A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – (CXLVI): SINÉDRIO EM POLVOROSA

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Yehoshua bar Yoseph

Yehoshua sabia que tinha provocado seu primeiro julgamento no Sinédrio.

 

Caifás era o mais cauteloso quanto ao julgamento que se fazia de Yehohsua.

Jerusalém tinha o céu estrelado e límpido. O sofar já soara há mais de duas horas. Toda a cidade se havia recolhido e em suas ruas ou andavam as patrulhas romanas ou andavam os que tinham negócios inacabados. Geralmente não eram hebreus, mas estrangeiros em trânsito pela cidade.

No Templo o Sinédrio estava reunido para avaliar o comportamento do filho do construtor. A bulha era grande e as discussões acaloradas. Uns, a favor de Yehoshua; outros, contra. Então Anás se levantou e bateu palmas pedindo silêncio. Todos ficaram de pé e quando o silêncio se fez Anás deu início à oração de agradecimento pelo dia que findara e pediu sabedoria para todos eles, a fim de julgarem sem partidarismos nem juízos preconceituosos contra Yehoshua. Caifás foi o primeiro a ter a palavra. Ele se adiantou e se postou diante dos juízes. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – (CXLV): COMOÇÃO NO TEMPLO.

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Anás, o prudente.

Anás só conhecia sobre Yehoshua o que os itinerantes lhe traziam como informação. Agora, tinha Yehoshua em seu colo e isto o assustou muito.

Anás e Caifás permaneceram parados, como se siderados, enquanto o povo discutia em voz alta o que Yehoshua havia pregado. Muitos goins” aceitavam a pregação como a Verdade Indiscutível. Outros se contrapunham a estes e a balbúrdia crescia de modo assustador. Caifás voltou-se para Anás com os olhos esbugalhados de ansiedade. Sua face estava rubra de ira.

— Por Jeovah, bendito seja Seu nome, o que vamos fazer? O Pátio está a ponto de se transformar em um campo de batalha! Não somente nossa gente está esquentada, mas também os estrangeiros, com destaque para os árabes e os sírios! O que pretendeu Yehoshua com uma pregação tão inoportuna quanto incendiária? Ele desautorizou todas as religiões e todos os seus templos! Insultou até os templos de Roma edificados para a adoração de seus deuses! Ele desautorizou Inclusive o nosso! E, pior que isto, ele nos negou qualquer autoridade religiosa sobre as massas! Isto foi demais, Anás! O homem enlouqueceu de vez. Embora grande parte do Sinédrio tenha sido favorável a ele, ontem, tenho a certeza de que se nós convocarmos uma reunião para julgar este procedimento inominável do tresloucado, ninguém será a seu favor! Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – (CXLIV): O SENADOR E O PREFEITO.

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Senador Romano em sua roupagem

O Senador Romano buscava ser um homem justo, o que não era fácil dentro do sistema político em que vivia inserido e numa sociedade cheia de preconceitos e tirania para com outros povos.

Publio Lentulus chegou ao acampamento dos militares romanos. Entrou na tenda do Centurião que chefiava a centúria e sentou-se, pensativo, observado por seu subalterno que se mantinha de pé diante dele.

— Senta-te, Cornelius —  ordenou sem mirar na face do legionário. Este obedeceu, trazendo dois copos de vinho em mãos. Estendeu um ao general e ficou segurando o outro até que seu superior aceitasse o que lho oferecia. O general tomou um gole da bebida, pigarreou e mirou na face de seu subalterno.

— Dize-me, como se comporta o Prefeito com os naturais desta terra?

O centurião franziu o cenho e permaneceu calado por um tempo, enquanto era observado pelo olhar de águia do general.

—O Prefeito não gosta desta gente, general. Realmente, eles são rebeldes. Mas…

O general esperou que seu subordinado terminasse o que parecia querer dizer, porém o centurião se tinha calado. Então, decidiu provocá-lo.

— Mas…? O que vem depois deste mas…?

— Senhor, não quero inimizade com Pôncio Pilatos. Minha centúria está aqui por um tempo, apenas para garantir a paz que, ao que parece e ao ver do Prefeito, está periclitando. Não vejo isto. Meus espias não sentem nenhum acirramento do povo contra Roma. Há resistência, sim, à cobrança de impostos. Eles julgam esta cobrança exagerada. Mas a maioria dos cobradores são empregados do Templo deles, logo, se há exagero, não são cometidos por nossa gente. Os hebreus cobradores de impostos roubam do próprio povo. E sem dó. Mas fomos mandados para cá a fim de prover de segurança o Palácio do Prefeito, não para nos imiscuirmos em assuntos políticos…

— Não sou homem de intrigas, Cornelius, não temas de mim. Apenas desejo saber como tu avalias o Prefeito. Hoje assisti a uma pregação do homem que se diz ser o Salvador. Não sei de quê! Mas ouvi-o atentamente e não encontrei em seu discurso nada político. Ele falou estritamente dentro da religiosidade de seu povo. Com isto Roma não se preocupa. O Imperador quer os impostos. Se pagam, que pratiquem a religião que desejarem. Nós não nos interessamos por estes assuntos. Nosso panteão é nosso e não desejamos impô-lo a nenhum povo. Até porque a maioria esmagadora dos romanos não acredita muito nos Deuses. Eles são uma coisa à parte. Têm seus templos e seus tempos de festividades. Passado isto, servem apenas para justificar ações políticas e nada mais. Eu mesmo tive a comprovação de que os deuses de nosso panteão, se existem, não dão a mínima atenção a nós. Principalmente aos militares, como tu e eu. Se não somos fortes e se não sabemos manejar bem as armas de combate… No entanto, esse pregador judeu fala de um Pai Celestial que a tudo criou e a tudo dá a vida. Por isto, segundo seu modo de ver as coisas, tudo pertence a esse tal Pai Celestial. Suas palavras impressionam porque não parecem ser incoerentes. E há muita razão para nelas a gente meditar…

Cornelius esperou que o general continuasse sua fala, mas percebeu que seu superior havia mergulhado em algum pesamento íntimo. Talvez suscitado pelo que havia ouvido do tal pregador judeu. Então, decidiu quebrar o silêncio e falar ele mesmo.

— Bom, Pôncio Pilatos me parece um homem revoltado contra a missão que lhe foi confiada: exercer o controle de Jerusalém. Creio que ele preferia outro posto onde tivesse mais oportunidade de ascender a uma posição igual à vossa, senão ao próprio posto de Imperador de Roma. É um homem ambicioso e muito perigoso. É ardiloso, rancoroso, vingativo e vota ódio a essa gente toda, como se este povo tivesse culpa por ele ter sido designado para cá. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – (CXLIII): YEHOSHUA PREGA NO TEMPLO.

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JESUS E O SERMÃO DA MONTANHA

A Bíblia não registra este fato, mas Yehoshua sempre insistia em que as pessoas não buscasse nele milagres para seus sofrimentos e suas doenças. Exortava-as a se dirigirem ao Pai que habita em cada um. Tentava insistentemente fazer que quem o ouvia entendesse que falar com o Todo Poderoso não requer templos suntuosos ou não. 

O dia amanheceu nublado e um vento frio fazia as pessoas se enrolarem em suas mantas. Diante da casa de Gael novamente o povo se ajuntava para ouvir o Messias, como alguns já o chamavam. Yehoshua saiu da casa e passeou o olhar sobre aquela gente. Não era bom que a casa de seu amigo fosse assediada daquele modo. E se falasse novamente àquela gente diante da casa de Gael, este perderia sua tranqüilidade, o que em nada agradava ao Mestre. Então, levantando a mão para pedir silêncio, ele falou.

— Quereis ouvir o que vos tenho a dizer. Então, farei isto, mas no local apropriado, o Templo de Jerusalém. Ide para lá e, à terceira hora deste dia (9 horas em nosso horário atual) eu vos dirigirei a palavra. Mas advirto: não realizarei nenhum milagre. Se algum houver, será pela Vontade de nosso Pai Celestial. Ele vos ouve no mais recôndito de vossas almas e decide quem merece ou não, Sua atenção. Ontem, pedi à multidão que veio aqui que permanecesse sentada e concentrada em nosso Pai. A Ele rogassem a ajuda merecida. Todos se foram tão-logo eu me retirei. Como desejais ser atendidos se desprezais entrar no Templo do Pai Celestial, que é vosso íntimo mesmo, e com Ele falar diretamente? Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – (CXLII): YEHOSHUA DIRIGE SUA HISTÓRIA.

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PÔNCIO PILATOS 1

Sem querer, o Senador Publio Lentulus deu a Pilatos a idéia de como matar o Rei dos Reis…

Pôncio Pilatos estava com cinco concubinas dentro de uma grande piscina. Duas se entregavam a dar prazer ao Prefeito. Duas ajudavam as duas primeiras e uma gemia com as pernas abertas e seu órgão genital na boca do Prefeito. O Senador parou na borda da piscina e pigarreou forte. Todas as mulheres o olharam e imediatamente trataram de sair de dentro d’água. Pilatos, frustrado, olhou para seu superior com cara de poucos amigos.

— És um porco nojento! — Trovejou o Senador Publio Lentulus, ordenando com um gesto imperioso de mão  que as concubinas se retirassem dali. — Como podes acusar Cláudia de ser uma traidora se tu te comportas pior que ela e aqui, sob o mesmo teto em que ela se encontra? Com que direito tu queres exigir dela que te respeite, pervertido?

Pondo-se de pé e tomando seu  manto vermelho para nele se enrolar, o Prefeito saiu da piscina e encarou Publio Lentulus com os olhos fuzilantes de ódio.

— Vens de Roma, Publius. Vais querer me convencer que lá todos são pudicos? Que lá não há as maiores e mais depravadas bacanais do mundo? Vais querer me dizer que tu…

Um violento tapa de mão aberta jogou o Prefeito ao chão. Antes mesmo que pudesse sentir plenamente a dor da bofetada. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – (CXLI): YEHOSHUA NO PALÁCIO DE PÔNCIO PILATOS

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Caravana, Deserto da Líbia

A maioria deles sofria de dores, principalmente na coluna. Mas muitos também apresentavam hemorróidas devido às horas que passavam sentados na corcova dos dromedários.

Era a oitava hora de um dia de sol esfuziante. Jerusalém já estava em sua agitação normal, quando um homem, um árabe, viu Yehoshua se dirigindo para o Palácio de Herodes. Ele o indicou aos seus caravaneiros e logo mais de quinze árabes vinham atrás do Milagreiro de Nazaré. O Mestre foi parado, cercado pelos caravaneiros. Eles queriam que Yehoshua lhes curasse as feridas de varizes e as dores de coluna devido as viagens que faziam montados em dromedários e camelos. Pacientemente o Mestre lhes pediu que se sentassem ao seu redor e os conduziu para debaixo de um grande sicômoro centenário, cuja sombra sob a enorme copa fazia que o calor fosse amainado. Yehoshua observou que não apenas os árabes, mas também muita gente natural da Palestina ali também estava, todo mundo expectante pelos milagres que certamente ele faria. O semblante de Yehoshua se anuviou de tristeza. Não via um grão de mostarda de fé verdadeira naquela gente, mas simplesmente o desejo imediatista de obter a cura de seus males para seguirem mantendo os mesmos vícios de sempre. “Eles ainda nem despertaram do corpo carnal. Vivem por este e pelas necessidades deste”, pensou o Mestre meneando a cabeça em sinal de desaprovação. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – (CXL): YEHOSHUA AGITOU JERUSALÉM – PARTE I

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jesus cristo

Yehoshua sabia o que fazia e quando devia fazer.

Yehoshua foi hospedar-se na casa de Gael, um velho amigo de sua família. Lá ele passou a noite e quando amanheceu, antes mesmo de o sofar anunciar o início do dia, ele já encontrou uma multidão à sua espera diante da casa de Gael. O Mestre fez sua higiene corporal, tomou o desjejum com a família de seu amigo e, então, dispôs-se a falar com a pequena multidão. Notou que entre os que ali estavam havia cinco sinedritas e os chamou com um aceno de mão para que viessem sentar ao seu lado. Os homens não se fizeram de rogado e orgulhosos pela distinção aprestaram-se a atender o chamado.

Enquanto o Mestre se preparava para falar à gente atenta que, sabia-o bem, ali estava não para o ouvir, mas para obter cura para suas dores e sofrimentos, no Templo Caifás promovia uma reunião com seus rabis mais íntimos. Ao redor de uma mesa fartamente servida, eles se reuniam e, enquanto comiam, falavam sobre a visita de Yehoshua ao Templo e ao Castelo de Pôncio Pilatos. Benjamim, Caleb, Arimathéia, Jonathan, Abel, Josafá, Moab, todos estavam ali. Mais

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