ASSANDO VIVO

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São quatro horas da matina. Não durmo bem como dormia desde que a chuva se foi. Mas a secura do ar está ficando a cada dia pior, muito pior. A sensação é que estou sendo assado vivo e mesmo molhando desesperadamente a varanda da casa, arriando os toldos para que a evaporação traga a água para dentro de casa, isto não demora mais que cinco minutos. Molho também a grama diante de minha varanda. No terreno que tenho à frente da casa, onze de profundidade e doze de largura, plantei laranja, jabuticaba, romã, limão e abacate. Estão grandes e a laranjeira tanto quanto o limoeiro quando se enchem de frutas tenho de distribuir, porque não há como comer tudo. A jabuticabeira começa, agora, a frutificar, mas suas frutinhas nascem secas, miúdas, e secam rapidamente. Mesmo que eu molhe o gramado durante uma hora de manhã e à noite, não funciona. Ao menos não morreu nenhuma das plantas. Além disto, ao redor da garagem do automóvel plantei muito arbusto de enfeite e o chão é todo gramado. Dá trabalho manter tudo limpo, mas a idéia era de que assim fazendo eu teria umidade quando o verão chegasse. E o verão vem sendo cada ano mais e mais seco. Não funcionou.

Este ano tudo está pior. A chuva, que esteve mais presente do que nos anos anteriores, foi embora e já no dia seguinte o calor desabou como se acima de nós houvesse uma fornalha. Sei que há. Sei que o Sol é mais do que uma simples fornalha. É o Inferno Cristão ao vivo e a cores. À noite, quando eu gostava de admirar o céu profusamente iluminado com estrelas, coisa que eu não via mais quando morava no Rio de Janeiro, tem algo de sinistro na claridade das estrelas. O piscar daqueles pontinhos, que me dava a impressão de algo em grande alegria, agora me atemoriza. Já me parece uma sinistra gargalhada sem som…

E é quando me lembro das Profecias de Nostradamus. Nelas, ele prevê que este mundo terminará em fogo. No início será a desorientação das pessoas, que estarão valorizando o que não tem valor e se perdendo e se matando e praticando os atos mais abomináveis ética e moralmente. A Mentira reinará absoluta e a dignidade humana se esgarçará como pano usado, velho e podre. A vida humana e a de todo ser vivo perderá valor para os homens e estes valorizarão o fútil e o imprestável como se isto fosse ouro. E envolvido com intrigas nacionais e internacionais, os povos não prestarão atenção nas mudanças climáticas e a morte chegará como um vento quante, ressecante e sufocante. E no fim, ver-se-ão pessoas correndo desesperadas com o calor insuportável, buscando desesperadamente uma gota de água sem a encontrar. E quando o horror chegar a extremos ver-se–ão pessoas desesperadas, chupando literalmente ferro em brasa no desespero de saciar a sede… Eu ouvia meu pai ler aquele livro de capa preta e sentia meu coração acelerar de medo. Não dava para uma criança de sete anos imaginar tanto, mas eu conhecia o calor abrasador das fogueiras de São João e pensava em que aquele livrinho macabro se referia àquele calor. No entando, aos oitenta anos, vejo que ele é muito mais cruel, muito mais pior do que eu jamais poderia imaginar. E sinto medo.

Há muito que desejo mandar cavar um poço artesiano em meu terreno, mas tantas despesas extras aparecem e todas são prioritárias (nem sempre são minhas) que eu venho procrastinando este desejo. E aí chegou a velhice e seus males. Embora eu não seja um velho caquético e não aparente ter a idade que tenho (talvez isto não se deva somente à genética, mas às lutas que pratiquei por toda a vida), sinto que já não sou tão forte quanto fui. E o cansaço da idade pesa. Os novos de agora possivelmente não terão tempo de experienciar isto que vivo na velhice, mas para mim que sou tremendamente ativo, ser velho é uma experiência desagradável.

E aí olho meus netinhos. E penso comigo mesmo: “Até quando viverão nesta inocência que fascina? Até quando não começarão a se desesperar pelo inferno que se abate sobre este planeta?” Tenho a impressão de que a humanidade não somente deixou há muito de ser humana como também enloqueceu e ninguém ainda se deu conta disto. A Política, no Mundo todo, perdeu o rumo. A Mentira é sua mentora em qualquer parte, em qualquer país. A Corrupção não é apanágio somente do Brasil, mas grassa em todos os demais países. Os crentes em alguma coisa a que chamam Deus fazem romarias caminhando a pé sem se dar conta de que este planeta é redondo e não vão chegar a lugar nenhum, mesmo que lhes fosse possível percorrê-lo a pé, de carro ou de avião em todas as direções. Estamos presos aqui e aqui morreremos.

Há os que acreditam que poderão ir viver na Lua, ou em Marte, ou sei lá onde. E buscam desesperadamente um meio de fugir do Fim que já se anuncia inexoravelmente. A foto acima, da Terra “nascendo” no Espaço, vista a partir da Lua por um astronauta do passado, nos mostra que no satélite da Terra nada há, senão pó. Ele está morto. Ali não mais há dramas nem dores nem nada. Nem mesmo atmosfera nem dia nem noite. Apenas o frio do Espaço Sideral e o silêncio absoluto. No entanto, o homem adoeceu irremediavelmente o planeta em que habita e de tal modo o fez que ele não mais pode se recuperar. E, o que é mais pasmante, os “endinheirados” sonham se mudar daqui para a Lua, ou Marte (outro astro morto) ou, desesperadamente, para um planeta similar a este onde pensam recomeçar a Saga desgraçada da humanidade. Levão consigo os mesmos vícios e as mesmas mazelas características dessa raça repugnante chamada raça humana. E se O Criador Incognoscível lhes permitisse tamanha aventura, com certeza absoluta a raça humana que lá onde quer que fosse viesse a se refazer levaria o planeta invadido à morte, assim como fez aqui, neste maravilhoso paraíso que não soube respeitar. Mas há uma Lei inviolável e ela é conhecida entre os Teosofistas como “O Círculo Não Se Passa”. Ou seja, nós vivemos numa espécie de casulo de dentro do qual não podemos sair. E é a pura verdade. Quando o homem se lança no Espaço, tem de estar contido dentro de uma roupa totalmente hermética, onde nada de fora pode penetrar. Ele está fora da Terra, mas está cercado por ela, por suas condições mínimas de meios de manter sua vida no corpo físico que lhe foi dado. Seu sonho de sair da Terra não lhe é possível. Aqui foi criado, aqui viveu e aqui tudo destruíu, inclusive a própria casa sideral que lhe foi dada. Então, aqui findarão inexoravelmente. Ainda assim, ignorante desta Lei do Espaço, os que se dizem cientistas sonham que poderão criar bolhas de vidro ou seja lá de que seja sob a qual recriarão as condições de vida da Terra e dentro de tais “bolhas” viverão longe do planeta que destruiram. Como se o Criador lhes concedesse tamanho presente…

O Sol não aparece aqui. Ele é menor que o pontinho quase microscópico de tinta que juntos com milhares de outros formam a imagem que seus olhos miram. Isto é um pixel… E se o Sol some diante de Antares; se ele é tão insignificante, quem somos nós nesta dimensão?

É interessante. Este planeta, Terra, em termos de tamanho, se comparado com outros astros que a Ciência Pragmática Humana descobriu algures, há milhares e milhares de anos-luz de distância de nós, é ínfimo. Tão pequeno que diante de uma estrela de primeira grandeza, como a Estrela Antares, ela simplesmente não existe. O próprio Sol é apenas um pixel perante outras estrelas monstros que já se descobriu. E se Antares, diante de estrelhas gigantescas como Mu-Cephey, fica uma anã insignificante, o que somos nós, petulantes seres humanos que vivemos num planeta que é menor que um milésimo de um pixel? Para quem não sabe o que é um pixel, ele é o minúsculo, microscópico pontinho de luz que, junto com outros milhares iguais formam a imagem na tela de sua televisão. Um píxel acende e a paga em nano-segundo e se você não sabe o que é isto procure se informar. Vai cair seu queixo. E se também você consegue imaginar nossa pequenez perante o Universo em que estamos inseridos, perguntar-se-á, como eu sempre tenho feito sem obter resposta: Por que o Criador de toda esta Maravilha que é o Cósmos, nos fez tão ínfimos? Não somos senão uma partícula microscópica e totalmente insignficante de um Sonho Gigantesco que um Gigantesco Ser sonha e cria.

Mas estas divagações noturnas de quem não consegue dormir devido à secura do ar não aliviam a situação angustiante de todos os que moram no Centro-Oeste brasileiro. Pelo menos não aliviam minha angústia. Já tive medo da morte. Hoje, ela me é indiferente e até me perguntou: quando chegará? Um de meus irmãos já se foi e eu nem pude estar a seu lado. Os outros dois que restaram talvez sigam o mesmo caminho antes de mim. Assim, pelo andar da carruagem e por ironia de alguém poderoso, parece que eu vou ficar por aqui, para assistir o que não quero: a humanidade assando viva; ensandecendo de sede, calor, fome e desespero. E já que vou ficar por aqui, vou construir meu poço. Pode não ser já, mas que vou, eu vou. Teimosia é uma de minhas características básicas. Nem que tenha de gastar mais de vinte mil reais para furar um buraco de 120 metros atrás de água. A terra do Centro-Oeste brasileiro sempre foi um gigantesco charco. Goiânia foi construída sobre este charco. Tanto assim que não se pode criar túneis aqui, pois eles se encheriam de água. Há minadouros por todos os lados, embora os bípedes tresloucados humanos venham cobrindo tudo e construindo imprestáveis cidades sobre o chão dadivoso. E quando tiver meu poço, vou colocar aquela mangueira furadinha, muito usada em jardim, para espargir água dia e noite sobre a casa, sobre a varanda e sobre o solo todo onde a casa foi construída. Assim, talvez, eu seja cozido em vez de assado…

OROZIMBO E AS VIAGENS INTERPLANETÁRIAS.

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O nervo entre as vértebras T-12 e C-1, que afetam o gânglio celícaco e o plexo hipogástrico, quando beliscado pelo bico-de-papagaio, dispara uma horrível poliesculhambose" que torra a paciência da gente.

O nervo entre as vértebras T-12 e C-1, que afetam o gânglio celícaco e o plexo hipogástrico, quando beliscado pelo bico-de-papagaio, dispara uma horrível poliesculhambose” que torra a paciência da gente.

É domingo. Estou às voltas com uma dor terrível no nervo afetado pelo maldito bico de papagaio, em minha coluna. A par com isto, luto com a dúvida entre enfrentar ou não, a dolorosa operação para implante dentário. Já fui comunicado pelo implantodontista que ele retirará osso da parte anterior de meu maxilar para suprir a falta óssea na parte frontal, onde faltam meus dentes. Aos 75 anos, com dores que não cessam dia e noite em minhas costas, roubando-me o sossego do sono, optar por mais uma fonte de grande dor, desta vez na face? Hesito.

A decisão tem de ser tomada em tempo curto, pois dia 13 deste mês, justamente no dia de meu aniversário, devo dar os cheques para pagamento da primeira etapa do longo trabalho de implante. E hoje são 11 de outubro de 2015. Que dilema. Ninguém pode-me ajudar…

Estou com a família toda em casa – filhos, genro e nora e neto adotado por meu filho. Como se dizia antigamente, “estou com tudo e não estou prosa”. E foi assim, com o Astral mais por baixo que barriga de cobra, que Orozimbo me encontrou. Mais

RECICLAGEM E REAPROVEITAMENTO DO LIXO

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Comida que virou lixo em Teresópolis

1-Tem-se encarado a defesa do meio ambiente como um modismo por:

– governos;

– grupos ecológicos;

– técnicos e cidadãos comuns.

Isto é um erro perigoso. A humanidade produz verdadeiras montanhas de lixo por dia e esta produção é altamente venenosa, devido mesmo aos inventos químicos e tecnológicos (óleo combustível, exploração de gases, isopor, plásticos, cerâmicas, tintas e outros) que, a cada dia surge no Mercado de Consumo. O homem pensa em duas coisas para sua vida:

a)  Comodismo

b)  Lucro

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