Caifás em seu traje cerimonial presidia a primeira reunião de membros do Sinédrio sobre as pregações de Yehoshua.

Caifás em seu traje cerimonial presidia a primeira reunião de membros do Sinédrio sobre as pregações de Yehoshua.

Era noite. Tarde da noite. Um grupo de quase trinta homens, todos paramentados, estavam reunidos num grande salão, na casa de Anás. Era estranho que estivessem paramentados, mas a reunião fôra conclamada com aquela exigência. Caifás, então, tomando a palavra, falou.

— Chamamos a todos aqui para evitar a curiosidade de alguém, sobre uma reunião nossa no Templo tão tarde da noite. Exigimos os paramentos a fim de emprestarmos a esta nossa reunião o selo da oficialidade. O que aqui se decidir, far-se-á cumprir. Agora, vamos ao que nos perturba e a toda a comunidade hebraica. Um homem, um nascido entre nós, que todos conhecemos bem e que foi criado e educado longe de nós, retornou ao nosso convívio, mas veio como um perigo para nossa estrutura sacerdotal e para nosso Templo. Não preciso declinar seu nome, mas vou dizê-lo para que fique bem registrado que não estamos promovendo uma traição a quem quer que seja e, sim, defendendo nosso Templo, o Templo onde adoramos o Santo dos Santos. Falo de Yehoshua, o filho do construtor Yoseph, morto há algum tempo a serviço de Herodes.

— Yehoshua está disseminado a dúvida e levando nosso povo a questionar nossa Lei, a Lei que nos foi transmitida por nossos antepassados e que nos foi legada pelo próprio Deus de Israel. Ele tem pregado coisas perigosas e disseminado ensinamentos baseados na filosofia de Budha, que não deve ser dada a conhecer ao nosso povo. Não podemos permitir que admitam outro Deus que não o nosso Deus, o Deus de Abrão e Moisés. Este é o Verdadeiro e não há outro igual.

Todas as cabeças assentiram, respeitosamente, menos uma — a de José de Arimatéia. Sisudo, atento, ele sentava-se o mais distante possível do local onde, de pé, Caifás falava. Estava muito atento a tudo o que ele dizia e sua testa, franzida, mostrava bem sua preocupação. Era amigo e admirador de Yehoshua e temia por sua vida. Mais