paus-de-arara. Claro está que não me lembro de nenhuma palavra do que Getúlio f  lou. Meus olhinhos de criança estavam esbugalhados diante de tanta gente – todos homens – enchendo a imensa praça onde o coreto tinha sido armado. Getúlio, para mim, era uma estatueta vestida de terno branco, pequenina, que se movia e agitava os braços trovejando palavas que eu não entendia. Mas eu me recordo de que meu coração vinha à goela ao imaginar aquele grupo de homens ululantes, como se fossem um só animal emocional, a cada pausa estudada que o baixinho fazia em sua peroração, estourando em fúria. Onde nos escondermos? Como nos salvar? Mais

“AS ROSAS NÃO FALAM”

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Eu, o recruta do 3º R.I.

Eu, o recruta do 3º R.I. Ao meu lado, minha irmã Tetê.

Era o ano de 1976. Noitinha. Bem defronte ao Colégio Militar do Rio de Janeiro havia um restaurante. Era recém-inaugurado. Parei o fusca junto ao meio-fio, desci acompanhado de uma mocinha branca, pequena, nada além de 1,55 m, de andar faceiro e belo rosto. Ela me era enigmática. Uma colega de faculdade. Entramos. Escolhemos uma mesa lá no fundo do restaurante. Não queríamos ser vistos. Seus irmãos não gostavam de mim e por pouco tinha havido o perigo de eu me bater contra dois deles. Um, lutador de luta livre, rude, como todo nordestino, achava que os irmãos tinham de ser os guardiães das irmãs, mesmo quando elas já fossem de maior idade e cursassem a Universidade, o que lhes dava, segundo a Lei, direito livre de se dirigir na vida. Outro, praticante de karatê-dô, era independente e a imagem que me passaram dele não condizia com sua independência e sua altivez. De todos, alguns anos depois, foi a quem mais me apeguei. Até hoje eu o tenho como meu irmão verdadeiro.

Música ao vivo. E eis que o mulato idoso dedilha o violão e canta a música de Cartola. Num ímpeto que até hoje não compreendi, eu disse: “Esta é sua música. A nossa música”.  Mais

VERA E SUAS ANGÚSTIAS

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Agora que sei quem sou, dialogo amigavelmente com quem, em mim, vai terminar definitivamente.

Agora que sei quem sou, dialogo amigavelmente com quem, em mim, vai terminar definitivamente.

Geralmente não me incomodo de falar como se ainda fosse psicoterapeuta. Está em mim, no meu psiquismo mortal. Foram cinco anos estudando com afinco e dezoito anos na prática e na pesquisa. Então, minha “Alma Mortal”, ou seja, minha Identidade, está muito condicionada a pensar segundo suas próprias conclusões, mas quase sempre moldadas dentro da Psicologia e suas teorias. Exceto, claro, no assunto Religião. Aqui, meu Eu Superior se rebela contra os conceitos “certo-errado” que se cultiva milenarmente e que só manietam o Espírito Imortal Humano. Ontem, eu pensava em uma mulher especial e minha mente estava muito longe daqui. Eu cortava a grama de meu “jardim” e minhas recordações flutuavam indo ao passado – coisa que, já aprendi e me conformei, é o que o psiquismo mortal de nossos Elementais Físicos mais fazem. Recordar, com o passar do tempo, é só o que lhe resta. A modernidade perde o valor. As criações mirabolantes da tecnocracia não tem qualquer importância para nós. O que tínhamos de fazer em nosso tempo, nós fizemos. Eu e todos os de minha idade. E os infelizes que não concluíram a missão a tempo, estes sim, ainda se atiram afanosamente à busca da “felicidade de ter bens materiais”, desperdiçando seu sagrado momento de conversar com seu Elemental Físico e lhe acalmar o medo diante da perspectiva da dissolução eterna – aliás, a única coisa eterna que realmente há sobre a Terra. Ninguém jamais conseguirá reeditar um elemental físico humano, depois que ele desce à sepultura ou é cremado.  Mais

FÉ. O QUE É ISTO?

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"O que é fé? Eu lhes digo..."

“O que é fé? Eu lhes digo…”

Recebo a visita de velhos amigos – Felício e Vera, Orozimbo e Jesus de Deus. Chegaram todos juntos. Uma algazarra danada. Muita coisa para contar, principalmente os dois primeiros. Jesus de Deus ri muito, mas é reticente e fala pouco. Diz que esteve em Roma e andando por aí. Conversa vai, conversa vem, e de repente surge um debate sobre a Fé.

A discussão se acirrou. Felício defendia a tese católica: a Fé é um Dom de Deus. O homem só a recebe se ora com contrição e se entrega de corpo e alma ao Criador. A Fé não está no homem, mas em Deus. É Ele que a concede como um bem. Jesus teria provado isto, quando seus discípulos não conseguiram curar o menino endemoniado. Jesus os teria censurado pela falta de Fé. Trouxeram a criança a Ele e ele expulsou o demônio que a atormentava. A discussão se acirrou e eu notei que Jesus de Deus sorria e se abstinha de dar opinião.  Mais

É NATAL. DIZEM QUE É DIA DE FESTA. OUVI ATÉ FOGOS NO AR. MAS…

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"Tá rindo? Não sabe de nada, inocente!"

“Tá rindo? Não sabe de nada, inocente!”

Nós somos um povo festeiro desde ainda quando estamos no ventre de nossas genitoras. Então, o foguetório ou é por impulso inconsciente, ou é por necessidade de descompensar as frustrações do ano que está indo para o cemitério do tempo (em nossa percepção, claro). Minha noite foi em casa de minha filha, a quarta na sucessão. Os outros três estão no Rio de Janeiro e o “cabo cerra-fila”, no momento, trabalha na Secretária de Segurança Nacional na área de T.I. Hoje, contudo, está conosco. Compenetrada, minha filha dava sua primeira festinha familiar de Natal. Coruja, como todo pai que se preza, eu a olhava cheio de ternura, carinho e intimamente agradecido por ter criado uma pessoa tão bonita fisicamente e interiormente. Seu marido, orgulhoso, também a olhava com embevecimento. Um belo casal. Um casal que, antes desta noite, teve um ano duríssimo, com embates contra a corrupção em seus locais de trabalho. São funcionários públicos e, por serem extremamente rijos no que diz respeito à honestidade, são perseguidos onde trabalham. Intimamente eu gostaria de poder dispor do necessário para fazer uma visita “terminal” a seus perseguidores. Mas de que adiantaria se outros viriam substituí-los? Digo insistentemente para mim mesmo que a violência não leva senão a mais violência. Mas, em determinados momentos, meu treinamento militar e minha vida de embates constantes, emocionais, psicológicos e físicos, ruge dentro de mim como uma fera enjaulada. Mais

FRUSTRADO E IRRITADO

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"Descobri que não temo a morte e isto foi muito bom."

“Descobri que não temo a morte e isto foi muito bom.

Ontem, passei o dia todo com uma dor de cabeça chatíssima. Como não sou dado a dores de cabeça, passo anos inteiros sem saber que minha cabeça existe, se depender disto, então eu estava muito irritado. Pensei que era gripe e tomei Gripeol. Nada. Nenhum efeito. Bebi água com própolis (um santo remédio para surto viral) e nada. Tomei três sucos puros de limões e nada.

Chegou as 18:30 horas e tive de ir ao consultório da dentista onde ia fazer a primeira operação para o implante dentário. Ela tirou minha pressão e veio o susto: 19/16. Ambos, ela e eu, ficamos espantados. Mais

DESÂNIMO

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Araras e periquitos ainda piam nesta árvore em Morrinhos, cidadezinha interiorana de Goiás.

Araras e periquitos ainda piam nesta árvore em Morrinhos, cidadezinha interiorana de Goiás.

Goiás era fria. Nos meses de maio a julho a gente sentia os dedos doerem de frio. Fazia facilmente 14ºC às 10 horas da manhã. Uma gostosura. Na Capital a gente encontrava pessoas simples, naturais da terra, desconfiadas, arredias, mas prestativas e fáceis de se tornarem amigas. Gozadoras, igualavam-se, quando não superavam os cariocas, reis da coroa da gozação. A vida ainda era muito interiorana e escreveu não leu, levava bala pra deixar de meter o bedelho onde não era chamado. A polícia era simples. Não havia desconfiança contra os cidadãos. A cordialidade reinava entre o civil e o policial. Eram amigos e gentis uns com os outros. Eram os anos de 1991 a 1995. Havia uma profusão de vida silvestre. Avestruz selvagem às margens das rodovias; tatus; tamanduás pelados ou peludos. Uma variedade assombrosa de araras, papagaios e periquitos. O pássaro-preto voava livremente e em bandos de vinte ou trinta e seu pio estridente alegrava as manhãs e o entardecer. Curiós, trinca-ferro, canário da terra, sabiá laranjeira, corrupião e dezenas de pica-paus das mais diversas espécies. O mais bonito era o pica-pau coroado, que vinha, em bando, picar o solo ou os arbustos ao redor de nossa casa, na capital. E à noite, centenas de corujinhas do campo voavam piando ao redor de nossa casa, nos terreno ao redor da qual elas tinham seus ninhos. Era belíssimo! Longe, ao entardecer, lá para as bandas de Senador Canedo, a seriema voltava seu longo bico para o céu e soltava seu canto de despedida do dia que findava. Era de tocar a alma da gente… Mais

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