A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO (CXII): YEHOSHUA PROVOCA DISCUSSÕES ENTRE O POVO

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Senador Romano em sua roupagem

Abel errou quando pensou ser capaz de bater-se em esperteza com o Senador Romano.

É domingo e Cafarnaum fervilha com os comerciantes ambulantes. Mas agora há um assunto novo, principalmente entre os hebreus e este assunto que polariza a atenção de fariseus e saduceus é o Deus de bondade que Yehoshua vem apregoando por todo lugar por onde passa. Devido aos milagres que ao seu redor acontecem aos montes, o povo anda muito inclinado a abdicar do Jeovah sanguinário, vingativo e discriminador. Mas não é só entre os hebreus que grassa a discussão sobre o desconhecido Deus de bondade que Yehoshua prega. A discussão é bem maior entre os goins. Eles também confrontam seus deuses com o Deus de Yehoshua e o choque entre estas entidades são fortes. 

Yoseph

Os trajes sempre foram os distintivos das classes sociais entre os humanos.

Caminhando lentamente por entre o povaréu, Abel aguça os ouvidos para ouvir o que é dito e seu coração está disparado, sua garganta seca e suas mãos suadas de ansiedade. Ele acredita que está coberto de razão. Yehoshua é mil vezes mais perigoso do que os rabis do Templo em Jerusalém podem suspeitar. Espertamente ele exerce seu ministério longe da capital e quase sempre não se serve de sinagogas. Quando faz isto é para jogar em ridículo qualquer rabi que esteja no parlatório cumprindo com seu dever. O destino de Abel é a mansão de Pôncio Pilatos onde está hospedado o Senador de Roma. Quer encontrar-se com o homem para avaliá-lo e às suas intenções com relação ao encontro com o agitador. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO (CIX ): YEHOSHUA ACONSELHA EZEQUIEL, O RABI.

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Ele começara e já não mais tinha como ser parado.

Ele começara e já não mais tinha como ser parado.

O rebuliço causado em Cafarnaum pelo milagre coletivo que o jovem do poço havia realizado durou três dias. Após isto, a notícia esfriou. As pessoas que tinham assistido a tudo, na maioria, eram viajores que transitavam pela cidade em demanda de outros destinos, e as mulheres logo foram silenciadas por seus maridos ciumentos, os quais não receberam de bom grado o rejuvenescimento de suas esposas enquanto eles continuavam estragados e envelhecidos. O ciúme e o zelo pela sua posse exacerbou-se entre alguns, a ponto de as companheiras terem sido proibidas de comentar qualquer coisa a respeito do milagre. Agora, a quase totalidade das que tinham sido privilegiadas pela cura não saía de casa e os raros curiosos que tentavam aproximação, se não fossem parentes, eram corridos a pauladas. E os parentes estavam prevenidos para não tocarem no assunto sob pena de apanharem e serem corridos da casa.  No entanto, na cidade havia muita expectativa e muita curiosidade a  respeito do jovem filho do construtor Yoseph. Quem soube da filiação de Yehoshua lembrou-se dele e de seu pai. Embora recordassem de um rapaz calmo, sempre alegre e participativo, não acreditavam que ele tivesse adquiro poderes sobrenaturais nem, muito menos, que realmente fosse o enviado de Yeveh para a libertação de Israel. Tinha de ser alguém militar, conhecedor das artes da guerra e disposto a convencer o povo hebreu a se alistar para a batalha. Ela seria naturalmente sangrenta e com toda a certeza, se não contasse com a ajuda do Todo Poderoso Yaveh, o resultado da refrega seria desastrosa. Roma era uma potência incalculavelmente poderosa. Seus exércitos contavam-se aos milhares de milhares. E eram de homens afeitos a combates, muito bem treinados e sempre mantidos no treinamento ininterrupto. Não se vencia um legionário facilmente. Mesmo os poderosos celtas e os aguerridos germanos, sírios, persas, egípcios e outros povos não davam conta de ganhar uma batalha contra uma centúria romana, ainda que com a vantagem de dez homens contra um. O enviado de Yeveh tinha de ser alguém especial, diferente. Ninguém sabia dizer que tipo de diferença ele deveria ter, mas todos esperavam um ser amedrontador, fisicamente poderoso como o mitológico Sansão. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – XCVIX: NO TEMPLO

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Pilatos era mal-humorado. Andava magoado com a esposa contra a qual pesava a desconfiança de tê-lo traído no leito.

Pilatos era mal-humorado. Andava magoado com a esposa contra a qual pesava a desconfiança de tê-lo traído no leito.

O aviso dado por Pilatos deixou os sacerdotes do Templo de Jerusalém em polvorosa. Os membros do Sinédrio foram convocado às pressas. A pergunta angustiante era: O que quer o representante de Tibério com os rabis de Jerusalém? Quando reunidos e cessada a balbúrdia, um dos rabis se pôs de pé e pediu a palavra.

— É realmente preocupante o interesse do Tribuno romano em nós. Sabemos que eles não vêm aqui senão quando há má notícias para nosso povo e se este veio é porque se trata de algum assunto muito, muito sério. Só me passa pela cabeça um: o milagreiro filho do construtor Yoseph. Ele vem conclamando o povo à rebelião contra nós. Comete crimes contra nossas Leis, desobedecendo-as acintosamente. É manifestamente contrário às nossas práticas ritualísticas e influi danosamente na crença de nossa gente. Pior: diz-se filho do Altíssimo. Uma blasfêmia que não devíamos suportar de modo algum. E há muitos que acreditam que ele seja aquele que virá para nos salvar e nos tornar os senhores da Terra, como nos foi prometido. Ao menos já há murmúrios a este respeito entre o povo. Eu critico a leniência deste Sinédrio para com o rebelde, que para mim é estarrecedora. Resultado disto? Roma nos envia uma de suas mais altas autoridades e esta mal chega deseja um encontro conosco. Não é claro? A agitação do rebelde já deve haver chegado aos ouvidos do Imperador romano…

Uma grande bulha explodiu entre os sinedritas, todos concordando com as idéias do homem de barbas brancas e longas, olhar de mirada cortante e expressão de ira contida na face vincada pelo tempo. Arimatéia esperou que a bulha cessasse e, antes que o orador continuasse sua peroração, pôs-se de pé e pediu licença para contraditar o orador. Este voltou-se para ele, empertigado. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – LXXXIX: A DURA LIÇÃO AOS RABINOS.

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Quão longe de Deus está este pobre assassino muçulmano.

Quão longe de Deus está este pobre assassino muçulmano.

O rabi caminhava depressa, tendo ao lado o silencioso Yehoshua. Finalmente chegaram diante de uma casa de pedra cercada por um alto muro também de pedras. O portão rústico e pesado foi aberto e o rabi convidou Yehoshua a entrar. Ele se voltou para seus discípulos e ordenou:

— Voltai à praça. Há muitos irmãos nossos que ainda têm sede. Ide. Saciai-a. Reparti a platéia entre vós para que fique mais fácil agirdes livremente.

— Mas há um poço lá — falou impetuosamente Simão Barjonas.  — Qualquer um deles pode se saciar ali. Não vejo a razão…

O olhar chamejante de Yehoshua cravou-se na face se seu discípulo e este se encolheu, agastado.

— Não falo desta sede, Simão Barjonas. — Falo da sede que não se sacia com água. A sede que vistes nos que nos cercavam ainda há pouco. Ide, agora. Pregai entre eles a Verdade para que possam despertar a Verdadeira Fé em seus íntimos. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – LXXXVIII: YEHOSHUA CURA UMA CRIANÇA E FAZ UMA PREGAÇÃO.

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Issa ou Yehoshua era incansável em ensinar a quantos estivessem a seu alcance sobre a Verdadeira Lei do Pai.

Issa ou Yehoshua era incansável em ensinar a quantos estivessem a seu alcance sobre a Verdadeira Lei do Pai.

Era manhãzinha. Fazia frio. Estavam em Yabné, a aproximadamente vinte e cinco quilômetros de Azoto. A pequena vila era muito agitada. Sendo à beira-mar, havia intenso comércio de pescado e ali havia muitos dos que eram chamados gentios pelos hebreus. Yehoshua escolheu um local bem junto a uma praça bastante freqüentada pelos que vinham comprar os peixes. O comércio era intenso desde a manhã cedinho. Os discípulos buscaram alimento junto aos pescadores e demais vendeiros que espalhavam suas bancas por todos os lados. Frutas, verduras, tubérculos cozidos ou assados, maçãs e muitas outras frutas foram trazidas por eles. Muitos curiosos se aproximaram e logo havia um círculo ao redor do grupo. Os apóstolos, para obter a doação de alimentos, haviam contado os milagres que o Mestre vinha fazendo. Cada qual contava uma maravilha pintada com as cores do exagero. Mas funcionou. Yehoshua, alimentando-se com tranqüilidade, parecia não notar o volume de curiosos ao redor dele e de seus apóstolos. Quando o repasto terminou, ele se ergueu e fez menção de se afastar. Mas um dos homens presentes no grupo, falou.

— Teus seguidores disseram que tu és um milagreiro. Isto é verdade?

— Não — foi a resposta desconcertante de Yehoshua.

— Como?! Tu não fazes milagres? — Gritou uma mulher que tinha uma criança nos braços. Era uma menina e parecia desacordada. — Eu fui buscada em casa, por meu esposo, e corri com minha filha na esperança de que tu a pudesses curar. Como é que nos dizes que não fazes milagres? Mais