OROZIMBO E O FIM DO BRASIL

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Meu amigo me deixou preocupado.

Meu amigo me deixou preocupado.

Eu estava às voltas com a secura do ar. Nesta época do ano, quando, no passado, o clima do Centro-Oeste brasileiro era super agradável, o ar atualmente fica quase sem água. O calor, então, é estranho. O ar está quente e seco. Não há umidade suficiente e nossa pele, nossos olhos, nossas fossas nasais, tudo arde como se estivesse sendo assado em fogo brando. A cabeça dói uma dor constante, latejante e que perturba o sentido de equilíbrio. Ao menos nos velhos, como eu. Para aliviar a secura, de duas em duas horas molho os  121 m2 de meu “jardim” diante da varanda de casa. Pois bem, estava eu fazendo isto, já às 6:30 h, quando, para minha surpresa, Orozimbo me surge no portão. Abri-o e ele entrou lépido. Como sempre não perguntou o que eu fazia. Era olhar e ver, portanto, meu velho não desperdiçava palavras. Simplesmente me deu um tapa doloroso no ombro esquerdo e foi-se sentar em seu toco, entregando-se ao seu costume de sempre: colocar fumo dentro do pito. Continuei molhando o gramado, a jaqueira ainda em crescimento (tem mais ou menos 1,75 m de altura e 9 meses de idade), o limoeiro (mesma altura e mesma idade), a laranjeira (um metro mais ou menos e mesma idade que as duas outras) e o preguiçoso pé de jabuticaba (cinco anos e mais ou menos 80 cm de altura). Junto deles, um pé de mirra, um arbusto que está espalhando galhos para todos os lados. Quando acabei meu trabalho, entrei e peguei o café preto e sem açúcar para Orozimbo. Então, sentei-me a seu lado e esperei que falasse. E ele falou. Mais

PESADELO?

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O canil.

O canil.

Três horas da madrugada. Acordo com o coração disparado, suado, assustado. Demoro um pouco para me situar. Estou em meu quarto e a escuridão é quebrada somente pela fraca luz que entra através da porta aberta e reduz a escuridão a uma penumbra leve. Sento-me e me estico todo. A casa está em silêncio. Aliás, o bairro todo é apenas isto: silêncio. Nem grilos ouço. Cai uma chuva fininha, mas a temperatura está quente para a madrugada. Levanto sentindo meu corpo trêmulo e vou beber um copo d’água. Depois, fico à janela, olhando a varanda de minha casa e lá adiante, onde os cães dormem a sono solto no canil. Mais