A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – CXXII: RUTH É ATACADA

Deixe um comentário

Yehoshua o doutrinador

Yehoshua sabia de tudo o que acontecia em seu tempo. Mesmo nos mais mínimos detalhes. Mas procurava não interferir senão com o que estava traçado para isto.

Yehoshua caminhava despreocupado, quando Gabriel se materializou ao seu lado, sempre trajando uma roupa de guerreiro prateado. O Mestre não se dignou a olhá-lo. O arcanjo, no entanto, continuou andando com ele por alguns metros em silêncio. Então, decidiu falar.

— Sabes que tua irmã caçula corre sério perigo, não sabes?

— Sim, sei. Por que me perguntas isto?

— Porque neste exato momento um grupo de rabis itinerantes, aos quais tu provocaste, está reunido com alguns bandidos tramando um modo de te atingir.

— Gabriel — ripostou o Mestre olhando para o Arcanjo — Sei o que faço, porque faço e para quê faço. Então, por que tu te dás ao trabalho de vir-me contar o que eu já sabia de antemão?

— Não me agrada que a jovenzita apanhe por causa de teus planos… soturnos, se me permites a expressão.

— Não são soturnos, Gabriel. A Humanidade merece uma chance. Está começando para ela um longo período de dores e rangeres de dentes. Eu vim tentar fazer que vejam a Verdade. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – CXXI: RUTH E ISH QERYOTH.

Deixe um comentário

JUDAS ISCARIOTES 1

Ele era um sicário. Conhecia o que era lutar de modo violento. Por isto, seu olhar era direto e penetrante e, também, destemido.

O pequeno grupo caminhava sem pressa. Ish Qeryoth tinha cuidados para com Míriam de Magdala, esposa de seu Senhor. Ela não dava mostras do cansaço, mas ele percebia que a mulher se ressentia ainda da pressa a que fôra obrigada por seu esposo. Todos iam calados, cada qual pensando no que tinham acabado de ouvir. Yehoshua sempre os colocava a pensar arduamente em novas revelações que lhes custava muito compreender. Aquela história de cada um deles ser trino parecia lógico, mas quando se parava para pensar com cuidado no assunto, ele se complicava e se distanciava da compreensão que tinham do mundo e das pessoas. Após meia-hora de caminhada Ish Qeryoth encontrou um lugar ensombrado para que descansassem. Era ao pé de uma grande lapa, cuja sombra se estendia por metros, até o outro lado da senda por onde andavam. O discípulo rebelde deixou o grupo assentado e se retirou, embrenhando-se por entre a mata de arbustos e espinheiros. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – CXVIII: YEHOSHUA ENSINA AOS SEUS APÓSTOLOS

Deixe um comentário

Era assim, sentado no chão, que o Rei dos Reis gostava de ensinar a seus apóstolos.

O Mestre estava reunido com seus discípulos e lhes ensinava sobre os significados ocultos dos Livros do Pentateuco. Era manhã cedo e eles estavam próximo a Nazaré. A mata era luxuriante e a temperatura amena. No chão, diante deles, farta refeição preparada pela família do Mestre. Sentados, comiam e dialogavam livremente com o Rei dos Reis. Yehoshua falava e todos o ouviam.

— Senhor — disse Cefas —, está no Livro I de Reis que David se irou contra Nabal porque este não quis lhe entregar os suprimentos que lhe pedia, em troca da acolhida que dera aos servos daquele homem durante o tempo em que estiveram no deserto. Zangado com Nabal, David aprontou seu exército para varrer da terra o homem usurário. Mas a esposa de Nabal, Abigail, muito bela e gentil, sabendo do que tinha acontecido e que Davi já se lançara a caminho de sua casa e para arrasá-la, preparou duzentos pães e dois odres de vinho. Ajuntou mais cinco carneiros cozidos e cinco alqueires de farinha e cem penduras de uvas passas e mais duzentas pastas de figos secos. Então, tendo preparado todos estes mantimentos foi ao encontro de David e lhe entregou tudo, suplicando ao guerreiro irado que lhe perdoasse ao marido. Tens conhecimento desta passagem, não?

Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO (CXIII): AS CURAS SE MULTIPLICAM

Deixe um comentário

APÓSTOLO PEDRO - SIMÃO BARJONAS

Cefas ou Simão Barjonas. Posteriormente, Pedro.

Yehoshua retomou a direção de Cafarnaum, mas não enveredou pela cidade, que fervilhava de gente vinda das redondezas, todas ansiosas para conseguir alguma cura para suas mazelas. Encaminhou-se para o morro onde havia feito sua pregação depois conhecida como O Sermão da Montanha. Mal o pequeno grupo chegou ao local e já uma romaria começava a se fazer presente. As pessoas pareciam formigas vindas de todas as direções. Quase todas eram gente pobre, com vestes sujas ou esfarrapadas. No entanto, era possível também enxergar abastados, pois estes vinham em liteiras ou cercados de empregados para os servir. Martha, Ruth e Míriam, as irmãs do Mestre; Míriam, sua mãe, e Míriam, sua esposa, também estavam ali. Tinham acompanhado toda a caminhada, mas eram as últimas do grupo, pois não conseguiam acompanhar o passo acelerado de Yehoshua. O Mestre esperou que elas se sentassem ao seu lado e bebessem a água que João lhes servia. Estavam sedentas. Yehoshua também notou que os homens, na multidão que se aproximava e se espalhava ao redor, buscavam obter os melhores lugares, os mais próximos dele e de seu grupo, e não se pejavam de empurrar com grosseria as mulheres, principalmente aquelas que traziam filhos nos braços. Muitas choravam e se desesperavam por não conseguirem chegar bem próximo de Yehoshua. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – LXXVI: A VISITA

Deixe um comentário

Hemi situava-se numa montanha, mas não tão íngreme quanto esta.

Hemi situava-se numa montanha, mas não tão íngreme quanto esta. Ao seu redor havia um pequeno povoado que tinha este nome.

Jeroboão ergueu-se de seu leito mal o róseo do amanhecer coloriu o céu. Era raro ele chegar até àquela hora deitado. Geralmente levantava-se ainda com o escuro da madrugada se espreguiçando sobre os picos nevados do Himalaia. Mas naquele dia saltou da cama um pouco mais tarde. Foi até o pátio e se pôs a fazer exercícios de combate. Com uma lança em mãos, movia-se com velocidade, saltava, agachava-se e desferia lancetadas em algum adversário invisível. O ancião de barbas brancas e de andar manso, agora era um tigre em movimentos rápidos e velozes. Uma transformação espantosa. Estava frio, como sempre, mas não havia neve. O ar era seco e queimava a garganta, quando se inspirava. No entanto, acostumado àquela condição dura do ambiente, Jeroboão não parecia sentir nada. E seu corpo era como uma pluma girando ao sabor do vento. Leve, livre, suave, erguia-se alto, rodopiava, estendia a perna direita num pontapé imaginário, caía de ponta-cabeça e rolava tão suavemente pelo chão que não deixava marcas do corpo na areia macia e escura. Ele só parou seu “combate” quando o primeiro monge surgiu de dentro do grande Templo, trazendo um pesado balde de madeira suspenso na mão direita. Jeroboão dirigiu-se para os fundos do mosteiro onde, em um grande cercado de toras de madeira firmemente coladas uma nas outras, havia água armazenada. Ele tomou de uma concha e jogou aquela água a quase zero grau sobre o corpo nu. Esfregou-se vigorosamente e passou pelo corpo algo como um pedaço de sabão. Não houve muita espuma, mas o perfume daquilo encheu o ar ao redor. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO LIX – JUDAS, O IRMÃO ENCRENQUEIRO, E BELPHEGOR, O DEMÔNIO.

Deixe um comentário

O Pacificador dos pacificadores não dobrou o mau gênio de seus irmãos.

O Pacificador dos pacificadores não dobrou o mau gênio de seus irmãos.

Fazia já nove meses que Yehoshua tinha partido. E durante todo este tempo as mulheres da família de Yehoshua progrediam nos ensinamentos ministrados pelos monges. Ruth era a mais querida de todos eles. Em segundo lugar vinha Míriam, a mãe, quieta, meditativa, prestativa e cada vez mais com um olhar aéreo, desligado do mundo que a rodeava. Parecia inundada de uma felicidade que ninguém compreendia, exceto Ruth. As duas eram carne e unha e se se quisesse encontrar uma, era só procurar pela outra. Até o Rimpoche já se tinha acostumado com isto.

Entre os homens, irmãos de Yehoshua, a discórdia era grande e a revolta também. Não abdicavam de modo algum de suas origens hebraicas e defendiam teimosamente a vinda de um Messias guerreiro para libertá-los dos kittins cruéis e detestados.

Naquela manhã Judas tinha sido designado a acompanhar um monge até o mercado para realizar as compras necessárias ao Mosteiro. Ele estava encarregado das mulas e do carregamento dos mantimentos. Ou seja, o trabalho mais pesado lhe cabia. Mais