TAPA NO PÉ DO OUVIDO (Parodiando Lá No Pé da Serra)

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Fiz uma mutreta linda que muito dinheiro ela ia-me dar,

Ganhei uma Presidência e uma Nação pra enganar,

Tudo estava muito belo, era uma beleza pro meu PTzão,

Me chamavam de “o cara” e até o Obama foi na enganação.

 

                Viajei o mundo inteiro

                E levei no beiço inglês e alemão,

                Chutei o FMI

                Pus daqui pra fora  

                E até fui muito aplaudidão.

                Só não disse pros Zé Nings

                Qui aquela façanha

                Era enganação.

                Aumentei dívida interna,

                E deixei o buraco

                Pr’outra ocasião.

 

Satisfeito enriquei

 e até  do meu moleque eu fiz um Barão,

Dei a ele uma gleba

Que foi uma danação.

O meu filho ficou rico

E já se mandou pra fora da nação

E eu fiquei para ajeitar

O bando que sugava nosso

Petrolão.

 

               Terminou meu tempo e glória

                Tive de sair de lá do Planaltão,

                Como aquilo me doeu,

                 Meu Deus era como uma ingratidão,

                 Me joguei de corpo e alma

                 Nos braços do povo

                 Qual se fosse herói,

                Mal sabiam os desgraçados

                Que o destino deles estava mal traçado.

 

Coloquei uma velhota de muito maus bofes lá no meu lugar,

E pensei que por detrás dela eu ia governar,

Mas a peste me traiu e se destrambelhou só fazendo besteira,

E soltou a tal P.F. que com o tal Moro veio nos caçar.

 

                Agora o mundo inteiro

                Está muito doido pra me apedrejar,

                E meus velhos cumpãeiros,

                Puseram para mofar,

                Nossa Petrobrás fez água

                E o Renato Duque foi pro beleléu,

                Até o meu tesoureiro,

                Qu’era muito arteiro

                Perdeu o chapéu.

BRASIL É MAIS BRASIL!

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Vejam e ouçam. Se você é brasileiro ficará arrepiado. Eu chorei de emoção. Um povo reprimido, sofrido, traído que, no entanto, traz a música na alma como nenhum outro. “Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste/ Criança, não verás nenhum país como este”

Desfrutem que vale a pena.

CÁBULA (Couto Monteiro: 1821 – 1896)

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Cábula é um vocábulo que já não mais se usa nos atuais anos do Século XXI cristão, no Brasil. Nos dias atuais, em vez de cábula, diz-se “matar aula”. O autor desta paródia, Couto Monteiro, era conimbricense e foi autor de um folheto intitulado “Cabulogia” uma raridade bibliográfica.

 

Cábula minha, por que assim partiste

tão cedo do meu curso descontente?

Não vás ficar por lá eternamente,

nem fique eu cá nas aulas sempre triste.

 

          Se lá nesse lugar aonde fugiste

          memória dum trocista se consente,

          não te esqueças daquela troça ingente,

          que já no quarto meu tão grande ouviste.

 

E se vires que pode merecer-te

algum feriado, a dor que me ficou

da mágoa d’eu julgar nunca mais ver-te,

 

      roga a quem sem piedade te expulsou,

      que tão cedo p’ra cá torne a trazer-te,

      quão cedo do meu curso te levou.

SOGRAMIGNA (Juó Bananéra: 1892 a 1933)

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A propósito do belo poema de Olavo Bilac, eis aqui uma belíssima e gostosíssima paródia  escrita por uma personagem que, atualmente, é totalmente desconhecida dos estudantes brasileiros.

“Sogramigna infernale chi murré

vintes quatro anno maise tardi che devia,

fique aí a vita intêra e maise um dia,

che io non tegno sodades di vucê.

 

          Nu doce stante chi vucê murrê

          tive tamagno attaque di ligria

          che quási, quási, murri aquillo dia,

          co allegró chi apagnê di ti perdê.

 

I oggi cuntento come um boi di carro,

i mais líbero d’un passarigno,

passo a vita pitáno o meu cigarro,

 

          i maginando chi aóra inzatamente

          tu stá internada até o psicocigno

          dentro d’un brutto taxo di água quente.

ALMA MINHA (Olavo Bilac)

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Alma minha gentil, que te partiste

Tão cedo desta vida, descontente,

Repousa lá no céu, eternamente,

E viva eu cá na terra sempre triste.

 

                    Se lá no assento etéreo, onde subiste,

                    Memória desta vida se consente,

                    Não te esqueças daquele amor ardente,

                    Que já nos olhos meus tão puro viste.

 

E se vires que pode merecer-te

Alguma cousa a dor que me ficou

Da mágoa, sem remédio, de perder-te

 

                     Roga a Deus, que teus anos encurtou,

                     Que tão cedo de cá me leve a ver-te,

                     Quão cedo de meus olhos te levou.

HISTÓRIA DE UM CÃO

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Eu tive um cão. Chamava-se Veludo.

Magro, asqueroso, revoltante, imundo.

Para dizer em uma palavra tudo,

Foi o mais feio cão que houve no mundo.

.

Recebi-o das mãos de um camarada

Na hora da partida. O cão, gemendo,

Não me queria acompanhar por nada.

Enfim, malgrado seu, o vim trazendo.

.

O meu amigo, cabisbaixo, mudo,

Olhava-o. O Sol nas ondas se abismava.

“Adeus!” me disse. E ao afagar Veludo

Nos olhos seus o pranto borbulhava.

.

“Trata-o bem. Verás como o rafeiro

Te indicará os mais sutis perigos.

Adeus! E que este amigo verdadeiro

Te conserve num mundo ermo de amigos”.

.

Veludo a custo habituou-se à vida

Que o destino de novo lhe escolhera.

Sua rugosa pálpebra sentida

Chorava o antigo dono que perdera.

.

Nas longas noites de luar brilhante,

Febril, convulso, trêmulo, agitando

A cauda Caminhava errante

À luz da Lua tristemente uivando.

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Toussenel, Figuier e a lista imensa

Dos modernos zoológicos doutores

Dizem que o cão é um animal que pensa.

Talvez tenham razão esses senhores.

.

Lembro-me ainda. Trouxe-me o correio,

Cinco meses depois, de meu amigo

Um envelope fartamente cheio.

Era uma carta. Carta? Era um artigo!

.

Contendo a narrativa miúda e exatada

Da travessia, dava-me importantes

Notícias Do Brasil e de La Plata.

Falava em rios e árvores gigantes.

.

Gabava o “steamer” que o levou.

Dizia que ia tentar inúmeras empresas.

Contava-me também que a bordo havia

Toda sorte de risos e belezas.

.

Assombrara-se muito da ligeira

Moralidade que encontrou a bordo.

Citava o caso d’uma passageira…

Mil coisas mais de que não recordo.

.

Finalmente, por baixo disto tudo,

Em nota bene do melhor cursivo,

Recomendava o pobre do Veludo,

Pedindo a Deus que o conservasse vivo.

.

Enquanto eu lia o cão, tranqüilo e atento

Me contemplava e – creia que é verdade –

Vi comovido, vi neste momento

Seus olhos gotejarem de saudade.

.

Depois, lambeu-me as mãos humildemente,

Estendeu-se aos meus pés, silencioso,

Movendo a cauda adormeceu contente

Farto dum puro e satisfeito gozo.

.

Passou-se o tempo. Finalmente um dia

Vi-me livre daquele companheiro.

Para nada Veludo me servia.

Dei-o à mulher de um velho carvoeiro.

.

E respirei. “Graças a Deus já posso”,

Dizia eu, “viver neste bom mundo,

Sem ter que dar diariamente um osso

A um bicho vil. A um feio cão imundo”.

.

Gosto dos animais. Porém prefiro

A essa raça baixa e aduladora,

Um alazão inglês de sela ou tiro,

Ou uma gata branca, cismadora…

.

Mal respirei, porém, quando dormia,

E a negra noite amortalhava tudo,

Senti que à minha porta alguém batia.

Fui ver quem era. Abri. Era Veludo!

.

Saltou-me às mãos, lambeu-me os pés ganindo

Farejou toda a casa satisfeito.

E de cansado foi rolar dormindo

Como uma pedra junto de meu leito.

.

Praguejei furioso. Era execrável

Suportar este hóspede importuno

Que me seguia como um miserável

Ladrão ou como um pérfido gatuno.

.

E resolvi, enfim. Certo é custoso

Dizê-lo em alta voz e confessá-lo.

Para livrar-me desse cão leproso

Havia um meio só: era matá-lo.

.

Zunia a asa fúnebre do vento.

Ao longe o mar, na solidão gemendo,

Arrebentava em uivos e lamentos.

De instante a instante ia o tufão crescendo.

.

Chamei Veludo. Ele seguiu-me. Entanto

A fremente borrasca me arrancava

Dos frios ombros o revolto manto.

E a chuva meus cabelos fustigava.

.

Despertei um barqueiro.

Contra as ondas coléricas vogamos.

Dava-me forças o torpe pensamento.

Peguei num remo e com furor remamos.

.

Veludo à proa olhava-me choroso,

Como um cordeiro no final momento.

Embora! Era fatal! Era forçoso,

Livrar-me enfim desse animal nojento.

.

No alto mar ergui-o nos meus braços

E arremessei-o às ondas, de repente.

Ele gemeu movendo os membros lassos,

Lutando contra a morte, era pungente.

.

Voltei à terra… Entrei em casa…

O vento zunia sempre na amplidão, profundo,

E pareceu-me ouvir o atroz lamento

De Veludo nas ondas moribundo.

.

Mas ao despir dos ombros meus o manto

Notei – oh, grande dor –,

haver perdido uma relíquia

Que eu prezava tanto.

.

Era um cordão de prata. Eu tinha-o unido

Junto ao meu coração constantemente,

E o conservava no maior recato,

Pois minha mãe me dera essa corrente

E suspensa na corrente, o seu retrato.

.

Certo, caíra além, no mar profundo,

No eterno abismo que devora tudo.

E fora o cão, fora esse cão imundo

A causa de meu mal. Ah, se Veludo

.

Duas vidas tivera, duas vidas eu arrancara

Àquela besta morta, àquelas vis

entranhas Corrompidas…

Nisto, senti uivar à minha porta.

.

Corri… Abri… Era Veludo. Arfava.

Estendeu-se a meus pés e docemente

Deixou cair da boca que espumava,

A medalha suspensa da corrente.

.

Fora crível, Oh, Deus! Ajoelhado junto ao cão,

Estupefato, absorto, palpei-lhe o corpo

Estava enregelado. Sacudi-o.

Chameio-o. Estava morto.

.

NOTA: Já não me recordo do nome do autor da poesia.

POESIA E AMOR, de Casimiro de Abreu

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Quando jovem eu lia muitas poesias. Algumas me tocavam tão fundo que as lágrimas me vinham aos olhos. Eram poesias que realmente continham poemas em seus versos. Cantavam a terra brasilis; cantavam a fauna e a flora de um Brasil que está sumindo, desaparecendo em agonia, mas cujos gemidos de dor os brasileiros não ouvem. Entre aqueles poetas que se foram, mas cujas palavras cheias de amor, de sofrimento e de ternura com sua pátria, que também é minha, é nossa, está o exilado Casimiro de Abreu. E entre suas poesias, uma de que eu mais gostava era a que tem o título deste artigo: Poesia e Amor. Ei-la:

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