O IMPÉRIO BEBÊ DE DOM PEDRO I, EM 1822 (II)

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A imponente construção do Paço Imperial ainda permanece de pé e nas décadas de 60/70 teve destaque no salto das telecomunicações no Brasil.

A imponente construção do Paço Imperial ainda permanece de pé e nas décadas de 60/70 teve destaque no salto das telecomunicações no Brasil. Neste prédio foi instalada a primeira central de telefonia internacional, com centenas de máquinas de fax e dezenas de telefonistas bi e trilíngües duramente selecionadas pela EMBRATEL.

Os ginetes deitavam-se sobre as crinas esvoaçantes dos dois poderosos cavalos, que voavam literalmente por entre capim e charcos a caminho do centro do Rio, mais precisamente a caminho do Palácio Cruz e Souza, no local que seria denominado de Praça XV de Novembro. Nos tempos de Dom Pedro aquele local era conhecido como Praça do Carmo e, depois, como Largo do Paço, mas tivera, no início da colonização do lugar, o nome de Praia da Piaçava. Naquela praia o Conde de Bobadela deu início à construção, que só terminou em 1745, quando o Governador era Gomes Freire de Andrade, cujo nome passou a uma Avenida bem movimentada no Rio de Janeiro da atualidade. Era, pois, para o vetusto palácio do Largo do Paço que Bonifácio e Dom Pedro galopavam à toda. Seus cavalos, habilmente conduzidos pelos dois cavaleiros, meteram susto em muitos viandantes nas estreitas sendas que conduziam da Quinta da Boa Vista até o Largo do Paço. Muitas mulheres que carregavam na cabeça jarros com água, assustadas tinham deixado que seus jarros se espatifassem no chão. Os dois foram xingados de todos os nomes feios da época, mas limitavam-se a dar gargalhadas quando os ouviam e continuavam o galope. Mais

O IMPÉRIO BEBÊ DE DOM PEDRO I, EM 1822 (I)

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A piorréia, infecção bacteriana que inflama a gengiva, ataca os dentes e os faz cair. Dá um tremendo mau hálito ao sofredor.

A piorréia, infecção bacteriana que inflama a gengiva, ataca os dentes e os faz cair. Dá um tremendo mau hálito ao sofredor.

Homens denodados, no interior do Nordeste, batalhavam em defesa de um líder que alguns deles desconheciam. De um ou de outro modo, todos arriscavam suas vidas e a vida de seus familiares em defesa de um homem que aceitavam como o dirigente de seus destinos, ainda quando não o conhecessem pessoalmente. Mas o que fazia aquele ídolo? Por onde andava? Vamos ver a recíproca do líder defendido à aceitação de sua pessoa por brasileiros que até o desconheciam pessoalmente. Não nos esqueçamos de, imaginativamente, voar até aqueles tempos atrasados, quando até o transporte era feito no lombo de cavalos, jegues, mulas e outras alimárias domesticadas para isto. Não havia  telefone, nem computador, nem internet, nem Facebook, nem I-pad… Nada disto. Também não havia esgoto. Nem mesmo banheiro decente nas casas. Os dejetos, fezes e urina, vômitos ou panos com menstruação, acumulados à noite em urinóis, eram simplesmente jogados pelas janelas das casas, sem qualquer cuidado com quem estivesse passando lá na rua. Não havia ruas pavimentadas nem estradas asfaltadas. Na maioria das vezes os caminhos não passavam de sendas abertas, antes, por jesuítas ou bandeirantes. Sendas tortuosas, por dentro de mata fechada ou descampado agreste, rude, selvagem, onde, em qualquer que fosse o terreno, a morte espreitava nas presas de uma serpente peçonhenta; nas garras de um jaguar; na picada de um inseto; no toque na pele de uma rã venenosa; na água ingerida ou no ataque de silvícolas, quase todos avessos aos invasores. Você conseguiu voar até aqueles tempo? Conseguiu ver a mata folhosa, as pessoas trajando roupas grosseiras, pés no chão, facão na cinta, olhar desconfiado ou agressivo? Conseguiu ver os negros curvados ao peso dos jacás onde carregavam, nas costas, todo tipo de objetos e rações? Conseguiu enxergar os arrogantes e cruéis capatazes, sempre de chibata em punho e prontos a castigar as costas já muito machucadas dos pobres negros? Viu as mulatas de olhares lascivos endereçados aos seus senhores e sinhozinhos? Viu as bocas pútridas pela piorréia, comum naqueles idos? Então, você acabou de entrar no ambiente em que vivia Dom Pedro I. Mais

TABA DOS JENIPAPOS, 27 DE AGOSTO DE 1822

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A manhã estava fria e uma nuvem de vapor tornava tudo difuso naquele manto branco.

A névoa do amanhecer na mata traz um frio que incomoda a quem não está acostumado.

A névoa do amanhecer na mata traz um frio que incomoda a quem não está acostumado.

O sol ainda não nascera, mas sua luz já banhava preguiçosamente toda a mata. Tata-saru aproximou-se de Raimundo e sacudiu a rede onde ele dormia. Estremunhado, o “coroné” abriu os olhos e mirou o índio.

— Homem branco — disse Tata-saru — deves levantar cedo. Começa, hoje, teu ritual de casamento. Deves ir para a mata e caçar cinco caititus. Tens até o meio-dia para isto. Se não o fizeres, perderás a honra e não serás digno de ser oferecido aos Encantados do Parnaíba. Então, morrerás sob desonra. Anda! Eu torço por tua vitória, mas não podes contar com a ajuda de nenhum de nós. Levarás tua jacu-cangá e a arma que desejares — arco, flecha, lança, tacape… O que pedires. Mais

A SABATINA DE OROZIMBO

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Dois praticantes de Tai-Chi

Dois praticantes de Tai-Chi

Orozimbo abancou-se em seu toco e ficou quieto, pitando e observando eu dar aula de Tai-Chi. Quando terminei fui sentar-me ao seu lado e ficamos, ambos, desfrutando da calma do Bosque dos Buritis. As árvores ensombravam tudo e a ausência de pessoas deixava que os micos e os pássaros saltassem pelas copas acima de nós.

— E então — disse eu — vamos embora? — Estávamos assim, em silêncio, há mais ou menos vinte minutos. Ele meneou a cabeça, negativamente.

—Véi qué fazê duas pregunta a vancê.

— Pois o que está esperando? Faça!

—Primera: cuma é qui vancê intende a Magia? Segunda: quando é qui a gente desenvorve aquele negõço de “dá-azá”? E pru qui dá azá e não, sorte?

Fiquei olhando para ele sem compreender a que se referia. Não me recordava de ter falado de nada que desse azar a a alguém. Mas à força de pensar, cheguei a uma conclusão que me fez rir. Mais

(PMDB/PSDB) x PT – BRIGA DE CACHORRO GRANDE.

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Assim foi a última cena que o pobre Zé Pigunço viu diante de si. Claro que sua fantasia exagerou a realidade.

Os cachorros grandes dos partidões brasileiros já estão arreganhando as fauces…

O Correio do Brasil noticia, dia 15/12/2012, que FHC (o “Vampirão” do Brasil) seja “gentilmente” convidado a prestar esclarecimentos sobre o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro para abastecer campanhas políticas no início dos anos 2000. Já a Folha de São Paulo publica uma bombástica declaração de Marcos Valério, que afirma que “nosso” Lulão Enroladão também se lambuzou com o “melado” do Mensalão. Pelo visto, esta guerra suja entre os partidões do Brasil vai se esticar até 2014. “Fernandão Vampirão” do Brasil começa a se incomodar e a ser incomodado. Tudo estava indo bem, até que mexeram com o Lulão Enroladão. Aí, a turma braba dos “trabalhadores” partiu para o contra-ataque. E, agora, quando o “Vampirão” já havia ajeitado sua imensa fortuna obtida com trampolinagens sem-vergonha e de absoluta lesa-pátria, eis que a turma braba resolve mexer no caixão do bicho. Vampiro não apodrece, pois já é podre desde sempre. Destampar seu esquife é espalhar fedor pra todo lado. Lá se vem de novo as CC5, a venda fraudulenta do controle acionário da Vale (quanto será que o “Vampirão” embolsou naquela ocasião? Só diabo sabe!), a venda sem-vergonha das Telecomunicações e vai por aí a fora. Mais

SOMOS REATIVOS OU PROATIVOS? O QUE TEM HAVER COM ISTO O “ESTILO DE VIDA”?

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Meu amigo, velho Orozimbo, quando se interessa por um assunto não deixa por menos.

Ele se tornou um grande aliado de Felício.

Felício me ligou pedindo que eu fosse à sua igreja. Precisava que eu lhe desse uma pequena ajuda. A princípio eu me recusei, mas Orozimbo, com quem conversava naquele momento, fincou pé em que devíamos ir até o padre e não tive mais remédio senão capitular.

Fomos parar no salão paroquial. Ali encontramos uns trinta casais e algo em torno de umas trinta e poucas pessoas jovens, nada além de 23 anos nem aquém de 18.

—Êta, vai ser bão! — exclamou o velho Orozimbo, esfregando as mãos com satisfação. Olhei-o ressabiado e pensei: “É… Só não sei para quem”. Há muito tempo eu tentava fazer que Felício deixasse de lado aquelas reuniões. Ele não era preparado para enfrentar uma crise em grupo e já passara por algumas experiências traumatizantes e desastrosas. Mas ele me fez saber que aquelas reuniões eram imposição de seus superiores, portanto não tinha como descartá-las. Mais

CAMPO MAIOR,29 DE AGOSTO DE 1822: URISSANÊ SE ENCANTA

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Uma gigantesca gameleira enfeitava a frente da fazenda do "coroné" Raimundo.

Uma gigantesca gameleira enfeitava a frente da fazenda do “coroné” Raimundo.

Thiago aproximou-se da irmã que se debruçava na balaustrada da grande varanda da casa da Fazenda Gameleira cuja árvore do mesmo nome ensombreava e propiciava uma temperatura muito amena e agradável. Eram 10 horas, o sol estava bem quente, mas à sombra da gameleira secular tudo era frescor. A jovem Florinda não conseguia disfarçar sua ansiedade pela ausência do jenipapo. Ele se fora no dia anterior, trajando as roupas que lhe tinham sido dadas e sumira na mata. Onde estava? Como dormia? Em sua cabeça soava a voz dura e direta do índio: “Urissanê quer tu!” Ela se sentia corar por ter gostado de ouvir aquilo. Não tomava as palavras do índio como insulto, como fazia sua mãe vitoriana demais para seu gosto. Ele falava conforme seus costumes. E ela havia gostado do que ouvira. Por que? Afinal, tratava-se de um índio bronco, sem cultura, sem instrução. O que ele sabia da cultura européia? Nada! O que lhe poderia dar de comodidades citadinas? Nada! Mesmo assim, gostara muito e não conseguia se livrar da voz impositiva e decidida do jenipapo, nem, muito menos, de seu corpo imensamente musculoso e… nu. Uma nudez que a cativara totalmente.

— Sinhazinha, minha irmã — a voz de Thiago tirou-a de seus devaneios —, creio que estás dando asas demais a essa cobra jenipapo. Por mim, ele seria feito prisioneiro para ser trocado por nosso pai. Mais

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