A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – CXVIII: YEHOSHUA ENSINA AOS SEUS APÓSTOLOS

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Era assim, sentado no chão, que o Rei dos Reis gostava de ensinar a seus apóstolos.

O Mestre estava reunido com seus discípulos e lhes ensinava sobre os significados ocultos dos Livros do Pentateuco. Era manhã cedo e eles estavam próximo a Nazaré. A mata era luxuriante e a temperatura amena. No chão, diante deles, farta refeição preparada pela família do Mestre. Sentados, comiam e dialogavam livremente com o Rei dos Reis. Yehoshua falava e todos o ouviam.

— Senhor — disse Cefas —, está no Livro I de Reis que David se irou contra Nabal porque este não quis lhe entregar os suprimentos que lhe pedia, em troca da acolhida que dera aos servos daquele homem durante o tempo em que estiveram no deserto. Zangado com Nabal, David aprontou seu exército para varrer da terra o homem usurário. Mas a esposa de Nabal, Abigail, muito bela e gentil, sabendo do que tinha acontecido e que Davi já se lançara a caminho de sua casa e para arrasá-la, preparou duzentos pães e dois odres de vinho. Ajuntou mais cinco carneiros cozidos e cinco alqueires de farinha e cem penduras de uvas passas e mais duzentas pastas de figos secos. Então, tendo preparado todos estes mantimentos foi ao encontro de David e lhe entregou tudo, suplicando ao guerreiro irado que lhe perdoasse ao marido. Tens conhecimento desta passagem, não?

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A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO (CXII): YEHOSHUA PROVOCA DISCUSSÕES ENTRE O POVO

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Senador Romano em sua roupagem

Abel errou quando pensou ser capaz de bater-se em esperteza com o Senador Romano.

É domingo e Cafarnaum fervilha com os comerciantes ambulantes. Mas agora há um assunto novo, principalmente entre os hebreus e este assunto que polariza a atenção de fariseus e saduceus é o Deus de bondade que Yehoshua vem apregoando por todo lugar por onde passa. Devido aos milagres que ao seu redor acontecem aos montes, o povo anda muito inclinado a abdicar do Jeovah sanguinário, vingativo e discriminador. Mas não é só entre os hebreus que grassa a discussão sobre o desconhecido Deus de bondade que Yehoshua prega. A discussão é bem maior entre os goins. Eles também confrontam seus deuses com o Deus de Yehoshua e o choque entre estas entidades são fortes. 

Yoseph

Os trajes sempre foram os distintivos das classes sociais entre os humanos.

Caminhando lentamente por entre o povaréu, Abel aguça os ouvidos para ouvir o que é dito e seu coração está disparado, sua garganta seca e suas mãos suadas de ansiedade. Ele acredita que está coberto de razão. Yehoshua é mil vezes mais perigoso do que os rabis do Templo em Jerusalém podem suspeitar. Espertamente ele exerce seu ministério longe da capital e quase sempre não se serve de sinagogas. Quando faz isto é para jogar em ridículo qualquer rabi que esteja no parlatório cumprindo com seu dever. O destino de Abel é a mansão de Pôncio Pilatos onde está hospedado o Senador de Roma. Quer encontrar-se com o homem para avaliá-lo e às suas intenções com relação ao encontro com o agitador. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO: (CXXX): O DESASSOSSEGO

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O Rei dos Reis vivia cercado por crianças e mulheres.

O Rei dos Reis vivia cercado por crianças e mulheres.

Deixemos o pequeno grupo almoçando na casa da família de Míriam, a esposa, na vila de Magdala, e vamos ver o que aconteceu antes e depois daquela reunião. Retornemos ao momento em que Yehudhah is Qeryoth deixou os rabis no Templo de Jerusalém e foi direto para o ambiente socialmente mais baixo e mais perigoso de Jerusalém. Ele se remoía de preocupação. Tinha iniciado mal aquele encontro. Recitara uma das frases ditas por seu Mestre bem diante dos lobos que o queriam caçado e morto: “Ouvistes que foi dito aos antigos: não matarás. E também foi dito que quem matar será réu no dia do Juízo. Eu, porém, vos digo que não deveis matar nem mesmo os animais, pois a Vida que em tudo se manifesta pertence a um único dono: Meu Pai que está no céu”. Por que artes do demônio dera com a língua nos dentes? Fornecera lenha para a fogueira, tinha a certeza. Seu Mestre tinha realmente feito uma dura crítica à Lei e, pior, alterara seu significado ampliando-o de modo realmente ofensivo para os Rabis do Templo. Mas o pior mesmo fôra ter citado a multidão à qual seu Mestre havia falado. Multidão! Que linguarudo era! Despertara a desconfiança e a inquietação nos corações mais malévolos de que tinha conhecimento entre sua gente. E os maldosos inserem interpretações indevidas às palavras dos profetas e da Lei. Não será este o caso de teu Mestre?” Esta frase, dita com tom inquietante reboava, agora, em sua mente e o inquietava. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO (CXXVII): O MILAGRE QUE NUNCA FOI REGISTRADO

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Yehoshua o doutrinador

“Ouvi, mas não me compreendeis. E, no entanto, sou claro como a água”.

Yehoshua se retirou, mas o povo permaneceu lá na encosta do promontório. A algazarra era grande. Muitos felizes porque tinham sido curados sem nem mesmo tocar em Yehoshua ou ser por ele tocado. Outros, revoltados porque continuavam tal qual tinham chegado. Todos, porém, procuravam acercar-se de um discípulo do Cristo buscando uma explicação para tudo o que tinha acontecido ali e que podia ser chamado de qualquer coisa, menos de falso.

No início os apóstolos se sentiram ansiosos e inseguros. O medo tomou de assalto o coração deles, e alguns até sentiram um impulso quase incontrolável de sair correndo e nunca mais retornar àquele lugar. O que poderiam fazer? Eles não eram curandeiros; não podiam fazer milagres. No entanto, as pessoas se fecharam tão firmemente ao redor de cada um, ansiosas seja por milagres que não tinham recebido, seja para agradecer pelo que lhes tinha acontecido de maravilhoso, ou seja para obter maior esclarecimento sobre o que tinham acabado de ouvir do Profeta, que eles tiveram de se sentar e tentar agir de alguma forma. E agiram. Começaram a falar sobre as palavras de Yehoshua e logo todos falavam com segurança e proficiência, para espanto deles mesmos. E os ouvintes se extasiavam com os ensinamentos que eles lhes davam. O maior e o melhor de todos era a orientação de como proceder daquele dia em diante para conseguir obter a graça de uma cura. Mudar os hábitos viciosos; mudar o modo de reagir emocionalmente diante dos percalços da vida; mudar o modo de ajuizar sobre os outros e por aí em frente. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO (CXII ): YEHOSHUA PROSSEGUE EM SUAS PREGAÇÕES

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Judas sempre viveu em conflito entre a Paz do Cristo e a Guerra dos homens.

Judas (Qeryoth) sempre viveu em conflito entre a Paz do Cristo e a Guerra dos homens.

Yehudhah ish Qeryoth [era este o nome hebraico (transliterado em portuguêsque Judas possuía entre seus companheiros] seguiu Yehoshua, dispersando seus comparsas com um aceno imperioso de mão e sem lhes dirigir a palavra. Os outros sicários permaneceram ali, ainda sob a hipnose das palavras que tinham ouvido. Alguma coisa se revirava dentro deles e os inquietava. Alguma coisa que faria que a quase totalidade não mais continuasse na vida de crimes e assassinatos que vinha levando até aquele momento mágico. A figura autoritária de Yehoshua os tinha impressionado profundamente e mesmo quando todos já se haviam dispersados, eles permaneceram ali, parados, cada qual mergulhado em si mesmo. Aos poucos foram-se sentando no chão, silenciosos. Alguns rabiscando com o dedo um desenho qualquer na areia e nenhum conversando com um companheiro. Cada qual estava profundamente recolhido aos seus próprios pensamentos.

Yehoshua caminhou em silêncio, trazendo atrás de si, também silencioso, seu discípulo insubordinado. Quando chegaram perto da rua mais movimentada da cidadezinha, o Mestre se desviou e tomou a senda que levava à estrada de pedra construída pelos romanos. Andaram por ela em direção a Cafarnaum, mas não chegaram àquela cidade. Yehoshua retirou-se para a mata que ladeava a estrada, movimentada àquela hora do dia, e se embrenhou ali, sempre seguido pelo seu discípulo silencioso. Finalmente, à margem de um córrego de águas cristalinas, o Mestre tomou assento numa pedra e fechou os olhos, tomando a posição padmasambava. Judas sempre tentara imitá-lo, sem resultado. Tinha as juntas do corpo muito duras e, por isto, desistira de o fazer. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – XCVIX: NO TEMPLO

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Pilatos era mal-humorado. Andava magoado com a esposa contra a qual pesava a desconfiança de tê-lo traído no leito.

Pilatos era mal-humorado. Andava magoado com a esposa contra a qual pesava a desconfiança de tê-lo traído no leito.

O aviso dado por Pilatos deixou os sacerdotes do Templo de Jerusalém em polvorosa. Os membros do Sinédrio foram convocado às pressas. A pergunta angustiante era: O que quer o representante de Tibério com os rabis de Jerusalém? Quando reunidos e cessada a balbúrdia, um dos rabis se pôs de pé e pediu a palavra.

— É realmente preocupante o interesse do Tribuno romano em nós. Sabemos que eles não vêm aqui senão quando há má notícias para nosso povo e se este veio é porque se trata de algum assunto muito, muito sério. Só me passa pela cabeça um: o milagreiro filho do construtor Yoseph. Ele vem conclamando o povo à rebelião contra nós. Comete crimes contra nossas Leis, desobedecendo-as acintosamente. É manifestamente contrário às nossas práticas ritualísticas e influi danosamente na crença de nossa gente. Pior: diz-se filho do Altíssimo. Uma blasfêmia que não devíamos suportar de modo algum. E há muitos que acreditam que ele seja aquele que virá para nos salvar e nos tornar os senhores da Terra, como nos foi prometido. Ao menos já há murmúrios a este respeito entre o povo. Eu critico a leniência deste Sinédrio para com o rebelde, que para mim é estarrecedora. Resultado disto? Roma nos envia uma de suas mais altas autoridades e esta mal chega deseja um encontro conosco. Não é claro? A agitação do rebelde já deve haver chegado aos ouvidos do Imperador romano…

Uma grande bulha explodiu entre os sinedritas, todos concordando com as idéias do homem de barbas brancas e longas, olhar de mirada cortante e expressão de ira contida na face vincada pelo tempo. Arimatéia esperou que a bulha cessasse e, antes que o orador continuasse sua peroração, pôs-se de pé e pediu licença para contraditar o orador. Este voltou-se para ele, empertigado. Mais

A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO – XCVII: YEHOSHUA ESCLARECE SOBRE A REENCARNAÇÃO

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Quando sabia que tinha semeado a dúvida e provocado confrontos entre seus ouvintes, Ele se distanciava dos grupamentos e ia meditar e alhear-se do mundo humano de dores, e dúvidas, e sofrimentos.

Quando sabia que tinha semeado a dúvida e provocado confrontos entre seus ouvintes, Ele se distanciava dos grupamentos e ia meditar e alhear-se do mundo humano de dores, e dúvidas, e sofrimentos.

Yehoshua juntou seus discípulos e antes que soassem as 6 horas da manhã (1ª hora do dia, no horário de seu tempo), anunciada pelo sophar, arrumaram-se para partir a caminho de Betânia, nos arredores de Jerusalém, a uns 15 estádios de distância da capital (nota: 1 estádio romano = 185 m; então, 185 X 15 = 2.775 metros). Depois de se despedirem dos amigos, deixando-os desorientados pela pressa de Yehoshua, puseram-se a caminho. Os discípulos também estavam desorientados com aquela pressa, mas o Mestre lhes disse que pretendia visitar Lázaro e suas irmãs, Marta e Míriam, das quais ele gostava muito. Sempre o recebiam com alegria e sinceridade. Mas havia outra razão para aquela visita, a qual Yehoshua não mencionou aos discípulos. É que o Mestre precisava estudar mais uma vez a aura de Lázaro, pois sabia que ele seria o marco final de sua caminhada rumo ao Calvário. Quando decidisse obrar um milagre seu, totalmente seu, naquele grande amigo, este fato inusitado poria o Templo em ação e, então, nada mais poderia fazer retroceder o desfecho trágico que o esperava.

A viagem foi relativamente rápida.  Os quase sete quilômetros que separavam Belém de Betânia foram percorridos em menos de uma hora, pois o passo elástico e acelerado de Yehoshua encurtava o tempo de caminhada. Betânia ficava muito perto de Jerusalém, coisa de três quilômetros, e Yehoshua sabia que seu atrevimento lá no Templo havia dado início a uma ação de caça perigosa, na qual ele era o alvo. Também sabia que  Gabriel e alguns arcanjos os tinham salvados dos sicários a soldo do rabi Ananias. Isto ele não desejava que acontecesse, embora tivesse agido de caso pensado buscando despertar os mais perigosos rabis justamente porque eram os que mais pregavam as fábulas do Tanakh ao pé da letra. Eram os que mais pugnavam por manter na ignorância e no Medo todo Israel. Em pensamento, pediu ao seu amigo e protetor que tornasse Betânia esquecida de todos os que se aprestavam para matá-lo e a seus discípulos. Deste modo, não seriam incomodados, mesmo estando tão próximos do centro do furacão que ele mesmo provocara. Mais

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